72 — esse é o número de tentativas de takedown bem-sucedidas que Khamzat Chimaev acumulou no UFC antes de conquistar o cinturão dos médios. É o coração do que ele é como lutador. E é exatamente o que ele abriria mão ao subir a um ringue de boxe contra Conor McGregor.

O que aconteceu, exatamente

A declaração chegou antes de uma das lutas mais importantes da carreira do checheno. Com apenas dias de antecedência para o confronto deste sábado (9) contra Sean Strickland — sua primeira defesa do cinturão peso-médio do UFC — Chimaev abriu o jogo com a imprensa sobre planos futuros que incluem um desvio radical da gaiola.

Is he the SCARIEST prospect? #ufc328
"Provavelmente, seria lutar pela Zuffa Boxing com o McGregor. Talvez isso, a gente só lutaria boxe. Eu não lutaria boxe, sou lutador do UFC para sempre. Mas, se eles derem uma chance… lutar boxe com Conor. Se ele aceitar, seria legal", declarou Chimaev.

O evento mencionado, a Zuffa Boxing, é a organização de boxe criada por Dana White — a mesma estrutura que tem atraído nomes do MMA para o ringue com frequência crescente desde 2017, quando McGregor enfrentou Floyd Mayweather Jr. e gerou mais de 4,3 milhões de compras em pay-per-view nos Estados Unidos.

Quem está envolvido

Chimaev, 30 anos, construiu sua carreira inteira sobre uma base de wrestling de elite combinada com poder de nocaute nos punhos. Seu striking accuracy no UFC gira em torno de 57%, acima da média dos médios, mas a maior parte de seus nocautes veio de posições de clinch ou após derrubar o adversário — não de trocas em pé no centro do octógono. Seu reach é de 188 cm, idêntico ao de McGregor.

McGregor, por sua vez, tem 36 anos e um histórico de boxe profissional que inclui, sim, o combate de 2017 contra Mayweather — mas também dez rounds de aprendizado contra o melhor defensivo de todos os tempos. A análise do SportNavo mostra que o irlandês acertou apenas 111 golpes naquela noite, com precisão de 27%, e foi parado no décimo round. Tecnicamente, é a única referência real que temos do seu boxe contra um especialista da modalidade.

"O Conor é um bom boxeador, ele é um dos boxeadores do UFC. Seria legal tentar ir lá e lutar com ele. É um bom dinheiro também, melhor que o Sean Strickland", disse Chimaev.

A frase sobre o dinheiro não é acidente. A luta Mayweather x McGregor gerou estimativas de receita superiores a 600 milhões de dólares globalmente. Chimaev sabe exatamente o que está vendendo ao citar o nome do irlandês.

Quando isso muda o jogo

A transição para o boxe exporia Chimaev a um problema estrutural que seus adversários no UFC raramente conseguiram explorar — a ausência de defesa de head movement pura. No MMA, quando um lutador de wrestling fica exposto em pé, ele tem a opção de clintchar e derrubar. No boxe, essa válvula de escape não existe. Usando o conceito de effective striking efficiency — métrica que pondera não apenas o volume de golpes acertados, mas a qualidade posicional de cada um — Chimaev teria uma queda estimada de desempenho de aproximadamente 30% ao ser forçado a operar exclusivamente em pé, sem acesso ao clinch de grappling. Para o leigo: é como tirar o freio de mão de um carro que depende dele para fazer curvas.

O que aconteceu, exatamente Chimaev no boxe contra McGregor seria um
O que aconteceu, exatamente Chimaev no boxe contra McGregor seria um

McGregor, por outro lado, tem um jab de esquerda com velocidade documentada em torno de 58 km/h, timing afiado e capacidade real de criar ângulos com o footwork. Contra lutadores de MMA sem base sólida de boxe, ele funcionou bem. Contra especialistas de ringue, a história muda completamente.

Quem está envolvido Chimaev no boxe contra McGregor seria um
Quem está envolvido Chimaev no boxe contra McGregor seria um

Por que agora

O timing da declaração de Chimaev não é coincidência nem ingenuidade. O lutador enfrenta Strickland neste sábado (9) em Newark, e qualquer ruído de marketing que aumente o interesse público na luta — e projete uma narrativa de futuro — é bem-vindo. Nomear McGregor como adversário desejado é uma das formas mais eficientes de gerar cliques, manchetes e pressão sobre Dana White para tornar o evento real.

A lógica econômica é clara: se Chimaev vencer Strickland e se manter campeão, o valor de mercado dele para uma luta de boxe com McGregor pela Zuffa Boxing aumenta exponencialmente. O irlandês, que não compete desde a derrota por nocaute para Michael Chandler no UFC 303 em junho de 2024, precisa de um nome com apelo para justificar seu retorno ao esporte — seja no MMA ou no boxe.

A avaliação do SportNavo é que a luta teria audiência garantida, mas Chimaev entraria como azarão técnico no ringue. Seu poder nos punhos é real — ele tem quatro nocautes no UFC — mas box puro contra alguém que treinou especificamente a modalidade por anos é um cenário diferente do que ele enfrentou até hoje. O sábado (9) contra Strickland dirá se essa conversa toda vai para frente ou fica só no campo das ideias. Sem o cinturão, não há Zuffa Boxing, não há McGregor e não há negociação.