A última vez que a Inter de Milão ergueu dois troféus na mesma temporada, Javier Zanetti ainda usava a braçadeira de capitão e José Mourinho ditava a lei do futebol europeu. Era 2010. Dezesseis anos depois, na noite de 13 de maio, o Estádio Olímpico de Roma assistiu a um romeno de 45 anos repetir o feito — e fazer isso em sua primeira temporada completa no comando do clube. Cristian Chivu derrotou a Lazio por 2 a 0 na final da Copa da Itália e sacramentou o décimo título da competição para a Inter, a terceira doppia corona da história nerazzurra.
Um gol contra e Lautaro para fechar o assunto
A partida seguiu o roteiro que Chivu parece preferir: controle territorial, pressing alto nos corredores e transições rápidas quando o adversário abre espaços. Aos 14 minutos, o meio-campista da Lazio Adam Marusic desviou uma cobrança de escanteio da Inter para as próprias redes, abrindo o placar com o peso da ironia que o futebol costuma reservar para finais. O segundo gol veio aos 35 minutos, quando Denzel Dumfries lançou Lautaro Martínez em profundidade após uma falha defensiva dos romanos — e o capitão argentino não perdoou, finalizando com a frieza de quem já marcou em finais antes.
O que Chivu herdou e o que construiu na Inter
Reparemos no detalhe que separa este trabalho de uma simples continuidade: Chivu não pegou um elenco em transição. Ele pegou um elenco que havia sido campeão italiano na temporada anterior sob outra filosofia e o reconfigurou com um gegenpressing mais vertical, sem abrir mão da solidez defensiva que sempre foi a identidade milanesa. O resultado é uma equipe que lembra, em certos momentos, o Bayer Leverkusen de Xabi Alonso — intensa, organizada, capaz de sufoca o adversário sem parecer frenética. Nesta temporada 2025/2026, o SportNavo acompanhou a evolução tática da equipe ao longo das rodadas do Campionato e a progressão foi inequívoca.

O peso histórico da terceira dobreta nerazzurra
Para dimensionar o que aconteceu em Roma, basta consultar os arquivos: a Inter havia conquistado o doblete em 1978 e em 2010. A primeira vez foi sob o comando de Eugenio Bersellini; a segunda, sob Mourinho — e naquele caso, a conquista fez parte do histórico Triplete. Chivu, que viveu o Triplete como jogador, foi titular naquela campanha de 2010 e ergueu a Champions League em Madri. Agora, do outro lado da linha técnica, ele coleciona a segunda dobreta da era moderna do clube com uma naturalidade que desconcerta.
«Quando joguei aqui, aprendi que a Inter não aceita mediocridade. Tentei trazer isso para o meu trabalho como treinador», disse Chivu em entrevista ao canal oficial do clube após a conquista do Scudetto, semanas antes desta final.
Chivu entre os grandes técnicos da história recente da Itália
A comparação com Mourinho é inevitável, mas talvez a mais justa seja com Carlo Ancelotti — outro treinador que, em sua primeira temporada completa em um grande clube, entregou títulos antes que qualquer ceticismo pudesse se instalar. A diferença é que Ancelotti chegou ao Milan em 2001 com um currículo de campeão da Série A pela Juventus. Chivu chegou à Inter sem um único título como técnico principal de um clube de elite europeu.
«Ele tem uma clareza tática rara para alguém com tão pouca experiência no banco», escreveu o jornalista Gianni Riotta na La Stampa após a conquista do Scudetto. «A Inter não parece um time em construção — parece um time que sabe exatamente o que é.»Com o doblete selado, Chivu encerra a temporada com um argumento difícil de rebater.
A Inter volta a campo pela pré-temporada em julho, mas antes disso o clube deve anunciar nas próximas semanas a renovação contratual de Chivu — segundo a imprensa italiana, as conversas estão avançadas. Para quem quiser entender como essa equipe vai evoluir para a temporada 2026/2027, o mercado de verão europeu, que abre oficialmente em junho, já tem os primeiros nomes especulados para reforçar o setor criativo. Acompanhar esses movimentos a partir de agora é o caminho mais inteligente para não ser surpreendido quando o Campionato recomeçar.








