Se a temporada tivesse terminado só com o Scudetto, Cristian Chivu já seria celebrado como um dos melhores técnicos da história recente da Inter de Milão. Mas ela não terminou assim. Na noite desta quarta-feira (13), no Estádio Olímpico de Roma, a Inter venceu a Lazio por 2 a 0 e levantou também a Copa da Itália — fazendo a dobradinha nacional pela terceira vez em toda a história do clube.

A resolução chegou ainda no primeiro tempo. Aos 14 minutos, Adam Marusic marcou contra após cobrança de escanteio de Dimarco com pressão de Marcus Thuram. Pouco antes do intervalo, Lautaro Martínez aproveitou um erro de Nuno Tavares na saída de bola e ampliou. Na segunda etapa, a Lazio pressionou e Boulaye Dia chegou a assustar, mas parou em defesa de Josep Martínez. Placar fechado, título confirmado.

A noite em Roma que mudou o tamanho do legado de Chivu

Ídolo nas arquibancadas, agora Chivu é lenda no banco de reservas.

O técnico romeno de 45 anos viveu o triplete de 2009/10 como jogador — aquele time de Mourinho que ganhou Serie A, Copa da Itália e Champions League. Agora, em sua primeira temporada completa no comando da equipe, ele replicou dois dos três títulos. A comparação com Mourinho é inevitável, mas os contextos são diferentes: Mou levou três temporadas para construir aquele ciclo vencedor; Chivu entregou a dobradinha já na estreia.

Do ponto de vista tático, a Inter de Chivu se destaca por números que vão além do placar. Na Serie A desta temporada, o time registrou um dos maiores xG acumulados da liga — o expected goals (xG) mede a qualidade das chances criadas com base na posição do chute e no contexto da jogada, e não apenas o volume de finalizações. Uma equipe com xG alto cria oportunidades de alto valor, não apenas chutes de fora da área.

  • xG da Inter na temporada: entre os três maiores da Serie A, com média superior a 2.1 por jogo
  • PPDA (passes permitidos por ação defensiva): a Inter manteve um dos índices mais baixos da liga, o que indica pressão intensa e recuperação rápida de bola — quanto menor o número, mais agressiva é a marcação
  • Progressive passes: a equipe liderou a categoria em vários rounds, com Calhanoglu e Barella entre os principais distribuidores de passes que avançam pelo menos 10 metros em direção ao gol adversário

Segundo apuração do SportNavo, a Inter terminou a temporada com o melhor equilíbrio entre criação ofensiva e solidez defensiva do Calcio — algo que Mourinho também tinha, mas construído ao longo de ciclos mais longos de trabalho.

Mourinho ganhou mais, mas Chivu ganhou mais rápido

A dobradinha de 2009/10 tinha uma Champions; a de 2025/26 tem uma velocidade diferente.

A última dobradinha da Inter antes desta foi exatamente a de Mourinho em 2009/10 — e aquele time ainda acrescentou a Champions League, completando o triplete histórico. Chivu não chegou lá na Europa nesta temporada, mas o que ele fez no plano nacional tem um peso próprio: nenhum técnico na história recente do clube entregou dois títulos nacionais já em sua primeira temporada completa.

A diferença de contexto também importa. Mourinho herdou um elenco já estruturado por Roberto Mancini e teve tempo para moldá-lo. Chivu assumiu um time em reconstrução após uma temporada irregular e precisou calibrar o elenco rapidamente. O resultado tático aparece nos números defensivos: a Inter de Chivu concedeu menos de 30 gols na Serie A, com uma média de defensive actions por jogo — que soma bloqueios, interceptações e duelos ganhos — entre as mais altas da liga.

"Chivu conhece o DNA deste clube melhor do que qualquer treinador externo poderia conhecer", disse um membro da comissão técnica da Inter, segundo relatos da imprensa italiana após o título do Scudetto.

O que a dobradinha significa para o futuro imediato da Inter

Dois títulos em uma temporada abrem uma janela de mercado diferente.

Com a dobradinha confirmada, a Inter entra na janela de transferências de verão em posição privilegiada. A classificação para a próxima Champions League já estava garantida com o Scudetto, mas o título da Copa da Itália reforça o prestígio do clube para atrair reforços e, principalmente, para segurar peças como Lautaro Martínez — artilheiro da temporada e autor do segundo gol na final desta quarta.

O próximo grande desafio de Chivu será exatamente esse: transformar uma temporada histórica em um ciclo. Mourinho fez isso em 2009/10 e foi embora logo depois, para o Real Madrid. Chivu, ídolo da torcida e profundamente ligado ao clube, tem todas as condições de ficar — e a Inter já sinalizou que quer renovar o contrato do técnico antes do início da pré-temporada, prevista para julho.

Se a temporada tivesse terminado só com o Scudetto, Cristian Chivu já seria celebrado como um dos melhores técnicos da história recente da Inter. Agora, com a Copa da Itália no bolso, ele é simplesmente o melhor técnico da Itália neste momento.