Ontem. É só isso que separa Cristian Chivu do maior feito da sua carreira como treinador. Em 13 de maio de 2026, o Estádio Olímpico de Roma recebe a final da Coppa Italia entre Lazio e Inter — e o romeno que ergueu troféus como jogador nerazzurro em 2010 tem agora a chance de assinar o doblete Scudetto-Coppa Italia pela primeira vez em 16 anos. O último técnico a fazer isso chamava-se José Mourinho.
O que aconteceu no treino de Appiano Gentile mudou tudo
Terça-feira à tarde, no BPER Training Centre em Como. O clima era de alerta. Marcus Thuram havia encerrado a sessão do dia 11 de maio antes do previsto, com uma contratura muscular que acendeu o sinal amarelo na comissão técnica. Menos de 24 horas depois, o francês voltou ao gramado e completou os exercícios com o grupo — torello incluso. Sem necessidade de exames, sem drama: simples fadiga, algumas horas de descanso e o atacante estava de volta. Chivu respirou.
A ausência confirmada é outra, e pesa mais no sistema. Hakan Calhanoglu trabalhou separado do grupo e está fora da final. Quem assume a regia é Piotr Zielinski, com Nicolò Barella e Petar Sucic como mezzali. A defesa segue intacta: Josep Martinez no gol, terzetto com Yann Bisseck, Manuel Akanji e Alessandro Bastoni. Nas alas, Denzel Dumfries à direita e Federico Dimarco à esquerda. Na frente, Lautaro Martinez é titular garantido — e Thuram, recuperado, deve mesmo começar ao lado do argentino… mas falta o resto.
O duelo com Ange Bonny e Pio Esposito pela vaga de parceiro de Lautaro foi o único suspense real no vestiário nerazzurro. Pio treinou separado por precaução nas costas, mas está à disposição. Chivu usou a velha pré-tática: deixou o mistério no ar até a leitura das distâncias. Quem conhece o romeno sabe que ele gosta de decidir no último momento — e que raramente erra.
Dezesseis anos de espera e o fantasma de Mourinho no vestiário
A última vez que a Inter conquistou o doblete Scudetto-Coppa Italia foi na temporada 2009/10 — a mesma do histórico triplete de Mourinho, que incluiu também a Champions League. Naquele elenco, Cristian Chivu era zagueiro titular. Agora, sentado no banco de reservas do Olímpico, ele tem a chance de repetir a façanha como técnico, algo que nenhum treinador nerazzurro conseguiu no intervalo entre as duas eras.
A Inter de 2025/26 chegou ao título italiano com quatro rodadas de antecedência — o 21º Scudetto da história do clube. O caminho até a final da Coppa foi pavimentado com consistência, e o encontro mais recente com a Lazio serviu de ensaio geral: vitória por 3 a 0 no próprio Olímpico, com gols de Lautaro Martinez, Sucic e Mkhitaryan. Esse placar pesa sobre a cabeça de Maurizio Sarri como uma pedra.
O SportNavo mapeou os números desta temporada e a comparação é inevitável: enquanto a Inter de Mourinho dominou a Itália com um elenco de estrelas como Milito, Sneijder e Zanetti, a Inter de Chivu construiu seu domínio na coletividade — menos um nome, mais um sistema. Barella como motor, Lautaro como referência, Thuram como desequilíbrio. A filosofia mudou; a eficiência, não.

A Lazio de Sarri precisa de uma noite diferente de tudo que fez na temporada
Do outro lado do campo, o cenário é de redenção. A Lazio atravessou uma temporada marcada por contestação da torcida, atritos entre Sarri e o presidente Claudio Lotito, e resultados decepcionantes no campeonato. Vencer a Coppa Italia seria, nas palavras do próprio treinador toscano em conferência, dar sentido a uma temporada que precisava de um sentido.

Sarri reencontrou seu capitão: Mattia Zaccagni, recuperado, está confirmado no tridente ofensivo ao lado de Gustav Isaksen e Tijjani Noslin. O goleiro Motta, herói da semifinal, segue entre os titulares. A defesa a quatro terá Marusic, Mario Gila, Alessio Romagnoli e Nuno Tavares. A única dúvida real é na regia — Cataldi não tem condição de jogar 90 minutos, e o duelo entre Patric e Nicolò Rovella pela posição só foi resolvido nas horas anteriores ao apito inicial, com o espanhol em vantagem.
O árbitro da partida é Marco Guida. Antes do jogo, o cantor Nek se apresenta com o Canto degli Italiani — e haverá uma homenagem a Sinisa Mihajlovic, símbolo que pertenceu às duas camisas. Um detalhe que lembra que o futebol italiano carrega memórias maiores do que qualquer placar.
A bola rola às 21h no Olímpico de Roma, com transmissão ao vivo no Canale 5 e streaming pelo Mediaset Infinity. Se a Inter vencer, Chivu se tornará apenas o segundo técnico na história recente do clube a conquistar o doblete — e o primeiro a fazê-lo sem ter o nome de Mourinho na ficha. Se a Lazio surpreender, Sarri salva uma temporada que parecia perdida. A partitura já está escrita; falta saber quem vai tocar a nota final.








