22 anos. Esse número pesa como concreto nos ombros de cada torcedor do Arsenal que assistiu, de Liverpool, ao placar do Goodison Park piscar empate entre Everton e Manchester City. O City tropeçou. E lá no norte de Londres, o Emirates deve ter tremido de expectativa.
A cena
O calor úmido de Liverpool naquela tarde era quase irrespirável. Dentro do Goodison Park, o Everton — time que luta para não cair — segurou o City de Pep Guardiola e arrancou um empate que ninguém em Manchester queria. Do lado de fora, celulares vibravam com notificações. O placar final virou combustível para uma das corridas ao título mais eletrizantes dos últimos anos na Premier League.
Com o tropeço, o City perdeu o controle do próprio destino. Guardiola, que construiu uma das dinastias mais impressionantes do futebol europeu, agora precisa de uma combinação de resultados para voltar ao topo da tabela. Nas palavras que circulam nos bastidores de Manchester, o vestiário sente o peso de um calendário que não perdoa.
"Cada ponto que deixamos cair agora é um presente para o Arsenal", foi o tipo de frase que ecoou nos corredores da imprensa inglesa após o empate no Everton.
O contexto que explica
O City ainda tem um jogo a menos — contra o Crystal Palace, marcado para o dia 13 de maio. Mas antes disso, enfrenta o Brentford no dia 9, depois o próprio Palace e, na sequência, visita o Bournemouth no dia 19. A última rodada é em casa, diante do Aston Villa, no dia 24. No meio desse furacão de jogos, ainda há a final da Copa da Inglaterra contra o Chelsea, em Wembley — uma parede de compromissos que pode drenar energia física e mental do elenco.
O Arsenal, por sua vez, também divide atenções com a Champions League, onde persegue uma vaga na final. Na Premier League, o time de Mikel Arteta enfrenta o West Ham fora de casa no dia 10, recebe o Burnley no dia 18 e encerra a campanha como visitante diante do Crystal Palace, no dia 24. Coincidência ou não, Crystal Palace aparece no calendário dos dois rivais na rodada final.
Conforme levantamento do SportNavo, o critério de desempate favorece o Arsenal em primeiro lugar: o saldo de gols dos Gunners está à frente do City neste momento. Se a igualdade persistir, entram os gols marcados — aí o City leva vantagem. O confronto direto entre os dois, último critério a ser aplicado, também pende para o lado de Manchester.
As implicações imediatas
A última vez que o Arsenal levantou o troféu da Premier League foi em maio de 2004 — o lendário time dos Invencíveis, de Thierry Henry, Patrick Vieira e Robert Pires, que passou a temporada inteira sem perder uma partida no campeonato. Desde então, 22 anos de espera, de títulos que escaparam na última curva, de promessas que viraram frustração.
A análise do SportNavo mostra que o Arsenal não precisa mais depender de uma sequência perfeita do City para sonhar. Basta manter seus próprios resultados — algo que Arteta tem construído com consistência nesta temporada 2025/2026 — e torcer para que o calendário sufocante de Guardiola cobre sua fatura.
"Nós sabemos o que precisamos fazer. Jogo a jogo", é o mantra repetido no entorno do Arsenal, segundo fontes próximas ao clube ouvidas pela imprensa britânica.
O próximo teste do Arsenal é fora de casa, contra o West Ham, no dia 10 de maio. Três pontos lá podem ser o passo mais decisivo de uma geração inteira de torcedores que nunca viram o clube erguer a taça do campeonato inglês.









