A lista estava na mesa. Luis de la Fuente anunciou os 26 convocados da Espanha para a Copa do Mundo na segunda-feira, 25 de maio, em Las Rozas — e o nome que chamou atenção não estava nela. O Real Madrid, 15 vezes campeão da Liga dos Campeões, não tem um único representante na delegação espanhola. A última vez que isso aconteceu foi em 1950. Seria injusto chamar de ruptura histórica — mas é uma ruptura histórica em escala de 76 anos.

Por que nenhum jogador do Real Madrid foi convocado

A ausência não é ideológica, mas ela tem nome e sobrenome. Dani Carvajal segue em recuperação de grave lesão no joelho direito, sofrida em outubro de 2024, e ficou fora da temporada europeia 2025/2026. Dean Huijsen, que havia recebido a confiança de De la Fuente desde as primeiras convocações, não correspondeu com rendimento compatível ao nível exigido: conforme análise do Mundo Deportivo, o zagueiro branco ficou "muito longe do mínimo exigível para defender a camiseta de uma seleção que aspira a ganhar o Mundial". No gol, Kepa Arrizabalaga e Andriy Lunin também não entraram nas contas do técnico. O resultado é matemático: zero merengues entre os 26.

De la Fuente foi direto ao responder sobre o assunto.

"Eu sou o técnico e não olho para a origem dos jogadores. Eles são jogadores da seleção; não olho para um clube ou outro. Não tenho o mesmo preconceito local que um torcedor pode ter. Tudo o que eu quero é que esses jogadores sintam orgulho de representar a equipe nacional", disse o treinador em coletiva após a divulgação da lista.

A frase é protocolar, mas o contexto é concreto: com Carvajal fora, Pedro Porro (Tottenham) e Marcos Llorente (Atlético de Madrid) ocupam o corredor direito. Eric Garcia, do Barcelona, retorna às convocações depois de passagens pela sub-21 e pela Copa de 2022, onde foi chamado por Luis Enrique mas não teve minutos nos quatro jogos da Espanha antes da eliminação para Marrocos.

Os oito do Barcelona e o que eles representam taticamente

Oito jogadores do Barcelona na lista final: Joan Garcia, Pau Cubarsí, Eric Garcia, Gavi, Pedri, Dani Olmo, Lamine Yamal e Ferran Torres. Esse número não é apenas simbólico — ele desenha o esqueleto do sistema de jogo que De la Fuente pretende usar. A construção curta desde o goleiro, a saída de bola pelos zagueiros, a presença de um pivô de contenção e a circulação pelos meias são elementos que Cubarsí, Pedri e Gavi praticam semanalmente no Camp Nou.

A questão de Joan Garcia ilustra bem a lógica da convocação. O goleiro do Barcelona foi ignorado por De la Fuente durante boa parte da temporada, apesar de ter apresentado, segundo o SportNavo e veículos especializados espanhóis, o melhor desempenho entre os arqueiros da La Liga 2025/2026. Só na última lista antes do Mundial ele foi chamado — e agora aparece entre os três goleiros convocados ao lado de Unai Simón (Athletic Bilbao) e David Raya (Arsenal).

Gavi, por sua vez, retorna depois de uma temporada marcada por lesões. Segundo o Sport, o meia figurou na pré-lista de 55 nomes enviada à FIFA — uma lista vinculante, da qual De la Fuente não pode se desviar para a convocação final. A presença do meia representa uma aposta no volume e na intensidade que ele oferece no meio-campo, qualidades que a Espanha sentiu falta nas fases mais tensas da Eurocopa 2024, conquistada com Pedri também em recuperação.

O que ainda precisa funcionar para a Espanha chegar à final

A homogeneidade do elenco tem um custo: a ausência de experiência em alta pressão fora do eixo Barcelona-Premier League. Dos 26 convocados, sete atuam na Premier League — Rodri (Manchester City), Zubimendi e Merino (Arsenal), Marc Cucurella (Chelsea), Pedro Porro (Tottenham), Yeremy Pino (Crystal Palace) e David Raya (Arsenal). Rodri, que retornou de lesão no ligamento do joelho nesta temporada, é o nome de maior peso em termos de controle de jogo e liderança tática no meio-campo.

A Espanha busca o segundo título mundial de sua história. O primeiro veio em 2010, na África do Sul, com uma geração que tinha Iker Casillas, Xavi, Iniesta e Villa — todos formados em contextos de rivalidade interna intensa entre Barcelona e Real Madrid. A ausência do clube branco em 2026 retira esse atrito, mas também retira a profundidade de elenco que ele historicamente fornecia. Sem Carvajal e sem um substituto natural à altura no corredor direito, a lateral direita pode ser o ponto mais exposto da equipe em fases eliminatórias contra seleções com velocidade nas pontas.

A convocação definitiva foi entregue a De la Fuente com prazo até 1º de junho para envio à FIFA. A Espanha estreia na Copa do Mundo em junho, em partida ainda a ser confirmada no calendário oficial do torneio, com o grupo formado por adversários que serão divulgados pela organização. O técnico tem até lá para calibrar a integração entre os blocos do Barcelona, do Arsenal e do Athletic Bilbao — e para responder, em campo, se a ausência do Real Madrid foi uma limitação ou uma escolha.