O sol de Los Angeles batia no SoFi Stadium quando as escalações foram confirmadas. Lado a lado no papel: Thibaut Courtois na meta, Copa do Mundo 2026, segunda rodada do Grupo G. Kevin De Bruyne no meio-campo, dez metros à frente. Dois nomes que constroem a Bélgica — e que, segundo múltiplas fontes dentro do próprio vestiário belga, não trocam uma palavra desde 2013.
O episódio é antigo, mas a ferida não cicatrizou. Naquele ano, Caroline Lijnen, então namorada de De Bruyne, viajou a Madri e se envolveu com Courtois, que defendia o Atlético de Madrid por empréstimo do Chelsea. Em entrevista à Story Magazine, da Bélgica, Caroline revelou que o caso foi uma resposta a uma traição anterior do próprio De Bruyne, que havia se relacionado com a melhor amiga dela no verão de 2012.
"Kevin me traiu. Eu não disse nada por meses porque não podia, pois os pais do Kevin disseram que entrariam na Justiça contra mim caso eu contasse a minha história. Eu estava sob pressão", afirmou Caroline na publicação belga.
O silêncio que a Bélgica carregou do Catar ao Los Angeles Memorial
Na Copa de 2018, na Rússia, o silêncio entre os dois foi administrado pelo campo. A Bélgica eliminou o Brasil nas quartas de final com um gol de De Bruyne e uma atuação soberba de Courtois sob o travessão — cada um fez a sua parte, em lados opostos do gramado, sem precisar se olhar. O resultado foi um 2 a 1 histórico, e a Bélgica chegou às semifinais.
No Catar, em 2022, o equilíbrio desmoronou. Após a derrota por 2 a 0 para o Marrocos na segunda rodada, o zagueiro Jan Vertonghen respondeu com ironia declarada às declarações públicas de De Bruyne — que havia dito abertamente que a seleção era velha e tinha poucas chances de vencer o torneio. Eden Hazard, por sua vez, apontou lentidão defensiva após a vitória sobre o Canadá na estreia. O vestiário estava rachado em voz alta, e o que antes era rumor virou crise declarada. A Bélgica caiu na fase de grupos.
Quando faz uma defesa impossível, Courtois vira o guardião inabalável de uma geração. Quando faz uma jogada de ruptura que rasga a defesa adversária, De Bruyne vira o melhor meia do mundo. O problema é que os dois fenômenos coexistem no mesmo vestiário — e o termômetro desse ambiente nunca voltou ao zero.
Rudi García aposta na frieza profissional dos dois titulares
O técnico Rudi García promoveu quatro mudanças no onze titular belga para o confronto deste domingo contra o Irã, em Los Angeles. Entraram De Cuyper, Raskin, Saelemaekers e Lukaku — este último retornando à linha de frente ao lado de Trossard. A escalação completa confirmada foi: Courtois; Meunier, Ngoy, Mechele, De Cuyper; Raskin, De Bruyne, Tielemans; Saelemaekers, Lukaku e Trossard. García parece apostar que a frieza profissional dos dois líderes técnicos supera qualquer ruído interno.

Quando faz as escolhas táticas, o treinador francês ignora publicamente o elefante na sala. Mas o histórico recente da seleção belga, registrado por SportNavo ao longo desta Copa do Mundo, mostra que o ambiente de grupo nunca foi um detalhe secundário — foi, em 2022, o fator que acelerou a queda.
O Irã chega prejudicado pela logística, mas a Bélgica não pode subestimar
Do outro lado do campo, o técnico iraniano Amir Ghalenoei fez questão de denunciar as condições impostas pela organização do torneio. O Irã está concentrado em Tijuana, no México, e precisa cruzar a fronteira para jogar em solo norte-americano — uma dinâmica que, segundo Ghalenoei, reduziu drasticamente o tempo de preparação da equipe.
"Conseguimos realizar apenas cerca de metade do tempo habitual de treinamento. A ideia era ter uma preparação física e tática adequada, mas isso não foi possível nas condições em que fomos colocados", declarou o treinador à agência Reuters.
Na estreia, o Irã empatou em 2 a 2 com a Nova Zelândia. A Bélgica também somou apenas um ponto, após empate na primeira rodada. No Grupo G, todos os quatro times estão empatados — o que transforma este confronto em Los Angeles em uma decisão antecipada de sobrevivência.
O que a Bélgica precisa provar antes da terceira rodada
A seleção belga escalou Mehdi Taremi, do Inter de Milão, como referência ofensiva iraniana — um jogador com velocidade e repertório técnico capazes de explorar qualquer hesitação defensiva. A Bélgica de Courtois e De Bruyne tem talento individual para resolver o jogo sozinha. A questão é se dois atletas que não se falam conseguem liderar um grupo coeso nos momentos de pressão máxima, quando a comunicação dentro de campo vira questão de vida ou morte tática.
A terceira rodada do Grupo G está marcada para os próximos dias, com a Bélgica enfrentando o Egito. Uma derrota neste domingo contra o Irã coloca os belgas em situação de eliminação antecipada — o mesmo cenário humilhante de 2022 no Catar. Se Courtois e De Bruyne voltarem a ser decisivos juntos, como em 2018, a Bélgica avança. Se o vestiário rachar novamente, a história se repete. E aí fica a pergunta concreta: se a Bélgica perder hoje para o Irã, García tem condições de manter Courtois e De Bruyne como titulares simultâneos na rodada decisiva contra o Egito — ou o treinador vai precisar escolher entre o melhor goleiro e o melhor meia do mundo?








