A transferência de Neymar para o Paris Saint-Germain por 222 milhões de euros em agosto de 2017 provocou uma reação em cadeia que redefiniu completamente a estratégia de contratações do Barcelona pelos três anos seguintes. O clube catalão, que perdeu seu segundo maior ativo técnico e comercial da noite para o dia, desembolsou mais de 400 milhões de euros na tentativa de compensar a saída do brasileiro, mas acabou criando um desequilíbrio financeiro que culminaria na perda de Lionel Messi em 2021.
A urgência de blindar Messi após o choque Neymar
Ex-presidente do Barcelona entre 2014 e 2020, Josep Maria Bartomeu revelou ao jornal ABC que a venda de Neymar disparou um alarme imediato sobre a segurança contratual de Messi. Segundo o dirigente, outro clube não identificado demonstrou interesse em acionar a cláusula de rescisão do argentino, que à época era de 400 milhões de euros.
"Assim que Neymar saiu em agosto de 2017, recebemos notícias de que outro clube estava se preparando para pagar a cláusula de rescisão de 400 milhões de euros de Messi", revelou Bartomeu.
A resposta foi imediata: em novembro de 2017, apenas três meses após a partida de Neymar, o Barcelona renegociou o contrato de Messi elevando sua multa rescisória para 700 milhões de euros. O acordo também incluiu um aumento salarial significativo, que se tornaria um dos fatores decisivos para a crise financeira posterior do clube.
A busca desesperada pelo substituto de Neymar
Com 222 milhões de euros em caixa, o Barcelona iniciou uma série de contratações que se revelariam problemáticas. Ousmane Dembélé foi o primeiro alvo, custando 105 milhões de euros fixos mais 40 milhões em variáveis ao Borussia Dortmund. O francês chegou lesionado e nunca conseguiu estabelecer a regularidade esperada em suas cinco temporadas no Camp Nou.
Philippe Coutinho veio na sequência por 120 milhões de euros mais 40 milhões em bônus do Liverpool, em janeiro de 2018. O brasileiro, que custou mais caro que Neymar individualmente, também não correspondeu às expectativas e acabou emprestado ao Bayern de Munique já em 2019.
A terceira grande aposta foi Antoine Griezmann, contratado por 120 milhões de euros do Atlético de Madrid em 2019. O francês nunca encontrou sua posição ideal no sistema tático barcelonista e foi negociado de volta ao Atlético após duas temporadas irregulares.
O impacto financeiro devastador
Análise exclusiva do SportNavo mostra que o Barcelona gastou 385 milhões de euros apenas com Dembélé, Coutinho e Griezmann entre 2017 e 2019, valor 73% superior ao recebido por Neymar. Somados a outros reforços menores do período, o clube ultrapassou 450 milhões de euros em investimentos que não geraram o retorno esportivo esperado.
O desequilíbrio se agravou quando considerados os salários. Bartomeu admitiu que a renovação de Messi após a saída de Neymar foi fundamental para a crise do Fair Play Financeiro que impediu a permanência do argentino em 2021.
"Messi renovou seu contrato por um salário que me pareceu muito razoável, especialmente considerando sua contribuição dentro e fora de campo. Garantimos seu futuro porque, se pagaram 222 milhões por Neymar, poderiam pagar 400 milhões por Leo", justificou o ex-presidente.
Consequências esportivas e institucionais
Esportivamente, o Barcelona conquistou apenas duas LaLigas entre 2017 e 2021, perdendo protagonismo na Champions League com eliminações vexatórias para Roma, Liverpool e Bayern de Munique. A ausência de um substituto à altura de Neymar ficou evidente nas competições europeias, onde o clube tradicionalmente dependia da genialidade individual de seus craques.
Institucionalmente, as decisões tomadas após a venda de Neymar levaram à renúncia antecipada de Bartomeu em outubro de 2020, em meio a uma crise política e financeira sem precedentes na história centenária do clube. Sua gestão deixou uma dívida bruta de 1,35 bilhão de euros.
O Barcelona atualmente disputa a LaLiga 2024-25 sob o comando de Hansi Flick, tentando reconstruir sua identidade esportiva após os traumáticos anos pós-Neymar. O próximo compromisso será contra o Getafe, na sexta-feira, às 17h, buscando manter a liderança do campeonato espanhol.









