Chegou. A lista do Paraguai saiu nesta segunda-feira, 1º de junho, e o nome de Damián Bobadilla apareceu exatamente onde o São Paulo já esperava — entre os meio-campistas convocados para a Copa do Mundo. O anúncio era formalidade: o clube havia liberado o volante na semana anterior, antes mesmo da confirmação oficial, para que ele pudesse viajar ao Paraguai e iniciar tratamento em um incômodo no joelho, lesão sofrida em dividida no último treinamento. A Copa, para Bobadilla, estava garantida antes de qualquer lista.
Do Morumbi a Assunção — a construção de um titular inegociável
Bobadilla não chegou à seleção paraguaia por acidente. Sua presença nas últimas convocações foi tão constante que a comissão técnica do Paraguai o tratava como nome certo, e o São Paulo internamente já administrava o calendário com essa ausência no horizonte. Por isso, o Tricolor optou por poupá-lo dos dois últimos compromissos antes da pausa da Copa — a partida de terça-feira, dia 26 de maio, pela Sul-Americana, contra o Boston River, no Morumbis, e o duelo diante do Remo. A lesão no joelho não era grave a ponto de comprometer sua participação no Mundial, mas justificou a antecipação da viagem.
O volante compõe um setor de meio-campo paraguaio que conta ainda com Diego Gómez, Braian Ojeda, Andrés Cubas, Matías Galarza e Alejandro Gamarra. A seleção dirigida pela comissão técnica paraguaia chega ao torneio com uma espinha dorsal construída, em grande parte, no futebol brasileiro — Gustavo Gómez, Maurício Magalhães e Ramón Sosa vêm do Palmeiras; Bobadilla representa o São Paulo. O Verdão, sozinho, fornece três nomes à lista final.
O peso de ser o único tricolor no Mundial
Bobadilla será, provavelmente, o único representante do São Paulo na Copa do Mundo. A distinção carrega responsabilidade dupla: dentro do vestiário da seleção paraguaia, onde precisa afirmar sua condição de titular, e na narrativa do próprio clube, que acompanhará cada partida do volante como vitrine do trabalho desenvolvido no Morumbi. Nomes como Miguel Almirón, Antonio Sanabria e Julio Enciso completam um ataque paraguaio com experiência europeia — o que eleva o nível de exigência sobre quem organiza o jogo pelo meio.
Segundo apurou o Lance!, o jogador e o clube conversaram e entenderam que o melhor seria o meio-campista já viajar, pois, em razão do incômodo no joelho, não entraria em campo nos dois jogos que antecederam a pausa.
A decisão conjunta entre atleta e clube revela uma relação de confiança construída ao longo dos meses em que Bobadilla se firmou no elenco são-paulino. Liberar um jogador antes da convocação oficial, absorvendo a ausência em dois jogos de competição, é gesto que o São Paulo não faria por qualquer peça do elenco. O tratamento dado a Bobadilla fala sobre o peso que ele acumulou dentro do clube.
O São Paulo em compasso de espera enquanto a Copa acontece
A ausência de Bobadilla durante o período do Mundial abre uma questão prática para o São Paulo: quem ocupa a função do volante paraguaio no esquema do Tricolor enquanto a pausa durar e, eventualmente, após o torneio, dependendo do desempenho e do desgaste físico acumulado? O São Paulo terá de administrar o calendário da Copa Sul-Americana — competição em que enfrenta o Boston River — sem uma de suas peças de armação. A logística é conhecida, mas o desafio permanece.
O Paraguai estreia na Copa do Mundo no Grupo D, ao lado de adversários ainda definidos pelo sorteio da FIFA. A seleção albirroja chega ao torneio com um grupo equilibrado, misturando veteranos como Fabián Balbuena e Junior Alonso na defesa com jovens de alto nível no ataque. Bobadilla, no meio, conecta essas duas gerações — função que exerce também no São Paulo e que o tornou insubstituível para os dois lados.
Em 19 de junho, data prevista para a estreia do Paraguai na Copa do Mundo, Bobadilla estará em campo, joelho recuperado e camisa branca com listras vermelhas. O São Paulo acompanha de longe — e torce.










