Nove gols em uma única edição da Champions League. Esse é o número que transforma Julián Álvarez de reforço caro em protagonista incontestável do Atlético de Madrid de Diego Simeone. Nesta quarta-feira (29), às 16h (horário de Brasília), o argentino entra em campo no Riyadh Air Metropolitano para o jogo de ida da semifinal contra o Arsenal, carregando sobre os ombros a maior expectativa ofensiva do clube espanhol em uma Champions em anos recentes.

Da adaptação ao protagonismo em Madri

Quando o Atlético de Madrid anunciou a contratação de Julián Álvarez junto ao Manchester City, a pergunta mais óbvia era se o atacante de 24 anos conseguiria se encaixar na estrutura defensiva e coletiva imposta por Simeone. O treinador argentino nunca foi conhecido por construir esquemas ao redor de um único nome, mas Álvarez forçou essa adaptação com desempenho. Na atual temporada, o camisa 19 soma 9 gols apenas na Champions League, liderando a artilharia do clube na competição e consolidando-se como referência no ataque madrileno.

O processo não foi linear. Nas primeiras semanas, Simeone testou o compatriota em diferentes posições no setor ofensivo, ora como centroavante fixo, ora recuando para participar da construção de jogo. Aos poucos, o técnico encontrou o ponto de equilíbrio: Álvarez atuando como pivô de área que também desmarca pela profundidade, liberando Antoine Griezmann para operar entre as linhas com mais liberdade criativa.

Os números que sustentam a liderança na Champions

Com 9 gols na Champions League 2025/26, Álvarez supera qualquer artilheiro que o Atlético de Madrid teve na competição em temporadas recentes. Para efeito de comparação, Diego Costa, em sua melhor campanha pelo clube, marcou 8 gols na edição de 2013/14, quando os colchoneros chegaram à final. A dupla formada com Griezmann tem funcionado como engrenagem central do ataque: enquanto o francês contabiliza participações em gols com passes e assistências, Álvarez concentra as finalizações decisivas dentro da área.

Da adaptação ao protagonismo em Madri Como Julián Álvarez virou o artilheiro d
Da adaptação ao protagonismo em Madri Como Julián Álvarez virou o artilheiro d

Contra o Barcelona nas quartas de final — série que o Atlético venceu para avançar à semifinal — Álvarez foi determinante, pressionando a saída de bola catalã e aproveitando os espaços gerados pelo estilo ofensivo do rival. O conjunto desses dados, conforme levantamento do SportNavo, coloca o argentino entre os três atacantes mais efetivos desta edição da Champions no quesito gols por chances criadas.

"Julián entende o que o Simeone quer. Ele trabalha para o time, marca, pressiona e ainda decide. Esse equilíbrio é raro", afirmou um membro da comissão técnica colchonera, em declarações reproduzidas pela imprensa espanhola após a eliminação do Barcelona.

A lógica tática de Simeone por trás do aproveitamento de Álvarez

Diego Simeone construiu ao longo de 13 anos no Atlético de Madrid uma filosofia reconhecível: blocos defensivos sólidos, transições rápidas e aproveitamento máximo das oportunidades criadas. Julián Álvarez encarna essa lógica com precisão técnica acima da média. Diferentemente de um finalizador tradicional que espera o cruzamento ou o passe filtrado, o argentino participa ativamente das trocas de passes no terço médio, acelerando as transições que o modelo de Simeone demanda.

Os números que sustentam a liderança na Champions Como Julián Álvarez virou o ar
Os números que sustentam a liderança na Champions Como Julián Álvarez virou o ar

O esquema com Griezmann como segundo atacante-criador tem sido especialmente eficiente. O francês, que recuou de posição ao longo dos últimos anos, atua como articulador entre o meio-campo e a área, enquanto Álvarez ocupa os zagueiros adversários. A movimentação complementar dos dois reduziu o isolamento que costumava afetar os centroavantes do Atlético em edições anteriores da competição.

"Griezmann e Álvarez se entendem sem precisar falar. Eles têm intuição ofensiva parecida", disse Simeone em entrevista coletiva antes da semifinal, ao ser questionado sobre a dupla de ataque para o duelo com o Arsenal.

Arsenal no caminho e o que esperar do confronto

O Arsenal de Mikel Arteta chega ao Metropolitano em momento irregular na Premier League, mas com Viktor Gyökeres em plena forma — o sueco acumula 18 gols na temporada e deve ser o principal adversário do sistema defensivo de Simeone. Do lado londrino, o retorno de Bukayo Saka aumenta a imprevisibilidade ofensiva dos Gunners. O zagueiro José Giménez, desfalque confirmado por lesão muscular, enfraquece a defesa colchonera justamente quando ela mais precisará de consistência.

A análise do SportNavo indica que o equilíbrio tático entre as equipes deve colocar Álvarez sob marcação intensa desde o início, o que pode abrir espaço para Griezmann aparecer com mais frequência como finalizador. O jogo de volta está marcado para ser disputado em Londres, o que torna o resultado desta quarta-feira no Metropolitano ainda mais estratégico para os dois lados. O Atlético precisa de pelo menos uma vitória em casa para chegar à segunda partida com vantagem — e, para isso, as botas do argentino terão de falar mais uma vez.