Domingo, 14 de junho de 2026. Às 17h de Brasília, o Estádio de Dallas recebe o confronto que abre o Grupo F da Copa do Mundo entre Holanda e Japão — e o nome que domina as últimas 72 horas de preparação holandesa não é o de nenhum titular confirmado, mas justamente o de quem pode começar no banco: Memphis Depay, ainda monitorado pela comissão técnica de Ronald Koeman após se recuperar de lesão muscular.

O diagnóstico de uma Holanda que ainda não convenceu

A preparação da Laranja Mecânica para este Mundial produziu dois resultados que funcionam como termômetros de humor coletivo: uma derrota para a Argélia e uma vitória sofrida sobre o Uzbequistão. São sinais que, isolados, não condenam ninguém — mas, juntos, apontam para uma equipe que ainda não encontrou o automatismo necessário para transformar qualidade individual em rendimento coletivo consistente. A ausência de Jurrien Timber, cortado por lesão antes do início da competição, privou Koeman de um jogador capaz de circular tanto na linha defensiva quanto no meio-campo, o que amplia a pressão sobre Frenkie de Jong e Ryan Gravenberch para equilibrar construção e marcação.

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Seria exagero chamar de crise o momento holandês — mas é uma instabilidade em escala de Copa do Mundo, e isso tem peso diferente. Com Virgil van Dijk como âncora defensiva e Cody Gakpo apontado como principal ameaça pelo corredor esquerdo, o esquema de Koeman depende de largura e velocidade de transição. O problema surge quando o adversário comprime os espaços, fecha os corredores e exige criatividade entre as linhas — exatamente o que o Japão de Moriyasu faz com disciplina quase monástica.

"Queremos controlar o jogo com a bola. Se não tivermos Memphis desde o início, os outros precisam assumir mais responsabilidade", disse Koeman em entrevista coletiva nos dias que antecederam a estreia.

A muralha de Moriyasu e onde ela tem rachaduras

O Japão que chega a Dallas não é o mesmo da Copa de 2018, quando caiu nas oitavas para a Bélgica após liderar por 2 a 0. Hajime Moriyasu construiu ao longo de dois ciclos mundialistas uma equipe com identidade tática reconhecível: bloco médio-baixo em fase defensiva, transições rápidas pelos flancos e capacidade de explorar os espaços deixados por adversários que avançam em busca do gol. A seleção japonesa foi a primeira a garantir vaga para este Mundial, e registrou vitórias sobre Brasil e Alemanha nos amistosos de preparação — resultados que, embora em contexto de pré-temporada, revelam uma equipe tecnicamente madura.

A baixa de Wataru Endo, capitão e volante titular que foi cortado por lesão e posteriormente anunciou sua aposentadoria da seleção nacional, representa o maior fator de desequilíbrio na estrutura japonesa. Endo era o filtro de marcação que permitia a Daichi Kamada e Ritsu Doan avançar com mais liberdade. Sem ele, a responsabilidade de proteger a linha de quatro defensores recai sobre Sano, jogador com menos experiência internacional. Esse vácuo no centro do campo é, provavelmente, o ponto onde Koeman vai mirar seus testes nos primeiros 15 minutos da partida.

O histórico japonês contra seleções europeias também oferece um dado relevante: apesar da solidez defensiva, o Japão sofreu gols em jogos contra equipes do continente, especialmente quando pressionado por times que utilizam bolas cruzadas na área e movimentação de segundos atacantes. Dumfries pelo lado direito e Summerville pelo esquerdo têm perfil para explorar exatamente essa característica.

"Sabemos que a Holanda tem jogadores de alto nível. Mas nossa organização é nossa maior força", afirmou Moriyasu, segundo a cobertura da imprensa japonesa nos treinos realizados em Dallas.

O tabuleiro tático de Koeman sem Memphis no onze

Se Memphis Depay não iniciar entre os titulares, Koeman terá ao menos duas alternativas para reorganizar o ataque. A primeira, e mais provável, é manter Malen como referência central e deslocar Gakpo para uma posição mais interior, criando um falso centroavante que dificulta a marcação dos zagueiros japoneses Taniguchi e Hiroki Ito. A segunda passa por escalar Summerville com liberdade total pelo lado esquerdo e exigir de Tijjani Reijnders uma participação mais ofensiva a partir do meio-campo — algo que o meia do Milan demonstrou capacidade de fazer na temporada 2025/2026 da Serie A.

O ponto central do xadrez tático está no corredor direito: Dumfries, quando projetado com frequência, cria superioridade numérica na ala e força o Japão a tomar uma decisão — ou envolve um dos médios japoneses para cobrir, abrindo espaço no centro, ou aceita o cruzamento, confiando em Taniguchi e Ito para vencer o duelo aéreo contra Gakpo e Malen. Nos amistosos recentes, a Holanda demonstrou dificuldade em variar essa construção quando o adversário antecipou o movimento — o que a Argélia fez com eficiência para neutralizar e depois vencer a Laranja Mecânica.

Takefusa Kubo e Junya Ito, pelos flancos japoneses, representam o perigo inverso: se a Holanda perder a bola em campo avançado, a velocidade desses dois atacantes pode expor Micky van de Ven e Van Dijk em transições de alta intensidade. Van de Ven, revelado pelo Tottenham na Premier League, tem velocidade para cobrir espaços, mas sua leitura posicional em situações de dois contra um ainda é testada com frequência.

O que está em jogo além dos três pontos de Dallas

Uma derrota holandesa na estreia não seria apenas um tropeço estatístico — seria o terceiro sinal de alarme consecutivo após a derrota para a Argélia e a vitória sem brilho sobre o Uzbequistão, e colocaria Koeman em posição delicada diante de uma seleção que espera há décadas conquistar o único título que falta ao futebol holandês. A Holanda foi vice-campeã em 2010, perdendo a final para a Espanha, e terminou em terceiro lugar em 2014, no Brasil. A pressão histórica é real e mensurável.

O diagnóstico de uma Holanda que ainda não convenceu Como Koeman planeja furar a
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Para o Japão, uma vitória sobre a Holanda seria o resultado de maior repercussão desde a eliminação da Alemanha na fase de grupos da Copa do Catar, em 2022. Moriyasu sabe disso e provavelmente escalará um time compacto nos primeiros 30 minutos, esperando o erro holandês para acionar Kubo ou Junya Ito em velocidade. O segundo jogo do Grupo F, entre as outras duas seleções da chave, vai definir o contexto em que Holanda e Japão chegarão à segunda rodada — mas quem vencer hoje em Dallas já parte com sete pontos de vantagem na corrida pelas oitavas. A Holanda volta a campo pela segunda rodada do Grupo F no próximo sábado, 20 de junho; o Japão enfrenta seu segundo adversário no mesmo dia.