A Xfinity Mobile Arena estava cheia de camisas laranjas e azuis na noite de quinta-feira — visitantes, não anfitriões. Mesmo jogando em casa, os 76ers assistiram ao ginásio ser dominado pela torcida adversária, um fenômeno que se repete desde os playoffs de 2023-24, quando Nova York eliminou Philadelphia em seis jogos na primeira rodada. No centro do palco, um nome que poucos esperavam: Miles McBride, 24 anos, que substituiu OG Anunoby no quinteto titular e transformou a dinâmica defensiva dos Knicks contra Joel Embiid.
McBride marca Embiid e muda a estrutura defensiva dos Knicks
A lesão de Anunoby na coxa, confirmada no Jogo 2, forçou o técnico Tom Thibodeau a uma decisão arriscada: escalar um quinteto mais baixo, apostando em velocidade e intensidade defensiva onde normalmente haveria envergadura. McBride, que mede 1,88m, foi designado para seguir Embiid nas situações de pick-and-roll e nas saídas de bola pelo poste. O resultado foi um pivô frustrado: 22 pontos em 37% de aproveitamento — números abaixo da média de Embiid nos playoffs, que girava em torno de 28 pontos com aproveitamento próximo de 45%.
A lógica defensiva dos Knicks não se resumiu a McBride isolado. Mitchell Robinson e Mikal Bridges dobravam constantemente a marcação quando Embiid recebia na garrafinha, forçando o camisa 11 a tomar decisões rápidas em posições desconfortáveis. O placar final de 108 a 94 é também consequência direta dessa arquitetura coletiva — mas o protagonismo de McBride como iniciador dessa pressão foi o elemento novo e determinante do Jogo 3.
Paul George explode no primeiro quarto, mas os rebotes ofensivos viram o jogo
Durante os primeiros doze minutos, a narrativa parecia caminhar para outro lado. Paul George anotou 15 pontos no primeiro quarto, com três bolas de três pontos, e os 76ers abriram vantagem com uma eficiência que lembrava sua melhor fase com o Indiana Pacers. Os Knicks erravam de fora e pareciam desorganizados sem Anunoby na rotação de ataque. … mas aí vieram os rebotes ofensivos.
No segundo período, Robinson dominou o garrafão e New York converteu posses de segunda chance em sequência. Bridges, que tem sido o coadjuvante mais consistente dos Knicks nestes playoffs, somou pontos importantes nessa virada, e a diferença ultrapassou dez pontos antes do intervalo. Kelly Oubre Jr. diminuiu para oito com cinco pontos consecutivos, mantendo os 76ers com esperança, mas o ímpeto já havia mudado de lado.
Brunson fecha o jogo e New York chega a um feito histórico
No terceiro quarto, Philadelphia tentou uma reação equilibrando os rebotes e explorando os erros de passe dos visitantes, chegando a quatro pontos de diferença. Foi quando Jalen Brunson assumiu o controle — como tem feito consistentemente nesta pós-temporada — e voltou a agredir a defesa dos 76ers para reestabelecer a vantagem. Brunson terminou o jogo como principal pontuador dos Knicks, consolidando sua posição de líder ofensivo numa série em que a equipe somou 3-0 pela primeira vez na história da franquia em semifinais de conferência.
Os arremessos de três pontos de Landry Shamet e do próprio Brunson no quarto período levaram a diferença para 16 pontos a três minutos do fim. O pedido de tempo de Nick Nurse não mudou o cenário: 108 a 94, e a torcida visitante comemorando nas arquibancadas de Filadélfia. O SportNavo acompanhou os dados de audiência da série, que registrou crescimento de 18% no streaming em comparação ao mesmo estágio dos playoffs de 2024-25, impulsionado pelo histórico de rivalidade entre as cidades e pela narrativa de Brunson como novo ícone do Madison Square Garden.

O Jogo 4 será disputado em Filadélfia, com os 76ers precisando vencer para evitar a eliminação. É o mesmo cenário que os próprios Knicks viveram em 2013, quando caíram para o Indiana Pacers em seis jogos após abrir vantagem — só que agora a aposta é diferente: desta vez, são eles quem fecham o adversário.












