Caiu. O placar de 4 a 1 para a Argentina nas Eliminatórias da Copa do Mundo não foi apenas uma derrota numérica — foi o colapso de um ciclo inteiro. A série documental 'Vai, Brasil', disponível no Globoplay a partir desta segunda-feira (1º/6), usa exatamente esse momento como ponto de partida para narrar a reconstrução da Seleção Brasileira, da demissão de Dorival Júnior à chegada de Carlo Ancelotti e à convocação dos 26 para o Mundial nos Estados Unidos.
O vestiário que ninguém queria ver sorrindo após a goleada
A produção, dirigida por Bruno Maia em parceria entre CBF e Feel The Match, não poupa o espectador da tensão pós-Argentina. João Pedro, atacante do Chelsea que perdeu a vaga na convocação final para Neymar, é um dos personagens centrais do primeiro episódio e entrega um dos trechos mais reveladores do documentário.
"Depois do jogo contra a Argentina, a gente fez a roda e foi a hora de levar a roupa suja. Todo mundo entendeu que poderia fazer melhor", disse João Pedro na série.
Raphinha, que acumula papel de liderança no elenco, reforçou a leitura de que o ambiente hostil no vestiário era preferível à indiferença. Suas palavras sintetizam o estado de espírito do grupo naquele momento crítico das Eliminatórias.
"Eu ficaria surpreso se chegasse no vestiário e estivesse todo mundo de risadinha, brincadeirinha, tranquilo. Eu prefiro o clima hostil, de muita cobrança, que teve no vestiário, do que outro clima. O Brasil não está morto, nunca esteve", afirmou o atacante do Barcelona.
A derrota por 4 a 1 funcionou como o gatilho que acelerou a saída de Dorival Júnior e abriu espaço para uma mudança de rota que a CBF já avaliava. O coordenador-geral das seleções masculinas, Rodrigo Caetano, tem presença marcante ao longo dos três episódios e é um dos responsáveis por contextualizar as decisões institucionais que viabilizaram a chegada do técnico italiano.
Ancelotti e a filosofia que virou piada — e depois virou método
A chegada de Carlo Ancelotti é tratada no documentário como divisor de águas. No primeiro contato com o elenco, Bruno Guimarães relatou que os jogadores expuseram ao novo comandante a principal angústia do momento: a quantidade de gols que a Seleção vinha sofrendo. A resposta de Ancelotti virou referência interna no grupo.
"Não esqueça que sou italiano", respondeu o treinador, em alusão direta à tradição defensiva do futebol da Itália.
A frase, registrada no primeiro episódio da série, resume a mudança de prioridades que Ancelotti impôs ao trabalho. No segundo episódio, focado nos amistosos após a classificação para a Copa, Rodrygo detalha métodos que chamou de mais humanos — entre eles, um treinamento de pênaltis no qual os batedores percorrem a distância do meio-campo até a marca da cal, reproduzindo a pressão psicológica de uma cobrança em jogo oficial. O exercício simula o tempo de caminhada, a exposição ao estádio e o isolamento do batedor antes do chute.
A série também ilumina personagens menos visíveis da estrutura técnica, como os auxiliares Paul Clement e Francesco Mauri, italianos de confiança de Ancelotti que trouxeram uma metodologia nova de organização defensiva e de análise de desempenho. Em matéria do SportNavo publicada anteriormente, já havia sido apontado o papel de Clement na transição tática do bloco médio para o bloco baixo em situações de pressão adversária.
A logística da última viagem antes da estreia no MetLife Stadium
Enquanto o documentário narra o passado recente, a delegação brasileira embarcou nesta segunda-feira (1º/6) do Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, no Rio de Janeiro, às 22h (horário de Brasília), rumo a Newark, em Nova Jersey. O voo fretado, num Boeing 767-300 VIP avaliado em R$ 1 bilhão e operado pela Aeronexus com identidade visual da Azul — patrocinadora oficial da Seleção —, tem 96 assentos-cama e duração estimada de dez horas.
A base de operações será em Basking Ridge, no Hotel The Ridge, a 18 quilômetros do RWJBarnabas Health Red Bulls Performance Center, complexo de treinamento do New York Red Bulls com oito campos oficiais e arena para 350 pessoas. O primeiro treino de Ancelotti em solo americano está marcado para as 16h (de Brasília) desta terça-feira (2/6). Três jogadores — os zagueiros Marquinhos e Gabriel Magalhães e o atacante Gabriel Martinelli — se juntam ao grupo diretamente nos Estados Unidos, pois disputaram a final da Liga dos Campeões no último sábado (31/5), em Budapeste.
Antes da estreia, o Brasil faz um amistoso preparatório contra o Egito no sábado (6/6), às 19h (de Brasília), no Huntington Bank Field, em Cleveland. A estreia oficial na Copa do Mundo está marcada para 13 de junho, também às 19h (de Brasília), no MetLife Stadium, em Nova Jersey, contra Marrocos — adversário diante do qual a comunidade brasileira no estado supera a marroquina em mais de oito vezes, segundo levantamento do Somos Fanáticos com dados do Instituto de Políticas de Migração. Quem tem cão caça com cão: a Seleção vai ao campo com o apoio de uma diáspora que transforma arquibancadas americanas em território verde e amarelo. O segundo jogo do Grupo C é contra o Haiti, na Pensilvânia (19/6), e o terceiro contra a Escócia, no Hard Rock Stadium, em Miami (23/6). Para acompanhar a série documental e a preparação final, vale ligar o Globoplay e reservar o sábado (6/6) para o amistoso contra o Egito — o último ensaio antes do Mundial de verdade começar.










