Se o Grupo C da Copa do Mundo terminasse hoje, o Brasil estaria fora da próxima fase. Um ponto em um jogo, terceira colocação atrás de Marrocos e Escócia — esse é o retrato da Seleção Brasileira após o empate de 1 a 1 na estreia. A realidade muda com uma vitória na sexta-feira (19/6), às 21h30 (horário de Brasília), no Lincoln Financial Field, em Filadélfia. Mas o Haiti não é o adversário que o otimismo torcedor costuma enxergar nas vésperas.
Brasil em terceiro lugar e a aritmética que incomoda
O empate diante de Marrocos colocou o Brasil na terceira posição do Grupo C, com apenas um ponto. Marrocos e Escócia dividem a liderança com um ponto cada após resultados distintos na rodada de abertura. Para a Neymar-less Seleção avançar com tranquilidade, uma vitória contra o Haiti nesta sexta não é desejável — é matemática obrigatória. Uma derrota ou um novo empate abriria um cenário de eliminação antecipada inédito para o Brasil em Copas do Mundo desde 2022, quando também saiu nas quartas de final.
O diretor de futebol do Flamengo, José Boto, relativizou o resultado contra os africanos em declarações ao jornal espanhol Diário Ás nesta terça-feira (16/6):
"Gostei muito da seleção de Marrocos, por isso não me surpreende, e tampouco me surpreende que o Brasil tenha empatado. Não acho que seja um mal resultado, acho que é um bom resultado inclusive para o Brasil. É uma seleção realmente muito boa, bem organizada taticamente e com jogadores muito fortes tecnicamente e muito rápidos."A análise de Boto é razoável do ponto de vista técnico, mas a tabela não aceita filosofia — aceita pontos.
O que o Haiti mostrou contra a Escócia e por que isso preocupa
O lateral-esquerdo Douglas Santos, titular na estreia e um dos jogadores mais experientes do elenco atual — são sete temporadas consecutivas no Zenit, da Rússia —, foi o mais honesto na coletiva desta terça-feira ao falar sobre o próximo adversário. Sua leitura de jogo não deixou espaço para subestimação:
"Estamos falando de uma seleção muito forte fisicamente, com uma intensidade que pudemos ver no jogo que eles fizeram contra a Escócia, e que tem se mostrado uma seleção muito qualificada. Será um jogo muito difícil, no qual o primeiro pensamento é vencer, porque não podemos ter a soberba de falar que vamos golear."
A palavra "soberba" não aparece por acaso no vocabulário de Douglas Santos. O Haiti apresentou intensidade física acima da média contra a Escócia, pressionando nas transições e usando a força corporal para disputar divididas. Para uma Seleção Brasileira que teve dificuldades com a marcação organizada de Marrocos — seria injusto chamar de crise tática em um único jogo, mas é uma crise em escala de rodada —, um adversário que aposta no físico pode criar os mesmos problemas por caminhos diferentes.

Paquetá abaixo do esperado e quem sai perdendo com o empate
Ainda nas declarações ao Diário Ás, José Boto avaliou individualmente dois jogadores do Flamengo que estiveram em campo contra Marrocos. Lucas Paquetá, titular na primeira etapa, foi apontado como abaixo do esperado:
"Acho que o Paquetá, assim como quase toda a Seleção Brasileira, teve uma atuação um pouco abaixo do esperado."Danilo, que entrou no intervalo, recebeu avaliação positiva por ter controlado o flanco esquerdo marroquino, que era o corredor mais perigoso da partida.
A atuação coletiva abaixo do esperado cria um efeito cascata direto: o técnico precisa tomar decisões de escalação para o jogo contra o Haiti sem ter certeza de qual é o seu melhor time. Paquetá entra ou sai? Danilo começa? Essas perguntas, que deveriam estar respondidas desde os amistosos preparatórios, chegam a 72 horas de um jogo que o Brasil não pode perder.
Neymar, a ausência que pesa mais conforme o torneio avança
A lesão na panturrilha de Neymar segue sem prazo de retorno definido. Douglas Santos foi cuidadoso ao falar sobre o camisa 10, mas o afeto transpareceu na resposta:
"Nossa expectativa é que esteja 100%, estamos orando. Se ele estiver 100%, é um cara que vai nos ajudar bastante. É um ídolo para mim e todos os jogadores que aqui estão. Viram ele fazendo história pelo clube e pela Seleção. Esperamos que ele esteja pronto o mais rápido possível."
A ausência de Neymar pesa de maneiras diferentes dependendo do adversário. Contra Marrocos, a falta de um jogador capaz de criar em espaços reduzidos ficou evidente nos momentos de pressão defensiva adversária. Contra o Haiti, que aposta no físico e na intensidade, a criatividade técnica seria o antídoto mais eficiente. Sem o camisa 10, a Seleção depende de Raphinha, Vinicius Jr. e Rodrygo produzirem coletivamente o que Neymar faria individualmente em determinadas situações.
Em matéria do SportNavo publicada após a estreia, o desempenho apagado de Raphinha no setor ofensivo já aparecia como ponto de atenção para o jogo seguinte. O atacante do Barcelona desperdiçou chances e foi alvo de críticas nas redes sociais antes mesmo do apito final — o que aumenta a pressão sobre ele para a partida desta sexta.
O Brasil joga na sexta-feira (19/6), às 21h30, no Lincoln Financial Field, em Filadélfia, precisando de três pontos para retomar o controle do Grupo C. Uma vitória coloca a Seleção em segundo lugar e abre caminho para a classificação já na terceira rodada, contra a Escócia. É o mesmo cenário que a Argentina viveu na Copa de 2022 — derrotada na estreia pela Arábia Saudita, obrigada a vencer a Polônia para não depender de outros resultados — só que agora a aposta é diferente: o Brasil não tem Messi para virar o jogo sozinho nos momentos de sufoco.










