Terça-feira, 19 de maio de 2026. Enquanto o sol nasceu sobre Vila Velha, no Espírito Santo, o corpo de Geovani Faria da Silva chegou à Igreja de Moby Dick às 8h para o velório. O Pequeno Príncipe, que morreu na madrugada de segunda após uma parada cardíaca, está sendo velado na cidade onde viveu até seus últimos dias — longe dos holofotes do Rio de Janeiro, perto de quem ele escolheu ter por perto.

A programação que a família de Geovani confirmou hora a hora

A agenda foi divulgada pelo próprio perfil do ex-jogador no Instagram. O culto de passamento está marcado para as 10h desta terça, na mesma Igreja de Moby Dick, em Vila Velha. O sepultamento acontece às 16h no Cemitério Parque da Paz, localizado em Ponta da Fruta, também no município capixaba. A família confirmou as informações por nota oficial e pediu, explicitamente, privacidade durante todo o processo.

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Na mesma nota, os familiares descreveram o que aconteceu na madrugada de segunda: Geovani passou mal de forma repentina e foi levado ao hospital pelos próprios filhos. A equipe médica tentou a reanimação, mas ele não resistiu. "Estamos todos profundamente consternados com essa perda inesperada", escreveu a família no comunicado publicado nas redes sociais do ex-atleta.

O pedido de privacidade tem peso logístico real. Vasco da Gama, ex-companheiros de seleção e torcedores de todo o Brasil foram às redes na segunda-feira prestar homenagem — o que gerou uma mobilização enorme. Conter esse fluxo de afeto num velório íntimo no Espírito Santo exige coordenação, e a família optou por manter a cerimônia restrita.

A reação dos ex-companheiros e o que o Vasco fez nas primeiras horas

Carlos Germano, ex-goleiro que dividiu o elenco vascaíno com Geovani nos títulos do Bicampeonato Carioca de 1992 e 1993, foi um dos primeiros a se manifestar em vídeo. A emoção foi visível.

"Uma das maiores referências para mim dentro do futebol. Fico muito triste, apesar da gente já saber da luta que o nosso querido Geovani estava tendo diariamente para poder estar com a gente aqui. O nosso Pequeno Príncipe da Colina vai continuar com a gente sempre", disse o goleiro.

Romário, Renato Gaúcho e Pedrinho também publicaram homenagens. Romário relembrou a importância de Geovani como companheiro de seleção — os dois estiveram juntos na equipe que conquistou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988. O próprio Vasco publicou nota oficial no X às primeiras horas de segunda.

"Com o mais profundo pesar recebemos a notícia do falecimento do nosso ídolo Geovani Faria da Silva, nesta segunda-feira, aos 62 anos. Geovani não só marcou uma geração inteira de vascaínos, como também era símbolo de genialidade no gramado e marcou o legado da Camisa 8 do Vasco da Gama. Descanse em paz, eterno ídolo", publicou o clube no perfil oficial.

A nota do Vasco gerou dezenas de milhares de interações em poucas horas — o engajamento no post ultrapassou rapidamente outros comunicados recentes do clube, reflexo direto do tamanho afetivo que Geovani ocupa na memória cruzmaltina. O SportNavo acompanhou o movimento nas redes e o volume de buscas pelo nome do ex-meia disparou entre 6h e 9h desta terça, concentrando-se especialmente no Espírito Santo e no Rio de Janeiro.

Carlos Germano e Geovani se reencontraram no Vasco após uma primeira separação: o goleiro subiu ao time principal em 1990, justamente quando Geovani encerrava sua primeira passagem pelo clube. Os dois voltaram a dividir o elenco nas campanhas que culminaram nos títulos estaduais de 1992 e 1993 — base afetiva que explica a emoção no vídeo de segunda.

A programação que a família de Geovani confirmou hora a hora Como o Vasco e a fa
A programação que a família de Geovani confirmou hora a hora Como o Vasco e a fa

Quem foi o homem que Vila Velha despede hoje

Quantos jogadores brasileiros conseguiram ser ídolos de clube, campeões continentais e referências regionais ao mesmo tempo?

Geovani nasceu no Espírito Santo, foi formado pela Desportiva Ferroviária e chegou ao Vasco no início dos anos 1980. Foram três passagens pelo clube carioca, com 408 partidas disputadas e 50 gols marcados — números que o colocam entre os maiores camisa 8 da história da equipe. Ganhou cinco títulos estaduais com a cruz-maltina: 1982, 1987, 1988, 1992 e 1993.

Com a seleção brasileira, integrou o elenco campeão da Copa América de 1989 e foi capitão da equipe olímpica que levou a prata em Seul, em 1988, ao lado de Bebeto e Romário. No exterior, passou por Bologna (Itália), Karlsruher (Alemanha) e Tigres (México). Encerrou a carreira em 2002, pelo Vilavelhense, voltando às origens capixabas.

Nos últimos anos, Geovani enfrentava problemas cardíacos sérios. Em 2025, chegou a ser internado em estado grave em Vitória após sofrer paradas cardiorrespiratórias, com passagem pela UTI. A família sabia da fragilidade do quadro — o que Carlos Germano citou diretamente no vídeo de homenagem, ao mencionar "a luta diária" do ex-meia para continuar presente.

O sepultamento está confirmado para as 16h desta terça no Cemitério Parque da Paz, em Ponta da Fruta, Vila Velha. A despedida do Pequeno Príncipe acontece onde ele escolheu viver — no Espírito Santo que o revelou para o Brasil.