"Fico feliz por eliminar o time de maior investimento da América do Sul." A frase é de Jair Ventura, técnico do Flamengo... não, do Vitória — e esse detalhe diz tudo sobre a noite desta quarta-feira no Barradão.
O Flamengo que parecia imbatível encontrou um Vitória diferente
A leitura dominante antes da partida era simples: o Flamengo, com sete jogadores na pré-lista da Copa do Mundo, entrava como favorito absoluto. Havia vencido o jogo de ida por 2 a 1 no Maracanã e carregava a vantagem do placar. Bastava segurar o resultado.
O Vitória precisava de dois gols sem tomar nenhum — uma equação que, no papel, parecia improvável contra o clube que mais investe no futebol sul-americano. O contexto histórico também pesava: o Leão havia sido goleado por 8 a 0 pelo Flamengo no Brasileirão do ano passado, uma das maiores humilhações recentes do futebol baiano.
Mas o campo contou uma história diferente. Erick e Luanderson balançaram as redes, o Barradão explodiu, e o Vitória se classificou às oitavas de final da Copa do Brasil com uma das melhores atuações do ano.
A polêmica de arbitragem que virou munição para o Leão
A contra-leitura começa no jogo de ida. A partida no Maracanã foi marcada por controvérsias sérias: Luiz Araújo, Arrascaeta e Saúl se envolveram em lances que, segundo o clube baiano, deveriam ter resultado em expulsão. O Vitória formalizou denúncia pelos erros do árbitro Anderson Daronco — um movimento raro que sinalizou o nível de insatisfação do clube.
Jair Ventura, em vez de deixar a polêmica corroer o grupo, usou o episódio como aglutinante.
"Aquilo nos uniu, a torcida nos abraçou. A gente ficou mais forte", revelou o técnico em coletiva após a classificação.
Vinte dias separaram os dois jogos. Tempo suficiente para o Vitória construir uma narrativa interna de revanche — não apenas pelo jogo de ida, mas pela goleada de 8 a 0 no Brasileirão de 2025. O Barradão entrou em campo com memória e motivação ao mesmo tempo.
O movimento coletivo do Vitória no segundo tempo lembrou uma maré que sobe devagar e sem aviso — pressão constante, sem trovão, até cobrir tudo. Sem espaço para o Flamengo respirar ou reorganizar as linhas, os gols vieram em sequência e o placar agregado ficou em 3 a 2 para o Leão.
A síntese que o Jair Ventura entregou no vestiário
A classificação não foi sorte nem zebra isolada. Jair Ventura tem histórico contra o Flamengo na Copa do Brasil: esta foi a terceira vez que sua comissão técnica enfrentou o clube carioca na competição, e a segunda em que avançou. Dado que, segundo apuração do SportNavo, poucos analistas levaram em conta nas prognoses pré-jogo.
"No vestiário falei com eles sobre energia. São quase oito meses e eu nunca vi um vestiário como hoje", disse o treinador, visivelmente emocionado após o apito final.
O técnico ainda contextualizou a grandeza do adversário sem diminuir o próprio feito:
"É chover no molhado elogiar o Flamengo. São sete jogadores na pré-lista, deve ser o time que mais cede jogadores para a Copa do Mundo. É mais que normal que eles fossem o favorito, mas hoje provamos que é possível vencer."
A eliminação do Flamengo nas oitavas de final repercutiu forte nas redes sociais. O termo "Vitória" entrou nos trending topics do X (antigo Twitter) ainda durante o segundo tempo, com picos de engajamento superando 150 mil menções nas primeiras duas horas após o apito final. Vídeos dos gols de Erick e Luanderson acumularam mais de 3 milhões de visualizações combinadas no Instagram e TikTok até a madrugada.
O Vitória agora aguarda o sorteio das oitavas de final da Copa do Brasil, previsto para os próximos dias pela CBF. O Flamengo, eliminado, volta as atenções ao Brasileirão 2026, onde precisa recuperar terreno na tabela. A pergunta que fica para a sequência da competição: o Vitória tem estrutura técnica para ir além das oitavas, ou a eliminação do Flamengo foi o pico da campanha do Leão na Copa do Brasil?










