O gramado do centro de treinamentos em Kansas City ainda estava molhado da manhã quando dois jogadores que a Argentina temia perder entraram em campo junto com o restante do grupo. Sem limitações. Sem colete de recuperação. Cristian Romero e Julián Álvarez estavam ali, de volta, como se as últimas semanas de dor e fisioterapia intensiva tivessem sido apenas um pesadelo que, por fim, dissipou.
Quase dois meses de incerteza para Romero
A conta foi longa. No dia 12 de abril, durante a partida do Tottenham contra o Sunderland pela Premier League 2025/2026, Romero foi ao chão com uma lesão no ligamento colateral lateral do joelho direito. Quase dois meses afastado. O zagueiro de 26 anos entrou num protocolo de recuperação intensiva que consumiu cada semana que antecedia a Copa — e que colocou em xeque sua presença no torneio que a Argentina defende como campeã mundial.
A situação de Álvarez era diferente em origem, mas igualmente delicada. O atacante do Atlético de Madrid sofreu uma entorse no tornozelo esquerdo no jogo de ida da semifinal da Champions League 2025/2026 contra o Arsenal, disputado em Madri no dia 29 de abril. Ele voltou a campo na partida de volta — à base de injeções para dor, segundo relato do ge — e não entrou mais em campo depois da eliminação do Colchonero. Duas lesões, dois jogadores titulares, um mesmo cenário de apreensão na comissão técnica argentina.
O retorno que Kansas City assistiu na segunda-feira
A notícia chegou no primeiro treino com todos os 26 convocados reunidos. Ambos participaram normalmente da sessão desta segunda-feira, 1º de junho, em Kansas City, onde a seleção argentina montou sua base de preparação para o Mundial. A Associação do Futebol Argentino foi direta no comunicado oficial:
"Os jogadores Cristian Romero e Julián Álvarez treinaram normalmente com o resto da equipe durante a sessão de treinos de segunda-feira e estão à disposição da comissão técnica a partir de agora", informou a AFA em nota, conforme publicado pelo jornal Olé.
A frase tem peso específico. "A partir de agora" significa que Scaloni já pode contar com os dois nos amistosos preparatórios marcados para esta semana: Argentina x Honduras, no sábado, 6 de junho, às 21h (horário de Brasília), e Argentina x Islândia, na terça-feira, 9 de junho, às 21h30. Ambos os jogos servem como janela para reintegrar os dois jogadores ao ritmo de jogo antes da estreia no Mundial.
O que a Argentina perderia sem esses dois
Pensar na Argentina sem Romero é como tirar o contrabaixo de uma banda de rock clássico — você ainda ouve a música, mas sente que algo estrutural foi embora. O zagueiro é o perfil agressivo, de marcação alta e saída de bola vertical que Scaloni construiu em torno da defesa campeã do mundo no Qatar. Sem ele, as opções recuam em intensidade e leitura de jogo.
Álvarez, por sua vez, é o atacante mais versátil da Argentina. Aos 24 anos, ele combina mobilidade, pressing e capacidade de finalização de uma forma que nenhum outro nome da convocação replica com a mesma eficiência. Seu papel de segundo atacante — às vezes caindo para o meio, às vezes abrindo espaço para Messi — é insubstituível nos planos táticos de Scaloni, conforme apurado em matéria do SportNavo.
A estreia no Grupo J e os rivais que esperam
A Argentina faz sua estreia na Copa do Mundo de 2026 no dia 16 de junho, contra a Argélia, pelo Grupo J. Na sequência, a atual campeã enfrenta a Áustria no dia 22 e a Jordânia no dia 27. Com Romero e Álvarez disponíveis desde já, a expectativa é que ambos ganhem ritmo nos dois amistosos desta semana e cheguem ao duelo inaugural com minutos suficientes nas pernas.
O Kansas City que recebeu esse treino histórico na segunda-feira não sabe ainda qual será o nível de Romero após 50 dias parado, nem se Álvarez carregará qualquer resquício de dor no tornozelo. Mas sabe que os dois estavam em campo — sem limitações, sem coletes, sem restrições. E, para a Argentina que quer ser bicampeã, isso já muda tudo. A pergunta que fica é: Scaloni vai arriscar colocar os dois juntos desde o início contra Honduras no sábado, ou vai administrar os minutos para não comprometer a estreia contra a Argélia no dia 16?










