Confesso: eu errei ao minimizar a dependência do Palmeiras de Vitor Roque como referência ofensiva. Achei que o elenco alviverde tinha profundidade suficiente para absorver uma ausência pontual. Hoje, com Felipe Anderson e Sosa também fora, o quadro me prova o contrário — e os números da 16ª rodada do Brasileirão 2026 são a evidência mais clara disso.
O que Abel diz e o que os dados revelam sobre o ataque
Maurício substituiu Sosa contra o Cruzeiro no último sábado, mas o técnico foi cirúrgico ao explicar a diferença de perfil: enquanto o paraguaio atacava a profundidade, o camisa 18 é um construtor — o que obriga Flaco López a se fixar mais na área, reduzindo a mobilidade do ataque palmeirense. O próprio Abel Ferreira resumiu o dilema com Paulinho:
"Paulinho não está 100%. Quando entra, ficamos com água na boca", disse o treinador após o empate em 1 a 1 com o Cruzeiro.
A frase é reveladora. Abel reconhece que Paulinho é um dos melhores jogadores do futebol brasileiro — e ao mesmo tempo admite que o atacante não pode ser titular. Nos 20 minutos em que esteve em campo contra o Cruzeiro, o camisa 10 acertou 12 passes, fez um drible e teve uma finalização. Números que incomodam justamente porque mostram o que o Palmeiras perde ao não tê-lo disponível por 90 minutos.
As opções reais de Abel Ferreira até a pausa da Copa do Mundo
O inventário ofensivo disponível — Flaco López, Maurício, Allan, Luighi, Arias e Riquelme Fillipi — não é fraco em termos individuais, mas é heterogêneo em características. Arias, que poderia atuar por dentro, deve seguir na esquerda para cobrir a lacuna deixada por Felipe Anderson, que vinha em evolução antes de se lesionar. Allan fica na direita. Isso empurra Maurício para o centro, repetindo o papel de falso 9 que Abel já utilizou no início desta temporada — uma solução conhecida, mas que o próprio treinador sabe não ser a ideal.
Luighi, 19 anos, é outra peça do quebra-cabeça — mas sua última partida pelo profissional do Palmeiras foi em outubro de 2025, na vitória por 4 a 1 sobre o Juventude. Pouco ritmo de jogo para ser solução imediata em sequências de alto nível. Na avaliação do SportNavo, o Palmeiras enfrenta aqui um problema estrutural: contratou pesado na janela de janeiro de 2026, mas não construiu cobertura real para o setor ofensivo em caso de lesões simultâneas.
"Infelizmente também me lesionei há três dias, senão podia ser mais uma opção na frente, mas me lesionei na panturrilha", disse Abel, em tom de ironia, na coletiva pós-jogo.
O calendário massacrante que agrava cada desfalque no Palmeiras
O drama no ataque não existe no vácuo — ele se potencializa por um calendário que Abel já denunciou publicamente. O clube disputou 10 partidas nos últimos 30 dias e teve dois pedidos de mudança de data negados pela CBF, incluindo o jogo contra o Bragantino e a Copa do Brasil. A comissão técnica palmeirense levantou os intervalos entre jogos de Flamengo, Fluminense, Cruzeiro, Corinthians e Mirassol no mesmo período: todos tiveram ao menos um intervalo de três dias entre partidas. O Palmeiras, não.
O agravante lateral — Piquerez passará por cirurgia no joelho e Mayke se machucou contra o Cruzeiro — deixa Abel dependente de Vanderlan, Caio Paulista, Marcos Rocha e do recém-chegado Agustín Giay, contratado junto ao San Lorenzo. São cinco posições problemáticas simultâneas — duas laterais e três funções no ataque — para um técnico que, por filosofia, usa os laterais em sobreposição constante e precisa de amplitude para que seu falso 9 funcione.
O Palmeiras volta a campo pelo Brasileirão 2026 antes da pausa para a Copa do Mundo, e cada ponto perdido neste trecho pode ser decisivo na briga pelo título com Flamengo e Botafogo. Com Sosa e Felipe Anderson sem prazo de retorno, e Paulinho previsto para atingir o ritmo ideal apenas após o Mundial, Abel não tem margem para erro tático.
Ataque vazio, calendário pesado e zero janela aberta — o Palmeiras joga agora no limite.









