O regulamento da Copa do Brasil de 2025 mantém uma estrutura que claramente favorece os grandes clubes brasileiros. Enquanto equipes menores enfrentam até quatro fases eliminatórias desde janeiro, São Paulo, Flamengo e Botafogo fazem suas estreias apenas na 5ª fase, com direito a jogar a partida de ida em casa contra adversários já desgastados pela maratona anterior.

Os números comprovam essa vantagem. Nos últimos cinco anos, clubes da Série A com entrada direta na 5ª fase apresentaram aproveitamento de 73,2% de classificação para as oitavas de final, enquanto times que disputaram todas as fases anteriores registraram apenas 41,8% de aproveitamento nesta mesma etapa, segundo levantamento do SportNavo.

Mando de campo define confrontos

O critério de distribuição dos jogos de ida intensifica ainda mais essa disparidade competitiva. São Paulo recebe o Juventude no Morumbis nesta terça-feira (21), às 19h15, enquanto Botafogo enfrenta a Chapecoense no Nilton Santos, às 17h. O Flamengo, por sua vez, aguarda o Vitória no Maracanã com ingressos a partir de R$ 30 e parcelamento em até três vezes.

Mando de campo define confrontos Copa do Brasil privilegia grandes clubes
Mando de campo define confrontos Copa do Brasil privilegia grandes clubes

A Chapecoense ilustra perfeitamente o desgaste acumulado pelas equipes menores. O time catarinense disputou quatro fases anteriores, acumulando oito jogos oficiais desde o início da competição, enquanto o Botafogo se apresenta fisicamente preservado após três dias de descanso desde a goleada por 4 a 1 aplicada sobre a própria Chape no último sábado (18).

Para Roger Machado, técnico do São Paulo, a entrada tardia na Copa do Brasil representa uma preparação mais adequada: "Chegamos no momento ideal da temporada, com o grupo entrosado e sem o desgaste das fases iniciais", declarou em entrevista coletiva recente.

Gol fora de casa como fator decisivo Copa do Brasil privilegia grandes clubes
Gol fora de casa como fator decisivo Copa do Brasil privilegia grandes clubes

Gol fora de casa como fator decisivo

O regulamento ainda mantém o critério do gol qualificado, onde empates no placar agregado favorecem a equipe que marcou mais gols como visitante. Estatisticamente, times mandantes na 5ª fase convertem essa vantagem em 68% dos casos quando o confronto se estende para a partida de volta.

O Juventude, atual 11º colocado da Série B, exemplifica o desafio enfrentado por clubes menores. A equipe gaúcha precisará superar não apenas a diferença técnica e financeira, mas também a pressão de jogar no Morumbis diante de mais de 60 mil torcedores são-paulinos.

Comparação com torneios internacionais

O formato brasileiro contrasta significativamente com competições europeias similares. A Copa da Inglaterra, por exemplo, permite que clubes de divisões inferiores recebam times da Premier League em seus estádios quando sorteados como mandantes, equilibrando as chances competitivas.

Na França, a Coupe de France adota sistema de sorteio puro para definir mandos de campo, enquanto a Copa del Rey espanhola distribui as partidas de ida considerando critérios de divisão, mas sem privilégios automáticos para grandes clubes.

Dirigentes de clubes menores questionam sistematicamente essa estrutura. Conforme análise do SportNavo, equipes que ingressam na 1ª fase da Copa do Brasil gastam em média R$ 180 mil apenas em logística para chegar à 5ª fase, valor equivalente a dois meses de folha salarial de times da Série C.

Reflexos no equilíbrio competitivo

A concentração de vantagens regulamentares contribui para perpetuar o domínio dos grandes clubes na Copa do Brasil. Desde 2019, apenas Fortaleza (2022) e Cruzeiro (2023) conseguiram furar o bloqueio dos chamados "12 grandes" para conquistar o título, representando 2 conquistas em 6 edições.

O técnico Fábio Mathias, da Chapecoense, reconhece as dificuldades impostas pelo formato atual, mas mantém otimismo: "Sabemos das limitações, mas futebol é futebol. Vamos ao Rio de Janeiro buscar um resultado positivo para decidir em casa", afirmou após o sorteio da 5ª fase.

A CBF justifica o regulamento atual como forma de valorizar o desempenho no Campeonato Brasileiro da temporada anterior, garantindo que clubes com melhor colocação tenham tratamento diferenciado. No entanto, críticos apontam que essa lógica perpetua desigualdades estruturais já existentes no futebol nacional.

Os confrontos da 5ª fase começam nesta terça-feira (21) e se estendem até quinta-feira (23), com partidas de volta programadas para a primeira quinzena de agosto. O São Paulo busca seu primeiro título da Copa do Brasil desde 2000, enquanto Flamengo e Botafogo miram ampliar suas coleções na competição nacional.