Aos 11 minutos do primeiro tempo, a Neo Química Arena explodiu. Rodrigo Garro cobrou a falta com precisão cirúrgica, Gustavo Henrique subiu mais alto que todo mundo e mandou para o fundo das redes. Era o sinal: o Corinthians não estava ali para enrolar o Peñarol — estava ali para engolir. O resultado final, 2 a 0 na terceira rodada da fase de grupos da Copa Libertadores, não traduz toda a extensão do domínio corintiano na noite desta quinta-feira.
Um começo que ninguém previu
Pergunta honesta: no dia do sorteio da Libertadores, quem apostaria que o Corinthians e o Independiente Rivadavia seriam as únicas equipes com 100% de aproveitamento após três rodadas? O Flamengo lidera o Grupo A com 7 pontos, o Palmeiras aparece em segundo no F com 5, e o Fluminense amarga a lanterna do C com apenas 1 ponto. Mas é o Timão, aquele mesmo que tem só três vitórias no Brasileirão, quem lidera absoluto o Grupo E — com nove pontos, três gols sofridos em zero partidas. A surpresa tem nome, sobrenome e prancheta: Fernando Diniz.
A avaliação do SportNavo mostra que essa arrancada continental não é coincidência. Diniz chegou ao Parque São Jorge com dois pilares bem definidos e tem repetido a lição em cada sessão de vídeo com o elenco: liberdade no ataque, solidariedade no retorno. Simples de falar. Difícil de executar. O Corinthians, ao que tudo indica, está aprendendo rápido.
O gol que resume a filosofia
O segundo gol da partida não foi apenas um gol — foi um manifesto tático. Jesse Lingard, o meia inglês que chegou sem alarde e tem surpreendido, pressiona um zagueiro do Peñarol no campo de ataque, recupera a posse, lança para Yuri Alberto, recebe de volta e finaliza. Gol. Aos 24 minutos. A jogada sintetiza o que Diniz cobra nas sessões de análise de vídeo: o jogador ofensivo que pressiona, que recupera, que participa de todas as fases. Nada de esperar o time chegar.
"É uma coisa que eu mais prego na minha carreira: que jamais falte vontade. Pode faltar tudo. E esse time é um time que está mostrando muita vontade. Depois a parte técnica e a parte tática a gente consegue ajustar." — Fernando Diniz, em coletiva pós-jogo
Os números jogam a favor do argumento. O Corinthians terminou a partida com 78% de posse de bola — e, mesmo com tanta bola nos pés, ainda superou o Peñarol em desarmes e duelos ganhos. Controlar e pressionar ao mesmo tempo. Esse equilíbrio é raro, e é justamente o DNA que Diniz tenta implantar no time alvinegro.
A muralha que Diniz não derrubou, mas reforçou
Sete jogos sob o comando de Diniz. Sete jogos sem sofrer um gol sequer. A solidez defensiva que o Timão exibe não veio do zero: internamente, a avaliação é que o treinador manteve a base estrutural que Dorival Júnior havia construído no setor. O que mudou foi o comportamento coletivo na recomposição — jogadores como Lingard e Yuri Alberto voltando para fechar espaços, sem exceção. O zagueiro Gustavo Henrique, autor do primeiro gol, foi eleito o melhor em campo pelo ex-jogador Neto durante a transmissão pela Rádio Craque Neto.
"Parabéns Gustavo Henrique, jogou muita bola. Foi o craque. Gabriel Paulista, o Garro também. Há muito tempo que o Corinthians não tinha uma preparação física como essa." — Neto, ex-jogador e comentarista
Gabriel Paulista e Rodrigo Garro também foram elogiados pelo comentarista. O argentino Garro, aliás, ainda teve duas cobranças de falta no segundo tempo — em uma delas, obrigou o goleiro Washington Aguerre a fazer defesa difícil. O 2 a 0 poderia ter sido maior. Diniz ainda aproveitou o conforto do placar para rodar o elenco: Kaio César, Pedro Raul e Labyad entraram em campo buscando minutos e ritmo.

O que vem pela frente
A pergunta que fica no ar — e que os corinthianos preferem não fazer em voz alta — é se esse Corinthians continental tem fôlego para sustentar o rendimento até o fim da fase de grupos. A resposta chegará em breve. O Timão volta a campo pela Libertadores com a liderança isolada do Grupo E e a invencibilidade intacta, podendo confirmar a classificação com três rodadas de antecedência caso vença os dois próximos jogos. A análise exclusiva do SportNavo aponta que, enquanto a solidariedade tática de Diniz se mantiver como lei dentro do vestiário, o clube paulista seguirá sendo o grande azarão desta edição do torneio continental — aquele que ninguém apostaria, mas que ninguém mais quer enfrentar.









