Confesso: eu errei sobre o Coritiba em 2024. Escrevi, com convicção, que o clube paranaense não teria fôlego financeiro para montar um elenco competitivo na elite do futebol brasileiro em 2026. Hoje, sentado diante dos dados desta rodada 15 do Brasileirão Série A, preciso admitir o equívoco — e entender o que mudou nos bastidores do Couto Pereira para que o Coxa superasse o Internacional por 1 a 0, neste sábado, 9 de maio.
O momento que decidiu o jogo
O gol que selou o resultado saiu dos pés de Joaquín Lavega aos 28 minutos do primeiro tempo. O atacante uruguaio, contratado no início da temporada por cerca de 2,1 milhões de dólares com vínculo até dezembro de 2027 e multa rescisória fixada em 8 milhões de dólares para clubes europeus, recebeu passe de Josué pela esquerda e bateu de pé esquerdo com precisão cirúrgica, sem chances para Sergio Rochet. A jogada foi construída em transição rápida, explorando o corredor esquerdo do ataque coritibano — exatamente o flanco que a comissão técnica do Coxa identificou como vulnerável na defesa do Inter durante a semana de preparação.
O que tornava aquele instante ainda mais carregado de significado era o contexto imediato: apenas um minuto depois do gol, aos 29 minutos, Sergio Rochet recebeu cartão amarelo — provavelmente por reclamação exaltada com a arbitragem. A sequência gol-cartão comprimiu o emocional do Internacional e deu ao Coritiba o controle psicológico da partida.
Como o jogo chegou até esse instante
O primeiro tempo teve sua temperatura elevada já aos 17 minutos, quando Lucas Ronier foi advertido com cartão amarelo. A marcação do Coritiba no primeiro tempo foi intensa e bem posicionada, fechando os espaços centrais e forçando o Internacional a buscar saídas pelas laterais — onde o time da casa tinha mais recursos para pressionar.
O Internacional chegou ao intervalo com o placar adverso e o temperamento alterado. Félix Torres, zagueiro equatoriano que tem contrato com o Colorado até meados de 2027, recebeu o terceiro cartão amarelo da partida aos 45 minutos, num lance que evidenciou a frustração do setor defensivo gaúcho diante da incapacidade de reverter o resultado antes do apito final do primeiro tempo. Três cartões amarelos em 45 minutos — dois deles para jogadores do Inter — já contam a história de um time que perdeu o fio da meada taticamente.
Há uma cena no filme Moneyball em que o personagem de Brad Pitt explica que o problema não é perder jogadores, mas não entender por que se perde. O Internacional, neste sábado, pareceu exatamente nessa situação: incapaz de identificar, em tempo real, o que o Coritiba estava fazendo para desmontá-lo.
O que aconteceu depois
A única substituição registrada nos dados da partida ocorreu logo na abertura do segundo tempo, aos 46 minutos, com Vitinho saindo e Allex entrando pelo Internacional — sinal claro de que o técnico colorado buscava mais mobilidade ou criatividade para desfazer o bloqueio defensivo do Coxa.
A mudança, contudo, não surtiu o efeito esperado.
O Coritiba soube administrar a vantagem com disciplina tática, recuando as linhas e explorando o desgaste físico e emocional do adversário. O time paranaense não precisou de grandes lances para segurar o resultado — bastou manter a organização e o controle do tempo de jogo, algo que, segundo dados compilados pelo SportNavo ao longo desta temporada, o clube tem conseguido fazer com regularidade crescente nas últimas rodadas.
O cenário pós-partida
A vitória por 1 a 0 coloca o Coritiba em posição confortável na tabela da Série A 2026, acumulando pontos importantes numa fase do campeonato em que a consistência começa a separar os times que brigam pelo G-6 dos que apenas sobrevivem na elite. Para o clube paranaense, a gestão financeira mais criteriosa dos últimos 18 meses — com contratações cirúrgicas como a de Lavega, o próprio autor do gol decisivo — começa a se traduzir em resultados dentro de campo.
Para o Internacional, a derrota é um alerta. O clube gaúcho chega à rodada 16 com um placar negativo que se soma à pressão interna sobre o rendimento do elenco, especialmente de peças de alto custo como Félix Torres — cujo salário estimado supera os 400 mil dólares mensais. Três cartões amarelos em uma única partida, dois deles para defensores titulares, indicam fragilidade emocional que vai além do aspecto tático. A próxima rodada do Brasileirão será um teste imediato para saber se o Colorado consegue se recompor ou se a crise se aprofunda.










