18 meses de negociações, rumores, posts nas redes sociais e provocações públicas — e o desfecho foi uma sentença seca de Paulo Costa: a luta contra Khamzat Chimaev não vai acontecer. O Borrachinha, que vinha sendo especulado como o próximo adversário do lutador checheno nos pesos-médios, jogou uma pá de cal no matchup e ainda adicionou um diagnóstico clínico sobre o estado atual do rival: 'Acho que ele está acabado.' Não há tragédia aqui — há contabilidade.
O que ficou pelo caminho nas negociações com Chimaev
A luta entre Costa e Chimaev reunia, no papel, dois dos strikers mais perigosos da divisão dos médios. O checheno ostenta um cartel de 13-0 com finish rate de 92%, enquanto Costa acumula 14 vitórias, 11 por finalização ou nocaute. O confronto de estilos era real: o wrestling de alto nível de Chimaev contra o clinch e o ground and pound devastador do brasileiro. O problema é que a luta nunca saiu do papel.
Segundo apuração do SportNavo com base nas declarações públicas de Costa, as negociações chegaram a um estágio avançado, mas trombaram em obstáculos que o UFC não conseguiu — ou não quis — contornar a tempo. Questões ligadas ao gerenciamento de peso de Chimaev, que já teve dificuldades históricas para bater os 84 kg da categoria, e rumores de problemas físicos do checheno contribuíram para o esfriamento das conversas. Costa não poupou palavras ao comentar o cenário.
"Eu acho que ele está acabado. A luta não vai acontecer."
A declaração é cirúrgica no tom e no timing. Chimaev não compete desde outubro de 2023, quando venceu Kamaru Usman por decisão unânime. São mais de 18 meses de inatividade — um período que, no MMA moderno, corrói qualquer narrativa de invencibilidade.
Quem sai perdendo com o cancelamento do confronto
O UFC perde o que seria um dos confrontos mais comercializáveis da divisão dos médios em 2026. A combinação de Costa — carismático, agressivo, com base de fãs sólida no Brasil — com Chimaev — o fenômeno que o UFC construiu como o próximo dominador do peso-médio — teria gerado um pay-per-view de alto impacto. Com a luta morta, os dois lutadores precisam reconstruir suas trajetórias de formas distintas.
Para Chimaev, a situação é mais delicada. Cada mês de inatividade adicional aumenta a pressão sobre seu retorno. O checheno ainda figura no top-5 dos médios, mas o ranking do UFC é uma fila que não espera: Sean Strickland, Dricus du Plessis e Robert Whittaker continuam acumulando lutas e dados de desempenho. O striking differential de Chimaev, que chegou a ser positivo em mais de 4,5 golpes significativos por round, precisa ser testado novamente para ter validade analítica.

Costa abre o mapa e mira categorias acima
Com o matchup encerrado, Costa revelou que está aberto a competir nos meio-pesados (93 kg) ou até no peso-pesado (120 kg), além de manter a opção de ficar nos médios. A janela que ele mesmo estabeleceu é julho ou agosto de 2026, o que deixa o UFC com poucas semanas para construir um confronto relevante.
- Meio-pesados (93 kg): Costa já lutou na categoria e tem o físico para competir. O top-10 inclui nomes como Jamahal Hill e Magomed Ankalaev, ambos com histórico de lutas paradas por lesões ou problemas contratuais.
- Médios (84 kg): Opção natural, com adversários como Whittaker e Brendan Allen disponíveis no calendário.
- Pesados (120 kg): Cenário improvável tecnicamente — a diferença de massa muscular e o sprawl dos pesos-pesados representariam um ajuste tático considerável para o brasileiro.
O efeito cascata no ranking e as outras notícias da semana
O cancelamento do duelo Costa-Chimaev não é o único ruído nos bastidores do UFC nesta semana. Punahele Soriano, que vinha planejando retornar ao octógono em julho, sofreu um acidente de carro que resultou em concussão leve e lesão cervical — o que inviabiliza qualquer luta de contato a curto prazo. 'Eu estava me preparando para buscar uma luta em julho, aí sofri o acidente. Um senhor me bateu. Fiquei com concussão leve e o pescoço todo travado', relatou o meio-pesado havaiano. Mais um slot vazio no calendário da divisão.
No front dos pesos-leves, Justin Gaethje entrou no debate sobre as deficiências defensivas de Ilia Topuria, argumentando que Max Holloway e Charles Oliveira encontraram brechas reais no jogo do campeão georgiano durante seus respectivos confrontos. A análise de Gaethje tem peso técnico: Topuria absorveu golpes significativos nos dois combates, e sua defesa de takedown, embora sólida, ainda não foi testada contra um wrestler de elite como o próprio Gaethje. Já Chris Weidman, ex-campeão dos médios com duas conquistas All-American em wrestling na Hofstra University, enfrenta Colby Covington em uma disputa de wrestling no evento RAF 9, marcado para 30 de maio. Weidman, que não compete no wrestling desde 2009 e acumula 31 cirurgias ao longo da carreira, foi direto ao comentar o chamado de Covington: 'Não sou o Dillon Danis. Acho que vou destruí-lo.'
Costa, por sua vez, tem uma data-limite natural: o UFC precisa confirmar um adversário até o fim de junho para que a luta seja viável em julho. Se o matchup não vier até lá, o brasileiro entra em agosto — e o ranking dos médios, que já vive em compasso de espera pelo retorno de Chimaev, ganha mais um elemento de imprevisibilidade para o segundo semestre de 2026.









