Diz-se que a rivalidade entre Paulo Costa e Khamzat Chimaev era a mais explosiva dos pesos-médios do UFC — dois lutadores com personalidades transbordantes, trocas de farpas nas redes sociais e uma base de fãs ávida por ver o encontro acontecer. Na verdade, ela nunca foi uma rivalidade de verdade. Foi teatro sem desfecho. E o motivo pelo qual isso importa agora é que Costa finalmente parou de esperar pelo espetáculo e começou a construir outra história.
Uma rixa que durou anos e nunca virou luta
A animosidade entre Costa e Chimaev se arrasta desde pelo menos 2021, época em que o checheno acumulava vitórias em ritmo recorde e o brasileiro vivia uma sequência de resultados frustrantes. Chimaev chegou ao UFC em 2020 quebrando o recorde da organização para o menor intervalo entre vitórias consecutivas — dois triunfos em dez dias —, e coroou aquele ano com um nocaute em 17 segundos sobre Gerald Meerschaert. A trajetória parecia imparável. Costa, por sua vez, tinha vencido o cinturão interino e perdido para Israel Adesanya em setembro de 2021, iniciando um ciclo de altos e baixos que o manteve distante do topo por quase cinco anos.
O problema é que Chimaev nunca foi um lutador confiável em termos de calendário. Entre complicações sérias causadas pela COVID-19 em 2021, problemas com visto e dificuldades no corte de peso, o checheno acumulou apenas sete lutas em seis anos — uma frequência que contrasta radicalmente com a imagem de máquina destruidora que ele projetava nas entrevistas. A rivalidade com Costa existia no Instagram, nos podcasts e nas conferências de imprensa. Dentro do octógono, nunca passou da fase de promessa.
O que mudou no cartel de Costa desde o UFC 327
Enquanto a rixa esfriava por inércia, Costa foi reconstruindo sua trajetória com trabalho. No UFC 327, realizado em 11 de abril de 2026 no Kaseya Center em Miami, ele nocauteou Azamat Murzakanov no peso-meio-pesado — uma vitória que demonstrou versatilidade de categoria e potência preservada. Antes disso, havia encerrado a sequência negativa com uma vitória sobre Roman Kopylov. Dois triunfos consecutivos, dois finalizações, e um recado claro ao ranking: o Borrachinha voltou a ser problema para qualquer um na divisão.
Quem não tem cão caça com gato — e Costa, sem o duelo com Chimaev para alimentar sua narrativa, encontrou nas vitórias sobre Murzakanov e Kopylov a munição para se reposicionar no topo da fila. O resultado direto foi uma evolução no ranking dos pesos-médios e a abertura de novas janelas de negociação com o UFC.
Chimaev perdeu o cinturão e Costa não quer mais saber
O contexto mudou radicalmente quando Chimaev perdeu o cinturão dos pesos-médios para Sean Strickland no UFC 328. A derrota não foi apenas um resultado negativo — ela reacendeu todas as dúvidas sobre a consistência do checheno e deixou sua posição no ranking em xeque. Para Costa, esse momento que poderia parecer ideal para exigir a luta acabou sendo o ponto final da história.
"Eu sei que muitos de vocês querem me ver enfrentando o 'Gourmet Chenchen Chimaev' a seguir. Não acho que isso vai acontecer. Por quê? Porque ele está acabado. Não acho que ele vai voltar. E mesmo que consiga se recuperar e voltar, não será neste ano."
A declaração foi feita em vídeo publicado por Costa no Instagram e sintetiza uma postura que, segundo apuração do SportNavo, reflete tanto um cálculo estratégico quanto um cansaço genuíno com uma rivalidade que nunca gerou receita real para nenhum dos dois. Chimaev, com um histórico de inatividade prolongada e agora com uma derrota pelo cinturão no currículo, representa um risco de calendário que Costa não está mais disposto a correr.
Os próximos adversários e a janela de agosto
Com a rivalidade arquivada, Costa abriu o leque de possibilidades de forma incomum: ele se colocou disponível para lutar nos pesos-médios, meio-pesados e até no peso-pesado — uma declaração que soa como provocação, mas que também revela a confiança de um atleta que voltou a se sentir relevante no ranking. A data preferida é agosto de 2026, com julho também sendo citada como possível.
"Quero lutar o mais rápido possível. Acho que agosto é uma data incrível, até julho. Vamos em frente. Posso lutar nos pesos-médios, meio-pesados, até no peso-pesado."
Os candidatos mais prováveis para o próximo passo de Costa incluem uma disputa pelo cinturão contra Sean Strickland — que agora carrega o ouro que pertencia a Chimaev — ou uma revanche de rivalidade com algum nome do top-10 dos pesos-médios. As odds de apostas para um possível Costa vs. Strickland ainda não foram oficializadas, mas a lógica do ranking favorece essa construção: Costa está em sequência positiva, Strickland acabou de ganhar um cinturão de alto perfil e o UFC tem incentivo comercial para montar o confronto ainda em 2026.
Costa tem 33 anos e está, pela primeira vez em quase meia década, com momentum real dentro do octógono.








