O Vasco da Gama acumula nove partidas sem vitória na temporada 2025, igualando a terceira pior sequência negativa de sua história centenária. Apenas em 1987 (12 jogos) e 2008 (11 jogos) o clube passou por jejuns mais prolongados, dados que colocam a atual crise em perspectiva histórica preocupante.

Os números revelam um padrão: das cinco piores sequências sem vitórias do Vasco, três ocorreram em anos de rebaixamento ou queda técnica significativa. A marca de 1987 coincidiu com o descenso à Série B, enquanto 2008 marcou uma das campanhas mais decepcionantes do século XXI.

Ranking histórico das piores sequências vascaínas

A análise dos arquivos estatísticos do clube desde 1898 aponta cinco momentos críticos. Em primeiro lugar, o jejum de 12 partidas sem vitória em 1987, período entre maio e julho que selou o rebaixamento. O segundo pior momento aconteceu em 2008, com 11 jogos consecutivos entre julho e setembro, campanha que terminou na 18ª posição do Brasileirão.

Ranking histórico das piores sequências vascaínas Crise do Vasco já iguala terce
Ranking histórico das piores sequências vascaínas Crise do Vasco já iguala terce

A atual sequência de nove jogos empata com duas outras crises históricas: 1999 (nove partidas entre março e maio) e 2020 (nove jogos entre agosto e outubro). Em ambas as ocasiões, o clube conseguiu reverter a situação através de mudanças na comissão técnica e reformulação no elenco.

Padrões de reação da diretoria em crises anteriores

O levantamento dos arquivos vascaínos mostra que, em quatro das cinco piores sequências, a direção optou por mudanças no comando técnico. Em 1987, Didi foi demitido na oitava partida sem vitória, mas a troca não impediu o rebaixamento. Já em 2008, Joel Santana substituiu Celso Roth no nono jogo do jejum.

"A situação é crítica, mas ainda temos condições de reverter este quadro se agirmos com rapidez e precisão", declarou o presidente do clube em entrevista após a última derrota.

Diferentemente das crises passadas, a atual sequência negativa acontece logo no início da temporada, fator que pode ser determinante para a recuperação. Nas situações de 1999 e 2020, quando o jejum também foi interrompido no nono jogo, as mudanças táticas e a chegada de reforços pontuais fizeram a diferença.

Características únicas da crise atual

A sequência de 2025 apresenta particularidades distintas das anteriores. O aproveitamento de 22% nos últimos nove jogos (duas derrotas, sete empates) mostra maior equilíbrio defensivo comparado a 1987, quando o time sofreu 18 gols no período. Porém, o setor ofensivo produziu apenas quatro gols, número inferior às crises de 1999 (seis gols) e 2020 (sete gols).

Outro dado relevante é a pressão da torcida, que nas redes sociais já supera os índices registrados em momentos históricos similares. O movimento "Fora Diretoria" ganhou 45 mil assinaturas em uma semana, número três vezes maior que campanhas similares em crises passadas.

O próximo compromisso será contra o Fluminense, na quinta-feira, no Maracanã, em clássico que pode definir se o Vasco iguala a segunda pior marca da história ou consegue interromper a sequência negativa que assombra São Januário.