Oito confrontos. Quatro vitórias do Boca Juniors, duas do Cruzeiro, dois empates. São números frios que não contam nem metade da história entre dois dos maiores clubes do continente. Nesta terça-feira, 28, às 21h30 (horário de Brasília), o Mineirão recebe mais um capítulo dessa rivalidade intensa pela terceira rodada do Grupo D da Copa Libertadores — e o peso do passado vai entrar em campo junto com os 22 jogadores.
Uma rivalidade forjada nas noites mais quentes da América do Sul
O primeiro encontro entre Cruzeiro e Boca Juniors na Libertadores aconteceu em uma época em que o futebol sul-americano ainda construía sua identidade continental. Desde então, os dois clubes se cruzaram em oito ocasiões no torneio, gerando uma das rivalidades mais respeitadas entre Brasil e Argentina. O Boca leva vantagem no placar agregado — quatro triunfos contra dois da Raposa —, mas os empates mostram que nenhum dos dois costuma dominar o outro com facilidade.
O último duelo entre as equipes aconteceu em 2018, ano em que a tensão entre as torcidas e a qualidade técnica dentro de campo fizeram daqueles jogos uma referência no imaginário dos apaixonados pela competição. O Boca venceu naquele confronto, mas a Raposa deixou claro que jogar no Mineirão é uma tarefa de outra categoria. O calor da torcida celeste em Belo Horizonte sempre foi um fator que qualquer equipe visitante precisa levar a sério.
O Boca chega invicto, o Cruzeiro precisa reagir em casa
A bagagem para esta partida não poderia ser mais diferente. O Boca Juniors, comandado pelo técnico Claudio Úbeda, chega a Minas Gerais como líder isolado do Grupo D, com seis pontos em duas partidas e uma invencibilidade que já se estende por 14 jogos. Os xeneizes venceram a Universidad Católica fora de casa por 2 a 1 e golearam o Barcelona de Guayaquil por 3 a 0 na Bombonera. Solidez defensiva e eficiência nos contra-ataques são as marcas registradas dessa equipe em 2025.
O Cruzeiro, por sua vez, ocupa o terceiro lugar no grupo com três pontos. A Raposa estreou com derrota em casa para a Universidad Católica por 2 a 1 — uma ferida que ainda dói nos bastidores do clube — e se recuperou ao vencer o Barcelona de Guayaquil por 1 a 0 no Equador. O técnico Artur Jorge, segundo apuração do SportNavo, tem insistido internamente na necessidade de transformar o Mineirão em uma fortaleza e aproveitar a confiança conquistada com resultados recentes no Brasileirão.
"Precisamos dar uma resposta dentro de casa. Essa é a nossa obrigação", destacou Artur Jorge ao se referir ao revés na estreia da Libertadores.
O Mineirão como personagem desta história
Quem já esteve no Mineirão numa noite de Libertadores sabe que o estádio tem alma própria. A arquibancada vibra diferente, o azul da torcida cruzeirense se mistura à fumaça das sinalizações e o barulho chega a confundir a comunicação entre os jogadores em campo. Para o Boca Juniors, enfrentar esse ambiente como visitante é um teste que vai além da qualidade técnica — é resistência psicológica.

O histórico de oito confrontos entre os dois clubes na Libertadores mostra que o equilíbrio nunca foi coincidência. A análise do SportNavo sobre os duelos anteriores aponta que seis dos oito jogos foram decididos por margem de apenas um gol, o que reforça a ideia de que qualquer detalhe — uma bola parada, um erro de marcação, um momento de inspiração individual — pode definir o resultado desta terça-feira.
"Enfrentar o Cruzeiro no Brasil é sempre um dos desafios mais difíceis da Libertadores", admitiu um integrante da comissão técnica do Boca Juniors nos dias que antecederam a viagem a Belo Horizonte.
O que está em jogo além dos três pontos
Uma vitória do Boca praticamente encaminha a classificação argentina às oitavas de final, com nove pontos em três rodadas. Para o Cruzeiro, os três pontos são a diferença entre continuar vivo na briga e ver a situação complicar de forma preocupante. Com Universidad Católica também na disputa — o clube chileno tem quatro pontos —, a Raposa não pode desperdiçar a vantagem de jogar diante de sua torcida.
A partida começa às 21h30 desta terça-feira, 28, no Mineirão, em Belo Horizonte. O vencedor desta noite assume posição privilegiada no Grupo D e dá um passo largo em direção ao mata-mata da Libertadores. O perdedor terá que vencer as duas rodadas restantes para manter chances reais de classificação.









