Dois pontos separam o Cruzeiro de uma situação confortável na Libertadores — ou de um buraco difícil de escalar. Depois da derrota para a Universidad Católica, do Chile, a Raposa chegou à terceira rodada do Grupo D zerada no saldo de gols e na terceira colocação, posição que hoje a mandaria disputar os playoffs da Sul-Americana. Nesta terça-feira, 28 de abril, às 21h30 (horário de Brasília), o adversário no Mineirão é o mais duro possível: o Boca Juniors, líder isolado com seis pontos e duas vitórias em dois jogos.
A pressão que o Mineirão precisa sentir
O técnico Artur Jorge sabe que um tropeço diante da torcida celeste pode transformar a fase de grupos numa corrida desesperada. Escalado com Matheus Cunha no gol e a dúvida na lateral direita entre o experiente William e o jovem Kauã Moraes, o Cruzeiro aposta em uma estrutura mais compacta para evitar a mesma fragilidade defensiva que custou pontos contra os chilenos. Conforme levantamento do SportNavo, o clube mineiro registrou média de público acima de 40 mil pagantes nas partidas como mandante desta edição da Libertadores — uma pressão que pode ser aliada, desde que convertida em vantagem real.
"Dependendo de si e de outros resultados, o Cruzeiro tem chances reais de chegar ao G8 do Brasileirão com mais uma vitória", segundo análise técnica dos dados de campanha da equipe no torneio nacional, onde o time figura na 12ª posição com 16 pontos após triunfo sobre o Remo.
Os retornos que mudam o cenário celeste
A notícia mais animadora para a torcida da Raposa veio dos vestiários: Fabrício Bruno e Matheus Pereira estão de volta ao time. A presença do zagueiro, titular na linha defensiva, resolve uma lacuna que incomodou Artur Jorge nas últimas rodadas. Já Matheus Pereira, meia de criação responsável por conectar o meio-campo ao ataque, entra diretamente no onze ao lado de Lucas Romero e Gerson. A escalação completa aponta para Matheus Cunha; Kauã Moraes, Jonathan Jesus, Villalba e Kaiki Bruno; Lucas Romero, Gerson, Christian, Matheus Pereira; Arroyo e Kaio Jorge.
Com Arroyo e Kaio Jorge formando a dupla ofensiva, a Raposa busca velocidade nas transições para explorar os espaços que o Boca costuma deixar quando ataca. Nos dois jogos anteriores da fase de grupos, o time argentino sofreu pressão nos contra-ataques — e esse é o caminho que Artur Jorge deve priorizar taticamente.
O Boca chega com moral mas também com baixas
Líder com seis pontos e 100% de aproveitamento, o Boca Juniors desembarca em Belo Horizonte em posição de força — mas não sem problemas. A lista de desfalques do técnico Claudio Ubeda é extensa: o atacante Cavani e o goleiro titular Marchesín estão fora, abrindo espaço para o jovem Leandro Brey defender a meta xeneize. Battaglia e Herrera também não viajam, o que muda o perfil do meio-campo argentino. Ainda assim, a escalação confirmada traz Merentiel e Bareiro como dupla de ataque, com Paredes e Ascacíbar armando o setor intermediário.

"A equipe preservou seus principais titulares no campeonato argentino visando justamente o duelo físico esperado em Belo Horizonte", segundo informações apuradas pelo staff do Boca divulgadas antes do embarque ao Brasil.
A estratégia de Ubeda é clara: poupar desgaste no torneio doméstico para chegar à Libertadores com pernas frescas. Mesmo com ausências de peso, o conjunto argentino demonstrou organização defensiva sólida nas duas rodadas anteriores e chega ao Mineirão com a vantagem psicológica de quem ainda não perdeu pontos na chave.
O que está em jogo além dos três pontos
Uma derrota nesta terça pode colocar o Cruzeiro em situação crítica já na metade da fase de grupos, com a perspectiva real de disputar a Sul-Americana no segundo semestre. Uma vitória, por sua vez, coloca a Raposa empatada em pontos com o Boca e reacende a briga pela liderança do Grupo D. A transmissão é exclusiva do Disney+, o que limita a audiência televisiva aberta — mas não diminui a dimensão do confronto para quem acompanha o futebol sul-americano. Na avaliação do SportNavo, este é o jogo mais importante do Cruzeiro em 2026 até aqui: perder significa viver de cálculos nas três rodadas restantes.
O Cruzeiro volta a campo pela Libertadores no próximo jogo do Grupo D, onde enfrentará novamente os rivais da chave em sequência que definirá se a Raposa disputa as oitavas de final diretamente ou cai para os playoffs intercontinentais da Sul-Americana. A bola rola nesta terça, 28 de abril, às 21h30, no Mineirão, com arbitragem conduzida pelo trio uruguaio formado por árbitro principal e assistentes Nicolás Taran e Andrés Nievas.












