Diz-se que Neymar perdeu espaço definitivo na Seleção Brasileira por conta das lesões acumuladas. Os números do Brasileirão 2026, contudo, contam uma história diferente — e o jogo de domingo (10) na Vila Belmiro, com vitória do Santos por 2 a 0 sobre o Red Bull Bragantino, adicionou um capítulo novo a esse argumento.
O que Neymar fez contra o Bragantino e por que importa agora
O camisa 10 marcou um gol — descrito pelo próprio técnico como um "golaço" — e participou diretamente da construção do segundo, saindo de campo substituído por Gabriel na etapa final por desgaste físico calculado. Cuca, na coletiva pós-jogo, não poupou elogios e foi além da análise tática imediata.
"Neymar fez um jogo muito bom. Prendeu a bola, criou e tem lances geniais. Fez um golaço e participou indiretamente do segundo gol", analisou o treinador santista.
A declaração de Cuca não foi apenas protocolar. Com a lista de Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo de 2026 a poucos dias de ser divulgada, o técnico transformou a coletiva em campanha pública pela convocação do craque. Para ele, Neymar demonstrou estar em alto nível físico e técnico — dois critérios que, historicamente, foram os maiores obstáculos à permanência do jogador entre os titulares da Seleção.
O precedente de 2022 e a diferença que os dados revelam hoje
Antes da Copa do Mundo do Catar, em 2022, Neymar chegou à competição como protagonista absoluto da Seleção, mas saiu antes das quartas de final após a eliminação para a Croácia nos pênaltis. Naquele torneio, ele marcou 2 gols em 5 jogos e atuou com limitações físicas visíveis desde a fase de grupos. O contraste com o momento atual é relevante: no Brasileirão 2026, até a 15ª rodada, Neymar acumula participações diretas em gols em mais de 60% dos jogos que disputou como titular pelo Santos — uma taxa que, na distância entre o papel de coadjuvante e o de protagonista, equivale à diferença entre Manaus e Salvador.

A sequência recente do Santos também pesa na análise. O clube encerrou uma série de empates com a vitória sobre o Bragantino e chega a seis jogos sem derrota no campeonato. Cuca atribui parte dessa consistência à presença e à inteligência posicional de Neymar, que tem atuado com carga controlada — o que explica as substituições antes dos 90 minutos em jogos recentes.
"Tivemos pedreiras fora de casa e não perdemos. Hoje o resultado veio e o futebol está sendo bem jogado", destacou o treinador, ressaltando a evolução coletiva da equipe.
Neymar contra Vinicius Jr e Rodrygo na disputa por posição
A questão central para Ancelotti não é se Neymar tem qualidade — é se ele justifica uma vaga em detrimento de Vinicius Jr., Rodrygo ou Savinho, que chegam à Copa com ritmo de alto nível europeu. Vinicius Jr. encerrou a temporada 2025/2026 no Real Madrid com mais de 20 gols em todas as competições. Rodrygo, mesmo com participação irregular, acumula experiência em grandes palcos internacionais. Savinho, pelo Manchester City, consolidou-se como um dos extremos mais verticais da Premier League.
O argumento de Cuca, no entanto, não é apenas estatístico. Neymar ocupa uma função diferente no sistema — o de organizador ofensivo, aquele que prende a bola, distribui e cria em espaços reduzidos. Essa característica, que o técnico chamou de "inteligência tática", é exatamente o que faltou à Seleção em momentos de pressão adversária nas últimas competições.
O que vem pela frente para Neymar e o Santos
A gestão de carga continuará sendo determinante nas próximas semanas. O Santos enfrenta o Coritiba duas vezes seguidas — primeiro pela Copa do Brasil e depois pelo Brasileirão, este último com mando santista na Neo Química Arena. Cuca já sinalizou que Neymar será preservado sempre que necessário, priorizando sua condição física para o restante da temporada. A substituição por Gabriel contra o Bragantino seguiu exatamente essa lógica.
A lista de Ancelotti para a Copa do Mundo de 2026 será divulgada em breve, e o jogo de domingo serviu como vitrine em momento preciso. Neymar marcou, assistiu e saiu aplaudido. Cuca fez a campanha. Os dados da temporada sustentam o debate. Agora, a palavra é do técnico italiano.
Ancelotti convoca ou não convoca — e essa decisão vai definir a narrativa da Seleção nos próximos meses.









