26 jogadores convocados, 55 nomes na pré-lista e um único número que domina a conversa: a data 18 de maio, quando Carlo Ancelotti divulga a lista definitiva do Brasil para a Copa do Mundo. No centro desse debate está Neymar, que acumula minutos cada vez mais consistentes pelo Santos e ganhou um defensor de peso: o próprio técnico que o dirige no dia a dia do clube.
O que Cuca enxerga no Neymar de 2026
Após a vitória por 2 a 0 do Santos sobre o Coritiba, que classificou o Peixe às oitavas de final da Copa do Brasil, Cuca concedeu entrevista e foi direto ao ponto sobre o futuro do camisa 10 — tanto no clube quanto na Seleção. Sobre o contrato, o treinador reconheceu a incerteza pós-Copa, mas garantiu que o Santos quer manter o atleta:
"Eu não sei o que vai acontecer. O Neymar tem contrato conosco até o final do ano. A gente espera contar com ele", disse o comandante.
Na sequência, Cuca elevou o tom ao tratar da convocação. Sua fala sintetizou o argumento técnico que os dados desta temporada sustentam:
"Imagino que a vaga dele esteja muito bem encaminhada. Acho que ele pode nos representar de uma forma bem legal, acho que é necessário", afirmou o treinador, que completou: "Cada jogo que está passando o Neymar está mostrando sua condição para a Copa. Não é aquele Neymar do passado, mas ele cria hoje para o adversário uma dificuldade enorme."
A menção ao "Neymar do passado" não é retórica vazia. O atacante passou por três cirurgias no joelho esquerdo entre 2023 e 2025, acumulando quase 18 meses de ausência total dos gramados. O retorno ao Santos, fechado em janeiro de 2026, foi gradual: os primeiros jogos foram limitados a 30 ou 40 minutos, com o departamento médico controlando a carga. A evolução, segundo a avaliação do SportNavo, está nos minutos acumulados — o jogador passou de participações pontuais para sequências de 70 a 80 minutos nas últimas cinco partidas pelo Peixe.
O perfil que Ancelotti busca e onde Neymar se encaixa
Quando joga mais solto, ele organiza a saída de bola e conecta linhas pelo corredor esquerdo. Quando recua para o meio, ele funciona como falso nove, atraindo marcadores e liberando espaço para Endrick e Rodrygo. Essa versatilidade funcional é exatamente o que Cuca descreveu ao elencar as possibilidades táticas do atleta: "Vindo de trás, pifando alguém, com inteligência. Organiza, define. Joga de um lado do campo, de 10, falso nove."
Quando atua como organizador ofensivo, ele eleva a posse e reduz o tempo médio de recuperação da bola da equipe. Quando assume o papel de driblador direto, ele força infrações e cria situações de bola parada — dado relevante para uma Seleção que tem em Raphinha e Rodrygo dois excelentes executores de falta. A dupla funcionalidade torna Neymar um recurso tático que nenhum outro nome da pré-lista reproduz com a mesma eficiência.
No Santos, a presença do camisa 10 em campo elevou o índice de finalizações por jogo da equipe. Em partidas que ele completou mais de 60 minutos na temporada 2026, o clube registrou média superior à de jogos em que ele foi poupado ou não atuou — uma diferença que os analistas do clube monitoram para calibrar a carga de treinamento antes da janela de convocação.
A concorrência no ataque e o que define a vaga final
Como diz o ditado popular: quem não tem cão caça com gato. Durante os meses em que Neymar esteve fora, Ancelotti foi obrigado a testar combinações alternativas no setor ofensivo — e alguns nomes responderam bem. Savinho, revelado pelo Atlético-MG e hoje no Manchester City, e Luiz Henrique, do Botafogo, apresentaram regularidade e volume de jogo que os colocaram na disputa real por uma das vagas de ponta. Mas nenhum deles carrega o histórico de Copa do Mundo que Neymar tem: três participações, 77 gols pela Seleção e liderança reconhecida dentro de grupos de pressão.
A lista de Ancelotti comporta 26 jogadores. Considerando que o técnico italiano deve convocar pelo menos três goleiros e seis defensores centrais e laterais, as vagas para o setor ofensivo ficam em torno de sete ou oito atletas. Neymar concorre com Vinicius Jr., Rodrygo, Endrick, Raphinha, Savinho e Luiz Henrique — o que significa que o corte, se houver, não poupa nenhum nome automaticamente.
O que pesa a favor do camisa 10 vai além da condição física em recuperação: é a capacidade de resolver jogos em fases eliminatórias, comprovada nas Copas de 2014 e 2022. Ancelotti, que dirigiu o Real Madrid em finais de Champions League com jogadores longe do ápice físico, sabe distinguir atletas que funcionam em jogos de alta pressão — e esse critério, segundo fontes próximas à comissão técnica, tem peso na composição final da lista.
A convocação oficial de Ancelotti será divulgada na segunda-feira, 18 de maio. O Brasil estreia na Copa do Mundo no Grupo D, com data e adversário a serem confirmados pelo calendário da Fifa para o torneio que começa em junho nos Estados Unidos, México e Canadá.









