Todo mundo sabe que a lista de Ancelotti sai na segunda-feira (18). O que pouca gente percebeu é que o argumento mais decisivo de vários candidatos foi construído — ou destruído — nos 90 minutos deste domingo (17), na última rodada da Premier League antes do anúncio oficial. E o palco mais revelador foi Old Trafford.
Matheus Cunha decide e Casemiro fecha um ciclo
Matheus Cunha marcou o segundo gol do Manchester United na vitória por 3 a 2 sobre o Nottingham Forest, aos 55 minutos. O lance veio envolvido em controvérsia — havia suspeita de toque de mão de Mbeumo na jogada —, mas o gol foi validado e o impacto no currículo do atacante, para fins de convocação, permanece intacto. Ao longo da temporada 2025/2026, Cunha consolidou-se como o brasileiro mais consistente da Premier League em termos de participações diretas em gols, e este domingo funcionou como assinatura no dossiê que chega ao técnico italiano.
Se Cunha foi o argumento, Casemiro foi a emoção. O volante de 34 anos foi ovacionado em que pode ter sido sua despedida de Old Trafford, dominando o meio-campo com a autoridade de quem acumula três títulos da Champions League e uma Copa do Mundo sub-20. Pensar em Casemiro como titular da Seleção em 2026 exige aceitar que experiência, neste contexto, vale mais do que quilometragem. Ancelotti — que na carreira sempre preferiu veteranos inteligentes a jovens acelerados — provavelmente já tomou essa decisão.
Bruno Guimarães orquestra, João Gomes resiste e os atacantes decepcionam
No Newcastle, Bruno Guimarães foi o maestro da vitória por 3 a 1 sobre o West Ham, distribuindo passes precisos e ditando o ritmo do jogo com a naturalidade de quem está entre os melhores volantes da Europa nesta temporada. A atuação reforça o que o SportNavo vem acompanhando desde o início do ano: Bruno Guimarães não apenas disputa vaga na Seleção, ele disputa a titularidade.
João Gomes, do Wolverhampton — já rebaixado para a Championship —, fez o que pôde no empate em 1 a 1 contra o Fulham. Foi o pulmão da equipe, com intensidade nos desarmes e cobertura defensiva acima da média. Jogar com um clube sem motivação competitiva e ainda assim se destacar individualmente tem um nome no esporte: caráter. É exatamente o tipo de detalhe que um técnico de 66 anos com cinco títulos de Champions League sabe identificar.
Decidiu.

Os atacantes, porém, decepcionaram. Igor Jesus, pelo Nottingham Forest, teve poucas oportunidades claras e saiu em branco no confronto contra o Manchester United. Igor Thiago, artilheiro do Brentford com números expressivos na temporada, também não balançou as redes no empate em 2 a 2 contra o Crystal Palace. Para dois jogadores que precisavam de um gol como argumento final, o silêncio das redes neste domingo fala alto.
O que Ancelotti vai encontrar na mesa na segunda-feira
Carlo Ancelotti assumiu a Seleção Brasileira em maio de 2025 e renovou contrato até a Copa do Mundo de 2030. Em 10 jogos à frente da equipe, acumula 5 vitórias, 3 derrotas e 2 empates — números que revelam uma fase de construção, não de consolidação. A convocação desta segunda-feira (18) chega num momento em que o técnico precisa equilibrar a experiência de um Casemiro com a explosão de um Cunha, a inteligência de Bruno Guimarães com a garra de um João Gomes.
Montar uma lista de Copa é como afinar uma orquestra: você não escolhe apenas os melhores músicos individualmente, mas os que tocam juntos sem desafinar. Ancelotti sabe disso melhor do que ninguém — e esta última rodada da Premier League foi, essencialmente, o ensaio geral. Igor Jesus e Igor Thiago saíram desta sexta sem o solo que precisavam. Cunha e Bruno Guimarães executaram a partitura com precisão.
A convocação oficial está marcada para esta segunda-feira (18). A partir daí, os 26 nomes escolhidos terão até o início do Mundial para convencer Ancelotti de que merecem os minutos — e não apenas a viagem.









