Falhou. Em 47 finalizações distribuídas por dois jogos contra o Vitória, o Flamengo converteu apenas duas — uma em cada partida — e deu adeus à Copa do Brasil na quinta fase. A derrota por 2 a 0 no Barradão, em Salvador, na quinta-feira (14), não foi surpresa estatística: foi a conta chegando.
Danilo admite o que os números já gritavam
O zagueiro Danilo, titular na partida de volta, escolheu a palavra "massacre" para descrever o desempenho coletivo — e não estava errado no diagnóstico do volume. O Flamengo finalizou 26 vezes só no jogo do Barradão, com sete chutes no alvo. O problema é que "massacre" pressupõe resultado, e resultado não veio.
"Massacramos o adversário o tempo todo, mas hoje não era o nosso dia", disse Danilo após a eliminação.
O próprio zagueiro corrigiu o rumo do discurso em seguida, sem papas na língua:
"A má pontaria prejudicou bastante, e estamos conscientes disso. A responsabilidade é de todos. Os defensores também tiveram chances pelo alto. Fica o aprendizado: precisamos ser mais letais", completou o jogador.
Danilo é um dos líderes do elenco montado com orçamento para disputar todas as frentes. Sua autocrítica pública é, por si só, um sinal de que o vestiário entende a gravidade — mesmo que "entender" ainda não tenha se traduzido em gols.
Os números que expõem a ineficiência rubro-negra
Não há tragédia: há contabilidade. E a conta do Flamengo na Copa do Brasil fecha no negativo com folga.

- 47 finalizações nos dois jogos contra o Vitória
- 2 gols marcados — taxa de conversão de 4,25%
- 26 chutes só no jogo do Barradão, com apenas 7 no alvo
- O Vitória precisou de 3 gols para avançar — e fez os três
O padrão não é isolado. Nos dois jogos anteriores à eliminação, diante de Grêmio e Vitória, o Flamengo acumulou 46 finalizações, acertou 12 no gol e marcou apenas uma vez. O técnico Leonardo Jardim também apontou a falta de eficácia como fator central da queda — mesma leitura do zagueiro, mesma ausência de solução prática.
O que o aproveitamento revela sobre o modelo de jogo
Uma taxa de conversão abaixo de 5% em sequência de jogos não é azar: é indicador estrutural. O Flamengo cria volume pela posse e pressão alta, mas chega à área com excesso de toque e déficit de objetividade. O Vitória baixou as linhas no segundo jogo e o rubro-negro não encontrou mecanismo para furar o bloco defensivo adversário além de finalizações de média distância ou cruzamentos sem atacante posicionado.
A apuração do SportNavo mostra que, das 47 finalizações nos dois duelos, menos de 30% foram dentro da pequena área ou no segundo poste — zonas onde a probabilidade de gol em jogos de alta pressão defensiva sobe para acima de 20%, segundo métricas de xG (gols esperados) aplicadas ao futebol brasileiro.
O custo da eliminação precoce para o planejamento da temporada
A Copa do Brasil era um dos pilares da temporada rubro-negra. O elenco atual foi montado com investimento expressivo: só nas contratações do segundo semestre de 2025 e início de 2026, o clube desembolsou acima de R$ 180 milhões entre luvas e salários de reforços. A eliminação na quinta fase — antes das oitavas de final — significa perda da premiação progressiva da CBF, que chega a R$ 73 milhões para o campeão.
Cada fase avançada na Copa do Brasil garante ao clube uma cota adicional: o vice-campeão recebe R$ 30 milhões, o semifinalista R$ 15 milhões por vaga. Sair na quinta fase, como o Flamengo fez, representa receita de R$ 3,85 milhões — valor simbólico diante do que estava em jogo.
A diretoria comandada por Bap havia sinalizado publicamente, horas antes da partida, o objetivo de disputar tríplice coroa em 2026. Com a Copa do Brasil encerrada em maio, restam Brasileirão e Copa Libertadores como palcos para justificar o investimento no elenco. O próximo compromisso do Flamengo é pelo Campeonato Brasileiro, no domingo (18), contra o Athletico-Paranaense, na Arena da Baixada, em Curitiba — jogo em que a pressão por eficiência ofensiva chega com 47 finalizações desperdiçadas na bagagem.








