O apito final em Orlando selou mais do que uma vitória por 3 a 1 sobre a Croácia. Carlo Ancelotti encerrou sua fase de observação com 47 jogadores testados em oito amistosos, e os últimos 90 minutos redefiniram hierarquias na corrida pelos 26 lugares na Copa do Mundo. Danilo subiu da reserva ao protagonismo, Endrick confirmou sua maturidade precoce, enquanto representantes do Flamengo viram suas chances minguar drasticamente.

Danilo aproveita primeira chance como titular

Aos 23 anos, o volante do Juventus transformou sua estreia na equipe titular em um show de oportunismo. Danilo abriu o placar aos 29 minutos após cruzamento de Raphinha e manteve a intensidade defensiva que vinha demonstrando saindo do banco. Nas seis partidas anteriores como reserva, havia acumulado apenas 78 minutos em campo.

"Queria muito essa oportunidade de começar jogando. Trabalhei duro para mostrar que mereço estar aqui", declarou Danilo após a partida.

A ascensão do meio-campista reflete uma tendência clara de Ancelotti: privilegiar jogadores que atuam na Europa em detrimento de nomes consolidados no futebol brasileiro. Danilo disputou 31 partidas pela Juventus nesta temporada, sendo titular em 28 delas, números que contrastam com a instabilidade de alguns concorrentes diretos.

Endrick confirma maturidade aos 18 anos

O atacante do Real Madrid selou a vitória aos 73 minutos com um gol que resume sua temporada europeia: oportunismo na área e frieza para definir. Endrick soma agora quatro gols em 11 jogos pela Seleção principal, média superior à de veteranos como Gabriel Jesus, que marcou três vezes em 15 partidas nos últimos dois anos.

Contra a Croácia, o jovem mostrou evolução tática evidente. Posicionou-se melhor entre as linhas adversárias e criou duas chances claras além do gol anotado. Ancelotti já havia sinalizado confiança no atacante ao escalá-lo entre os titulares em cinco dos últimos seis amistosos.

Flamenguistas perdem espaço na reta final

O contraste mais gritante da Data FIFA veio dos representantes rubro-negros. Gerson, cotado como titular absoluto no meio-campo, cometeu dois erros de passe que quase resultaram em gols croatas. Bruno Henrique permaneceu apático na ponta esquerda, sendo substituído aos 63 minutos sem ter finalizado uma única vez ao gol.

Gabigol sequer entrou em campo contra a Croácia, repetindo o banco diante da França cinco dias antes. O centroavante vive seu pior momento na Seleção desde 2019, com apenas um gol nos últimos oito jogos disputados. Léo Pereira, único flamenguista que se manteve como titular nas duas partidas da Data FIFA, teve atuação discreta mas sem grandes erros.

"Todos sabem da qualidade desses jogadores, mas a Copa exige forma física e mental no pico. Vou escolher quem estiver melhor preparado", afirmou Ancelotti.

Convocação final traz incertezas em três posições

Com base nas últimas atuações, Ancelotti deve anunciar em 18 de maio uma lista com poucas surpresas no esqueleto principal, mas indefinições pontuais que podem alterar o equilíbrio tático. A lateral direita parece resolvida com Danilo garantido após a exibição em Orlando, enquanto a briga no meio-campo se intensificou.

Endrick consolidou-se como terceira opção no ataque atrás de Vinicius Jr. e Rodrygo, empurrando Gabriel Jesus para uma posição mais delicada. O atacante do Arsenal não marca pela Seleção há sete jogos e pode perder a vaga para um perfil mais jovem. Casemiro e Fabinho seguem como opções defensivas no meio, mas Danilo emergiu como alternativa de maior mobilidade.

A Copa do Mundo começa em 14 de junho, no Canadá, com o Brasil enfrentando a Colômbia na estreia do Grupo C. Até lá, Ancelotti terá exatos 26 dias para definir os últimos detalhes de um elenco que busca o sexto título mundial.