26 jogadores, 11 clubes europeus diferentes e um grupo que, no papel, não assusta ninguém. A Copa do Mundo de 2026 pode ser o momento em que a Bélgica para de ser subestimada e começa a ser temida de novo — mas agora sem o hype da geração dourada, o que talvez seja ainda mais perigoso.
O elenco espalhado pela Europa e o que os dados dizem sobre ele
Kevin De Bruyne, hoje no Napoli após a saída do Manchester City, segue sendo o motor criativo do esquema belga. Na temporada 2025/2026 pela Serie A, ele acumula números de xA (expected assists) acima de 0,35 por 90 minutos — um dos três maiores do campeonato entre meias. Para quem não conhece a métrica: xA mede a qualidade das oportunidades geradas por passes, independente de o companheiro converter ou não. De Bruyne cria chances boas, não apenas muitas chances.
No gol, Thibaut Courtois, do Real Madrid, traz estabilidade que poucos goleiros no mundo oferecem. Sua taxa de defensive actions — intervenções defensivas por 90 minutos, incluindo saídas de área e defesas difíceis — esteve entre as maiores da La Liga nesta temporada. Segundo a análise do SportNavo sobre os convocados europeus para o Mundial, Courtois é o quinto goleiro com maior volume de ações defensivas entre todos os convocados à Copa.
- De Bruyne (Napoli) — xA de ~0,35 por 90 min na Serie A 2025/2026
- Courtois (Real Madrid) — top 5 em defensive actions entre goleiros convocados
- Doku (Manchester City) — líder em progressive passes recebidos entre os atacantes belgas
- Lukaku (Napoli) — xG acumulado acima de 14 na temporada, eficiência de finalização acima da média
Jeremy Doku merece atenção especial. O ponta do Manchester City é um dos jogadores com maior volume de progressive passes recebidos da Premier League — ou seja, ele está constantemente se movendo para zonas que rompem linhas defensivas. Isso cria um desequilíbrio que poucos laterais da fase de grupos do Grupo G conseguirão acompanhar.
Trossard, De Ketelaere e a profundidade que ninguém esperava
Leandro Trossard, do Arsenal, e Charles De Ketelaere, da Atalanta, compõem uma segunda linha ofensiva de altíssimo nível. De Ketelaere, em especial, viveu sua melhor temporada europeia em Bérgamo, com participação em mais de 18 gols entre Serie A e Champions League. Trossard, por sua vez, é o tipo de jogador que sobe o PPDA (passes permitidos por ação defensiva) do adversário — ele pressiona tanto na perda de bola que obriga o oponente a acelerar o jogo antes de estar pronto.
É como uma orquestra onde você não precisa escolher entre o violino principal e o piano: ambos tocam ao mesmo tempo, e o resultado é mais denso do que qualquer solista entregaria sozinho.
O Grupo G e quem sai perdendo nessa chave
Egito, Irã e Nova Zelândia. Três seleções com perfis muito distintos, mas que compartilham um problema comum diante da Bélgica: nenhuma delas tem estrutura para sustentar um PPDA competitivo contra uma equipe que pressiona alto e transita rápido. O PPDA, para contextualizar, mede quantos passes o adversário completa antes de sofrer uma ação defensiva — quanto menor o número, mais intensa é a pressão.
A Nova Zelândia, em particular, chega como a seleção mais vulnerável do grupo. Sem representação expressiva em ligas europeias de ponta, o nível físico e tático da equipe oceânica tende a ser exposto justamente pelas progressive passes que De Bruyne e Doku produzem com consistência.
"O elenco comandado por estrelas da Premier League e da Serie A italiana busca consolidar seu favoritismo na chave", segundo a nota oficial divulgada pela Federação Belga de Futebol junto com a lista de convocados.
O efeito cascata nas oitavas e o que a fase de grupos pode esconder
Se a Bélgica passar em primeiro do Grupo G — cenário bastante provável dado o nível dos adversários —, ela enfrentará o segundo colocado do Grupo H nas oitavas. O descanso estratégico de poupar titulares na terceira rodada pode ser o diferencial em uma Copa com calendário comprimido entre 11 de junho e 19 de julho.
A lista completa dos 26 convocados reúne nomes do Napoli, Real Madrid, Manchester City, Arsenal, Atalanta, Aston Villa, Fulham, Sporting CP, AC Milan, Eintracht Frankfurt e Club Brugge — diversidade de estilos táticos que pode ser um ativo enorme para o técnico belga adaptar o esquema a cada adversário nas fases eliminatórias.
A estreia da Bélgica na Copa do Mundo 2026 está marcada para a fase de grupos, com data a ser confirmada pela FIFA entre os dias 11 e 27 de junho — o elenco está pronto, a chave é favorável — falta apenas o apito inicial para provar que essa geração pós-dourada tem substância própria.










