O Barcelona encerrou mais uma participação na Champions League de forma melancólica, eliminado pelo Atlético de Madrid após sofrer quatro gols em dois jogos das quartas de final. A eliminação, porém, é apenas o sintoma de um problema mais profundo: a defesa catalã se tornou a mais vulnerável entre todas as equipes que chegaram às semifinais da competição continental nesta temporada.
Os números são alarmantes e revelam uma tendência preocupante. Em oito jogos considerados decisivos nesta temporada - incluindo mata-mata da Champions, El Clásicos e confrontos diretos pelo título espanhol - o Barcelona sofreu 15 gols, uma média de 1,87 tentos por partida que contrasta drasticamente com os padrões defensivos históricos do clube catalão.
Bolas paradas e transições ofensivas como principais vilãs
A análise detalhada dos gols sofridos revela um padrão específico de vulnerabilidade. Segundo levantamento do SportNavo, 70% dos 15 gols concedidos pelo Barcelona em jogos decisivos originaram-se de duas situações específicas: bolas paradas (seis gols) e contra-ataques rápidos (cinco gols). Os quatro gols restantes vieram de jogadas elaboradas pelo adversário.
No confronto com o Atlético de Madrid, essa fragilidade ficou evidente nos quatro gols sofridos. Na ida, em Barcelona, Griezmann e Morata exploraram falhas na saída de bola e na marcação em escanteios. No jogo de volta, mesmo com a vitória por 2 a 1, os blaugranas voltaram a sofrer em transição rápida, permitindo que Correa marcasse em contra-ataque aos 28 minutos do segundo tempo.
A defesa adiantada, característica do estilo de jogo barcelonista, tem se mostrado uma arma de dois gumes. Ronald Araujo e Andreas Christensen, a dupla de zaga titular, enfrentam dificuldades para cobrir os espaços deixados quando a equipe perde a posse na intermediária ofensiva.
Comparação estatística evidencia declínio defensivo
Para dimensionar a gravidade da situação, basta comparar os números atuais com temporadas anteriores. Na campanha de 2018-19, quando o Barcelona chegou às semifinais da Champions, a equipe sofreu apenas oito gols em 12 jogos da competição continental. Nesta temporada, foram 11 gols sofridos em apenas oito partidas europeias.
Entre os quatro semifinalistas da Champions League 2023-24 - Manchester City, Real Madrid, PSG e Bayern de Munique -, o Barcelona apresentaria a pior defesa caso tivesse se classificado. O City sofreu seis gols em oito jogos, o Real Madrid concedeu sete tentos em igual número de partidas, enquanto PSG e Bayern sofreram nove e oito gols, respectivamente.
Xavi Hernández, técnico barcelonista, reconheceu as limitações defensivas em coletiva após a eliminação. "Sabemos que nossa forma de jogar com a linha defensiva alta nos expõe, mas é o nosso estilo. Precisamos melhorar individualmente e coletivamente", admitiu o treinador catalão.
Reformulação necessária para próxima temporada
A diretoria do Barcelona já sinaliza mudanças estruturais para a temporada 2024-25. João Cancelo, lateral-direito emprestado pelo Manchester City, não deve permanecer no clube devido ao alto valor da opção de compra. A prioridade é contratar um zagueiro central experiente e um lateral-esquerdo que ofereça mais solidez defensiva.
O nome de Joško Gvardiol, do RB Leipzig, aparece como principal alvo para reforçar o setor. O croata de 22 anos combina qualidade técnica com robustez física, características consideradas essenciais pela comissão técnica para equilibrar o sistema defensivo blaugrana.
A eliminação precoce na Champions também impacta financeiramente o clube. A não classificação às semifinais representa perda de aproximadamente 12 milhões de euros em premiação, valor que seria fundamental para as pretensões de reforços no mercado de transferências. O Barcelona volta suas atenções para La Liga, onde ocupa a segunda colocação, cinco pontos atrás do líder Real Madrid, com sete rodadas restantes no campeonato espanhol.









