Todo mundo sabe que Deiveson Figueiredo já foi campeão. O que pouca gente esperava era que o caminho de volta ao topo passaria por uma queda tão íngreme quanto a que o paraense de Soure acumula desde que subiu para os galos. Quatro derrotas em cinco lutas. Nono lugar no ranking. E, agora, uma finalização sofrida diante do chinês Song Yadong, em Macau, que encerrou qualquer esperança imediata de briga pelo cinturão da divisão de 61 kg.
O que os números de Figueiredo revelam sobre esta fase
A derrota no UFC China não foi um acidente isolado — foi o capítulo mais recente de um ciclo que começou a desmoronar quando o paraense decidiu deixar o peso-mosca, onde foi campeão por duas vezes entre 2020 e 2022, e migrar para os galos. Naquela divisão, o cartel de Figueiredo conta histórias diferentes: os três títulos mundiais — dois no UFC e um no ONE Championship — convivem agora com uma sequência que, em qualquer análise fria, representa o pior momento de sua carreira profissional.
A queda da sétima para a nona posição no ranking oficial do UFC — divulgada após o evento de Macau — é a consequência mais visível. Mas o dado mais revelador está na frequência: em cinco apresentações recentes, Deiveson venceu apenas uma. Song Yadong, que o finalizou no UFC China, se consolida como um dos nomes em maior ascensão na divisão e agora pressiona o top-5 dos galos.
A finalização em Macau e o que ela expõe tecnicamente
Não basta registrar a derrota — é preciso entender o que ela mostra. Song Yadong, lutador de 27 anos formado no sistema de esportes de combate da China, tem construído um estilo que mistura volume de golpes em pé com transições rápidas para o solo. Contra Figueiredo, foi exatamente essa combinação que funcionou: o chinês levou a luta para o chão e encontrou espaço para a finalização, explorando um gap defensivo que o brasileiro já havia demonstrado em outras ocasiões nos galos.
A comparação histórica é inevitável. Na era pós-Chuck Liddell, entre 2007 e 2009, o UFC viveu um ciclo parecido com ex-campeões que desceram de categoria ou mudaram de divisão e nunca encontraram o mesmo ritmo — Randy Couture, por exemplo, venceu o cinturão dos pesados aos 43 anos em 2008, mas os dois anos anteriores tinham sido marcados por derrotas que colocavam em dúvida sua permanência no topo. A diferença é que Couture tinha 43 anos naquele momento. Figueiredo tem 36 — e ainda há tempo, ao menos no papel.
O UFC Casa Branca e o contexto que torna a queda ainda mais simbólica
A derrota de Figueiredo em Macau acontece a menos de duas semanas de um dos eventos mais aguardados da história recente do MMA. O UFC Casa Branca, marcado para 14 de junho no gramado da sede do governo americano, reúne as maiores estrelas da organização — e nenhuma delas atende pelo nome de Deiveson Figueiredo. Na luta principal da noite, Ilia Topuria e Justin Gaethje disputam a unificação do cinturão dos leves. No co-main event, Alex Poatan sobe para os pesados e enfrenta Ciryl Gane pelo título interino.
O presidente Donald Trump, em entrevista à FOX News, não poupou entusiasmo ao descrever o evento:
"É bem na porta da frente da Casa Branca. Vocês nunca verão isso de novo. Nunca aconteceu antes e vocês nunca verão novamente. É incrível, e o UFC vai trazer os melhores lutadores do mundo nesta noite."
O Brasil terá representantes no card — Diego Lopes diante de Steve Garcia e Maurício Ruffy contra Michael Chandler. Figueiredo, porém, não está entre eles. A ausência — não por lesão, mas por resultado — é o retrato mais claro de onde ele se encontra neste momento.
Os cenários possíveis para o ex-campeão nos próximos meses
A nona posição no ranking dos galos coloca Figueiredo em uma zona de indefinição. Lutadores entre o oitavo e o décimo lugar costumam receber adversários de fora do top-10 ou duelos entre si — brigas que servem para separar quem ainda tem ambição de quem está apenas administrando o fim de carreira. Para o paraense, a próxima luta será, na prática, um teste de intenção: uma vitória convincente pode reabrir a janela para o top-5 em um ou dois combates; uma quinta derrota em seis lutas tornaria insustentável qualquer argumento por uma chance de título.
O UFC ainda não anunciou o próximo adversário de Figueiredo — mas, segundo apurações do SportNavo, nomes entre o oitavo e o décimo segundo lugar do ranking são os mais cotados para o próximo compromisso do brasileiro. A divisão dos galos tem Sean O'Malley como ex-campeão e Merab Dvalishvili no topo, com uma fila de contendores que não vai esperar por ninguém. Figueiredo tem, provavelmente, uma ou duas lutas para mostrar que a queda livre chegou ao fundo — ou que ainda não parou.










