Vinte e cinco minutos preso no tatame, dominado pelo wrestling e pelo ground and pound de Islam Makhachev no UFC 322 — essa imagem ainda persegue Jack Della Maddalena. O australiano perdeu o cinturão dos meio-médios na sua primeira defesa de título e agora, em casa, no RAC Arena em Perth no dia 2 de maio, enfrenta o brasileiro Carlos Prates em um combate que pode redefinir a hierarquia da divisão. O vencedor se posiciona como principal candidato ao próximo shot pelo título.

O preço de um reinado interrompido

A derrota para Makhachev foi reveladora do ponto fraco mais crítico de Della Maddalena: a vulnerabilidade ao clinch de alto nível e à transição para o solo. O australiano, ranqueado em 2º lugar na divisão dos meio-médios e 12º no pound-for-pound global, construiu sua carreira sobre striking preciso e timing de contragolpe, mas não conseguiu defender os takedowns do campeão do peso leve no UFC 322. Em um main event de 25 minutos, "JDM" amargou os três rounds final com as costas no mat, impossibilitado de expressar seu jogo de pé.

A trajetória de Della Maddalena até o topo nunca foi linear: ele começou a carreira profissional com duas derrotas consecutivas, acumulou dez vitórias seguidas antes de chegar ao UFC e construiu dentro do octógono uma sequência impressionante que o levou ao cinturão. Segundo apuração do SportNavo, a taxa de finishing do australiano em suas vitórias no UFC supera 80%, o que explica a expectativa da torcida local por uma performance devastadora de striking.

Prates em território inimigo com seis bônus no bolso

Carlos Prates chega ao UFC Perth como 7º colocado no ranking dos meio-médios e com um cartel dentro da organização que impressiona pela consistência: seis vitórias em sete lutas, todas as vitórias premiadas com o bônus de Performance of the Night. O brasileiro tem demonstrado versatilidade técnica nos seus combates — transições rápidas do striking para o clinch, uso inteligente de joelhadas e uma capacidade de criar ângulos que desestabiliza oponentes acostumados a trocadores lineares.

"Perth, vocês vão ter um espetáculo e tanto nesta noite", projetou o site MMA Fighting ao anunciar o evento, classificando o duelo como "um dos melhores confrontos de 2026" no papel.

A grande questão tática para Prates é justamente o sprawl. Della Maddalena, mesmo com as limitações expostas contra Makhachev, é um striker de elite e pune fortemente qualquer tentativa de disputa de clinch mal executada. O brasileiro precisará ser criterioso nas entradas, usar o jab para criar distância e buscar os momentos certos para mudar o nível — evitando ficar no alcance do cruzado direito do australiano, que é o golpe de maior porcentagem de finalização no cartel de "JDM".

O preço de um reinado interrompido Della Maddalena busca redenção e Prates
O preço de um reinado interrompido Della Maddalena busca redenção e Prates

O mapa tático de um duelo de alta precisão

A análise exclusiva do SportNavo aponta que este não deve ser um combate de trocas abertas e caóticas. Della Maddalena, historicamente, opera melhor no contragolpe — ele usa o movimento lateral para criar ângulos e busca o overhand direito ou o uppercut quando o oponente se compromete. Seu striking differential nas últimas quatro lutas antes do UFC 322 era amplamente positivo, com número de golpes significativos absorvidos consideravelmente abaixo da média da divisão.

Prates, por sua vez, apresenta um striking differential positivo em suas seis vitórias no UFC, com uma tendência de aumentar o volume no segundo e terceiro rounds. Sua takedown accuracy é secundária no plano de jogo — ele usa mais o clinch para marcar joelhadas e cotovelos do que para buscar quedas propriamente ditas. Isso cria um cenário em que ambos os atletas provavelmente tentarão impor o combate em pé, o que beneficia o espetáculo mas exige controle de distância impecável dos dois lados.

"A estrada de volta começa aqui", resumiu o MMA Fighting ao contextualizar a situação de Della Maddalena após a perda do título para Makhachev — uma frase que traduz com precisão o peso desta luta na carreira do australiano.

O que está em jogo além da vitória

No UFC Perth, além do co-main event com Beneil Dariush contra Quillan Salkilld no peso leve, a luta principal carrega implicações diretas no ranking dos meio-médios. Islam Makhachev segura o cinturão como campeão interino ou unificado da divisão — o vencedor de Della Maddalena vs. Prates entra imediatamente na conversa pelo próximo desafio ao título. Para o australiano, uma vitória convincente, especialmente por nocaute, reposiciona sua narrativa: de ex-campeão derrotado para obrigatório contendor. Para Prates, uma vitória em território hostil, na luta principal de um evento no exterior, seria a declaração definitiva de que ele está pronto para disputar um cinturão.

O UFC Perth acontece no sábado, 2 de maio, com o card principal começando às 7h ET (8h de Brasília), transmitido integralmente pelo Paramount+. O australiano entra com suporte de arena lotada nas costas, mas Prates desembarca em Perth com seis bônus de performance e a motivação de quem sabe que uma grande noite pode colocá-lo a uma luta do maior prêmio da divisão.