10 jogos sem perder. Esse era o número que definia o Flamengo de Leonardo Jardim antes da noite de quinta-feira, 14 de maio. Oito vitórias, dois empates, vítimas que incluíam Grêmio, Atlético-MG e Independiente Medellín. O número desmoronou no Barradão, em 90 minutos que expuseram tudo o que estava frágil nessa construção.

O número que o Barradão destruiu

O Flamengo chegou ao jogo de volta com vantagem de 2 a 1 construída no Maracanã. Precisava apenas de um empate para avançar na Copa do Brasil. Saiu derrotado por 2 a 0, sem marcar nenhum gol, e foi eliminado na quinta fase — a saída mais precoce do clube na competição desde 2016, quando caiu para o Fortaleza ainda na segunda fase.

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Na coletiva pós-jogo, Jardim tratou o resultado como "inesperado" e apontou a falta de eficiência como fator decisivo. A frase resume bem o problema: um time que havia vencido oito dos últimos dez jogos não conseguiu marcar sequer um gol quando mais precisava.

"A eliminação foi inesperada. O time sofreu com a falta de eficiência", declarou Leonardo Jardim após a derrota para o Vitória.

A sequência de invencibilidade havia criado uma percepção de solidez que o resultado no Barradão desfez de vez. O Rubro-Negro havia superado Santos, Cusco, Fluminense, Medellín, Bahia e até o próprio Vitória — no jogo de ida. Dois empates contra Estudiantes e Vasco completavam o ciclo. Nada disso importou quando o placar precisava sair.

Como a eliminação se formou jogo a jogo

A análise da série de Jardim mostra um padrão: o Flamengo era eficiente quando tinha espaço e adversários que vinham ao jogo. Contra equipes que recuavam e exploravam transições, a vulnerabilidade aparecia. O Vitória, no Barradão, fez exatamente isso — e o Rubro-Negro não encontrou resposta.

O histórico recente na Copa do Brasil torna a eliminação ainda mais pesada. Entre 2017 e 2024, o clube chegou à final em três oportunidades, levantou o troféu em 2022 e 2024, e só saiu antes das oitavas de final uma vez — em 2016. Na temporada passada, 2025, a queda veio nas oitavas, eliminado pelo Atlético-MG. Agora, em 2026, o time parou duas fases antes disso.

Na avaliação do SportNavo, o problema não foi pontual. A derrota no Barradão revelou uma equipe que ainda depende muito de condições favoráveis para produzir futebol de qualidade — algo que um time com as ambições do Flamengo não pode se dar ao luxo de ter como característica.

"Desde 2016, o Flamengo sempre chegava pelo menos às oitavas de final da Copa do Brasil. Desta vez, o time parou na quinta fase", contextualizou a cobertura do clube após a eliminação.

O que fica para Brasileirão e Libertadores

A saída da Copa do Brasil, no compasso pesado de uma quinta-feira no Rio de Janeiro, força o Flamengo a redirecionar energia para duas frentes. No Campeonato Brasileiro, o clube ocupa o segundo lugar com 30 pontos, quatro atrás do Palmeiras na liderança, com um jogo a menos. A diferença é administrável, mas exige consistência que a eliminação desta semana colocou em xeque.

Na Libertadores, o cenário é mais confortável: o time lidera o Grupo A com 8 pontos, à frente de Estudiantes (6), Independiente Medellín (5) e Cusco (1). A vaga nas oitavas está próxima, mas o torneio continental cobra caro qualquer oscilação de rendimento.

A diretoria agora precisa definir o futuro de Jardim. A eliminação precoce na Copa do Brasil, competição em que o clube tem cinco títulos — 1990, 2006, 2013, 2022 e 2024 — pesa na balança. A sequência de 10 jogos invicto construiu capital político para o treinador, mas o Barradão zerou boa parte desse crédito em uma única noite.

O próximo teste é imediato: domingo, 17, o Flamengo enfrenta o Athletico-PR na Arena da Baixada, às 19h30, pela 16ª rodada do Brasileirão. Na quarta-feira, 20, recebe o Estudiantes no Maracanã, às 21h30, pela quinta rodada da fase de grupos da Libertadores. Dois jogos em cinco dias para responder se o ciclo de Jardim ainda tem fôlego — ou se a decisão sobre o comando técnico já estará tomada antes de 25 de maio.