O que exatamente mudou no Botafogo depois do 2 a 1 sofrido para o Palmeiras no dia 18 de março?

A resposta não está em uma única decisão de mercado nem em um único ajuste tático. Está na soma de variáveis que o próprio calendário foi revelando: rotação gerenciada pelo técnico Franclim Carvalho, retorno de peças que estavam fora por lesão e um adversário neste sábado — o Remo — que não vence há cinco rodadas no Brasileirão.

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O duelo acontece no Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, às 16h (horário de Brasília), com transmissão pelo Premiere. De um lado, um time que acumula dez partidas sem derrota em três frentes; do outro, um clube que passa nove rodadas consecutivas dentro da zona de rebaixamento.

O que aconteceu

A sequência invicta do Botafogo cobre três competições distintas: seis jogos no Brasileirão, um na Copa do Brasil e três na CONMEBOL Sul-Americana. O pico mais recente foi a goleada de 3 a 0 sobre o Independiente Petrolero, na quarta-feira, pela fase de grupos da Sul-Americana.

Contra o Remo, Franclim Carvalho reintegra titulares poupados no meio de semana. O zagueiro Ferraresi e o volante Danilo Santos retornam à escalação provável: Neto; Vitinho, Alexander Barboza, Ferraresi e Alex Telles; Allan, Cristian Medina e Danilo Santos; Júnior Santos, Arthur Cabral e Matheus Martins.

O Remo, por sua vez, chega fragilizado. Além dos cinco jogos sem vitória, o clube paraense demitiu o atacante uruguaio Nico Ferreira no início desta semana e viu a torcida protestar com faixas no estádio após a derrota de 1 a 0 para o Cruzeiro em casa — uma das faixas dizia "time Delivery — Entrega sempre em casa". A escalação provável do Leão do Norte: Marcelo Rangel; Marcelinho, Marllon, Tchamba e Mayk; Zé Welison, Patrick, Zé Ricardo e Pikachu; Jajá e Gabriel Poveda.

Por que isso importa

Dez jogos sem derrota em temporadas de calendário triplo funcionam como um ativo de curto prazo para qualquer clube brasileiro. É o equivalente a uma empresa que, após um trimestre negativo, encadeia dez semanas de resultado positivo — o mercado começa a precificar uma tendência, não um acidente.

No caso do Botafogo, a sequência tem valor duplo: consolida a posição na tabela do Brasileirão e mantém o clube vivo na Sul-Americana, competição que, em caso de avanço às fases eliminatórias, gera receita de premiação da CONMEBOL e aumenta o valor de exposição do elenco para o mercado europeu.

Segundo levantamento do SportNavo, a média de pontos por jogo do Botafogo desde 19 de março — dia seguinte à derrota para o Palmeiras — é de 1,83 no Brasileirão, acima do ritmo necessário para brigar pelo G-6 ao longo da temporada. Com 17 pontos em 13 rodadas, o Glorioso ocupa a 8ª colocação, mas está a quatro pontos do sexto colocado.

"O Remo tem qualidade, mas a nossa sequência nos dá confiança para jogar em casa", disse Franclim Carvalho em coletiva antes do confronto, sinalizando que não pretende abrir mão da postura ofensiva mesmo com o calendário apertado.

Os números por trás

A gestão do elenco é o fator mais visível da recuperação. Franclim Carvalho distribuiu minutos entre pelo menos 18 jogadores diferentes nas dez partidas da sequência invicta, evitando a sobrecarga física que derrubou o time no início da temporada.

Arthur Cabral, contratado para ser o referencial ofensivo, acumula participações diretas em gols nos últimos quatro jogos — dado que eleva seu valor de mercado no Transfermarkt, atualmente estimado em € 8 milhões, e justifica o investimento feito pelo clube no início do ano.

A análise do SportNavo sobre o desempenho defensivo mostra que o Botafogo reduziu a média de gols sofridos de 1,6 por jogo (nas cinco rodadas anteriores à sequência) para 0,7 por jogo no período invicto. Ferraresi, que retorna neste sábado, foi titular em sete dos dez jogos da série.

O Remo, no polo oposto, tem apenas 8 pontos em 13 rodadas — média de 0,61 por jogo, insuficiente para qualquer projeção de permanência na Série A. A saída de Nico Ferreira reduz ainda mais as opções ofensivas do técnico adversário.

"A gente precisa de uma vitória para respirar", admitiu o capitão do Remo, Zé Welison, em entrevista ao canal oficial do clube na quinta-feira, reconhecendo a pressão acumulada após nove rodadas na zona de rebaixamento.

O próximo capítulo

A arbitragem do confronto desta tarde ficará a cargo de Rodrigo José Pereira de Lima (PE), com VAR de Rodolpho Toski Marques (PR). O palpite do analista João Gonzales, da ESPN, aponta 2 a 0 para o Botafogo — placar que, se confirmado, elevaria o clube para 20 pontos e pressionaria diretamente os times entre a 5ª e a 7ª posição.

Depois do Remo, o Botafogo tem pela frente a sequência mais densa do semestre: dois jogos pela Sul-Americana em maio e mais quatro rodadas do Brasileirão até o final do mês. A gestão de carga dos titulares — especialmente Ferraresi, Alex Telles e Cristian Medina — será o principal indicador de se Franclim Carvalho consegue sustentar a série além da 15ª rodada.

No Nilton Santos às 16h deste sábado, Ferraresi aquece ao lado de Barboza enquanto o estádio vai enchendo — dois zagueiros que, juntos, não sofreram gol em quatro dos últimos seis jogos em casa.