Confesso: quando ouvi as declarações de Diniz após a derrota por 2 a 1 para o Mirassol no dia 3 de maio, pensei que o STJD o puniria. As palavras foram duras — «péssima arbitragem, nada para elogiar» —, e o histórico do tribunal com treinadores que atacam árbitros em coletiva costuma ser implacável. Errei a leitura. Na tarde desta sexta-feira, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva absolveu o técnico do Corinthians, que está liberado para o Majestoso de domingo, às 18h30, na Neo Química Arena.
O que o STJD entendeu sobre as falas de Diniz
A Procuradoria havia enquadrado Diniz no artigo 258 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva — inciso que trata de «conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva», com pena de até seis jogos de suspensão. O procurador Raoni Lacerda Vita anexou trechos da coletiva como prova, argumentando que as críticas atingiram diretamente a credibilidade do árbitro Matheus Delgado Candançan e do VAR, comandado por Márcio Henrique de Góis. O próprio Vita, contudo, votou pela absolvição ao final, reconhecendo que as declarações foram contundentes mas não ultrapassaram a fronteira do desrespeito pessoal.

«Péssima arbitragem. Não costumo falar sobre isso, mas hoje foi péssima. Não há nada para elogiar. O árbitro não deixou o jogo fluir», disse Diniz em coletiva após a partida em Mirassol.
A defesa do Corinthians, conduzida pelo Dr. Sérgio Engelberg, usou como precedente o caso de Thiago Mendes, do Vasco — absolvido em situação análoga —, e sustentou que Diniz respondeu a uma pergunta de jornalista, sem iniciar o tema espontaneamente. O tribunal acolheu o argumento de que críticas construtivas, sem palavrões e sem ataque à lisura do árbitro, estão dentro do exercício legítimo da liberdade de expressão.
Diniz no banco e o peso tático de uma ausência que não aconteceu
Quem acompanha o futebol brasileiro há mais tempo sabe o que significa perder um treinador na véspera de um clássico. Em agosto de 1995, o Corinthians entrou no Dérbi com Nelsinho Baptista suspenso após expulsão na rodada anterior — perdeu por 1 a 0 para o São Paulo num jogo em que a equipe pareceu desorientada nos primeiros 20 minutos, sem a voz que organizava a saída de bola. A história não se repete de forma idêntica, mas a ausência de comando técnico em clássicos costuma cobrar preço.
A absolvição de Diniz — segundo apuração do SportNavo — preserva um trabalho que vinha ganhando consistência defensiva: o Corinthians havia ficado sem sofrer gols em cinco jogos consecutivos antes do tropeço diante do Mirassol. Manter Diniz no banco significa manter a comunicação direta com Rodrigo Garro, peça central no esquema, e preservar os ajustes de pressão alta que o treinador costuma fazer no intervalo.
«Não sei se vocês prestaram atenção na falta que teve no Garro no segundo gol. É absurdo o cara não chamar. Chamou para tirar a expulsão e não chamou para anular o gol do Mirassol», afirmou o treinador, detalhando os três lances que motivaram sua indignação pública.
O Corinthians na tabela e o que o Majestoso representa
O clube ocupa a 17ª colocação no Brasileirão com 15 pontos — número que, a esta altura do campeonato, exige reação imediata. Um clássico contra o São Paulo, disputado na Neo Química Arena, tem peso duplo: os três pontos e o moral que um resultado positivo injeta num elenco que precisa de referências positivas para sair da zona de rebaixamento. Nos últimos dez Majestosos disputados no estádio corintiano, o time da casa venceu cinco, empatou três e perdeu dois — margem estreita, mas favorável ao mandante.

A presença de Diniz no banco não resolve sozinha o problema de posicionamento na tabela, mas elimina uma variável negativa que poderia comprometer a preparação de uma semana inteira. O jogo acontece no domingo, dia 10 de maio, às 18h30, pelo Campeonato Brasileiro, e o Corinthians precisa dos três pontos para iniciar a escalada em direção ao meio da tabela antes que o calendário aperte ainda mais com os compromissos pela Copa Libertadores.








