Se a janela de transferências abrisse amanhã, o Corinthians não poderia registrar um único jogador. A Fifa aplicou, na manhã desta quinta-feira, um transfer ban ao clube paulista por uma dívida de aproximadamente US$ 1,5 milhão (R$ 7,54 milhões na cotação atual) com o Philadelphia Union, dos Estados Unidos, pela compra do volante José Martínez, realizada em agosto de 2024. A sanção proíbe o Timão de registrar novos atletas por até três janelas consecutivas.
A resolução, porém, é direta: basta quitar o valor para a punição cair. O problema é que o Corinthians já acumula um passivo amplo. Além do débito com os americanos, o clube deve cerca de R$ 42 milhões ao Talleres, da Argentina, pela compra do meia Rodrigo Garro, e aproximadamente R$ 6 milhões ao Midtjylland, da Dinamarca, pelo volante Charles. Três credores, três frentes abertas — e a Fifa já mostrou que não espera indefinidamente.
Quem já está dentro escapa do congelamento
O transfer ban não afeta atletas já regularizados no BID da CBF. Jesse Lingard, apresentado oficialmente em março e registrado antes da sanção, segue disponível. O inglês de 33 anos estreou pelo Timão na derrota por 3 a 1 para o Fluminense no Maracanã, entrando no intervalo no lugar de Breno Bidon. Atuou por 53 minutos, registrou 81% de aproveitamento nos passes (13 de 16) e desperdiçou uma chance clara ao chutar em cima do goleiro Fábio.
Na 16ª rodada do Brasileirão, Lingard deu sua primeira assistência pelo clube, servindo Rodrigo Garro para o gol corintiano na derrota por 3 a 1 diante do Botafogo. Com isso, o inglês entrou para o ranking de assistentes da equipe em 2026 — liderado pelo próprio Garro, com 11 passes para gol na temporada. Após o jogo, Lingard publicou nas redes sociais:
"Orgulhoso de fazer minha estreia pelo Corinthians. Resultado difícil de engolir, mas temos que nos manter unidos e seguir em frente."
Kaio César, emprestado pelo Al-Hilal, da Arábia Saudita, também está fora do alcance do bloqueio. O atacante de 22 anos chegou ao Timão por um empréstimo que, segundo fontes do mercado, custou 500 mil euros (R$ 3,1 milhões) — valor negado pela diretoria corintiana, que afirma arcar apenas com o salário do atleta. Ao final de 2026, caso o clube queira adquirir 50% dos direitos econômicos do jogador, o custo fixado é de 6 milhões de euros (R$ 38 milhões). O Al-Hilal comprou Kaio junto ao Vitória de Guimarães, de Portugal, no início de 2025, por cerca de 9 milhões de euros (R$ 57 milhões).
O custo de não pagar a conta de Martínez
José Martínez chegou ao Corinthians em agosto de 2024 como parte de um pacote de reforços articulado pelo então presidente Augusto Melo. O custo total da operação foi de aproximadamente R$ 11 milhões, mas o clube pagou apenas uma parcela. O Philadelphia Union esperou, não recebeu o restante e acionou a Fifa. O desfecho é o transfer ban vigente.
O mecanismo é semelhante ao de um cheque especial com juros automáticos: cada janela que passa sem pagamento é uma janela a mais de proibição. No futebol, como na música, uma nota errada no início da composição pode comprometer todo o arranjo. O Corinthians está pagando agora o preço de uma negociação de 2024 que não foi honrada integralmente.
O levantamento feito pelo SportNavo mostra que o clube acumula ao menos três dívidas ativas com credores internacionais — Philadelphia Union, Talleres e Midtjylland — com passivo total superior a R$ 55 milhões. Cada uma delas tem potencial de gerar novas sanções da Fifa nos próximos meses.
A reformulação do elenco travada por dentro e por fora
O técnico Dorival Júnior havia apontado Kaio César como peça fundamental para suprir uma carência específica no elenco.
"Ele preenche uma função que não temos, tem velocidade, 1x1 muito interessante. É uma opção fundamental para termos", disse o treinador ao anunciar a chegada do atacante.Com o transfer ban, qualquer novo reforço que precise ser registrado está fora do alcance imediato do clube.
O Corinthians ocupa a 17ª posição no Brasileirão 2026, com 18 pontos — mesma pontuação do Santos, mas atrás nos critérios de desempate. O elenco conta com Memphis Depay, cujo futuro ainda não está definido, e com Lingard, que estreou com atuação discreta. O Dieguinho e Pedro Raul completam as opções ofensivas, mas a torcida já debate publicamente a necessidade de reforços para o segundo semestre.
O prazo para o Corinthians resolver o imbróglio com o Philadelphia Union é agora. Quanto mais tarde a dívida de US$ 1,5 milhão for quitada, mais janelas o clube perde — e mais a reformulação do elenco fica refém de um calote de 2024.
O Corinthians deve R$ 7,54 milhões ao Philadelphia Union e não pode contratar.










