25 de outubro de 2025. Naquele sábado à noite, o Estádio Moisés Lucarelli explodiu de alegria quando o árbitro apitou o fim do jogo e a Ponte Preta se tornou, pela primeira vez em 125 anos de história, campeã nacional. O adversário derrotado por 2 a 0 na final da Série C era exatamente o Londrina. Menos de sete meses depois, o mesmo Londrina voltou ao mesmo estádio e aplicou uma goleada de 4 a 1 que empurrou a Macaca para a penúltima posição da Série B. A ironia não precisa de adorno literário — ela fala por si.
O retrato de uma segunda-feira de maio no Lucarelli
Na noite de 18 de maio de 2026, o Majestoso que deveria carregar o peso simbólico da rivalidade entre os dois finalistas de 2025 virou palco de uma humilhação. Iago Teles abriu o placar para o Londrina aos 23 minutos do primeiro tempo, em jogada de contragolpe — um padrão que se repetiria ao longo de toda a partida. Bruno Santos, André Cardoso e João Tavares completaram o placar antes do apito final, construindo um 4 a 1 que não admite interpretação generosa para o lado campineiro.
O detalhe que agrava o diagnóstico é que o Londrina chegou ao quarto gol jogando com um atleta a menos na reta final da partida. A Ponte Preta, em casa, com a vantagem numérica, não conseguiu transformar o esforço em pressão real. Danilo Barcelos até acertou o travessão logo no minuto inicial e a equipe exigiu salvamento de Caio em cima da linha, mas a promessa ofensiva do começo se dissolveu completamente no decorrer dos 90 minutos.
Sete pontos em nove rodadas — a anatomia de uma crise
Com a derrota, a Ponte Preta permaneceu com sete pontos em nove rodadas e caiu para a 19ª colocação, a penúltima da tabela da Série B de 2026. Fica à frente apenas do América-MG, o lanterna. O Londrina, ao contrário, chegou a oito pontos e subiu para a 18ª posição — uma separação de apenas um ponto que, traduzida em termos geográficos, é do tamanho da distância entre Recife e Natal: perto no mapa, mas enorme no significado quando se trata de zona de rebaixamento.

A campanha da Ponte na Série B de 2026 é a antítese do que foi a trajetória vitoriosa de 2025. Naquele ano, o clube venceu a Série C com salários atrasados, promessas não cumpridas e jogadores que, horas antes da final, soltaram nota oficial contestando afirmações do coordenador técnico João Brigatti sobre a quitação de dívidas. Mesmo assim, o grupo se manteve coeso. O que se vê agora é um elenco diferente, sem a liga emocional daquele momento histórico, e os resultados refletem essa ruptura.
"Jogadores e profissionais do departamento de futebol não só subiram para a Série B, como ganharam um título inédito em meio a salários atrasados e promessas não cumpridas", registrou análise do ge.globo.com à época do título, ressaltando o comprometimento daquele grupo específico com a camisa alvinegra.
Micale estreia com goleada — mas do lado errado do placar
A partida de 18 de maio marcou a estreia do técnico Rogério Micale no comando do Londrina. Entrar em campo numa visita ao campeão da Série C do ano anterior e sair com uma vitória por 4 a 1, jogando com dez homens no fim, é um cartão de apresentação que poucos treinadores conseguiriam escrever melhor. Para a Ponte Preta, a estreia do adversário serviu como espelho cruel de suas próprias limitações táticas.
A estratégia do Londrina foi simples e eficaz: ceder a posse, absorver a pressão inicial e explorar os espaços deixados pela linha defensiva campineira nos contra-ataques. Quatro gols marcados por quatro jogadores diferentes — Iago Teles, Bruno Santos, André Cardoso e João Tavares — indicam não apenas eficiência, mas uma distribuição de responsabilidade ofensiva que a Ponte simplesmente não conseguiu neutralizar em nenhum momento do segundo tempo.
"Foi uma campanha que, dentro de campo, fez a Ponte se reconectar com suas origens de superação, com o seu povo", escreveu o ge.globo.com sobre o título de 2025 — um texto que hoje soa como epitáfio de um momento que não se repetiu.
O calendário não espera e o CRB está na esquina
A Ponte Preta não tem margem para lamento prolongado. No próximo sábado, 23 de maio, a equipe viaja até Maceió para enfrentar o CRB às 16h30, no Estádio Rei Pelé, pela décima rodada da Série B. Uma derrota fora de casa para o CRB, somada a um eventual tropeço do América-MG, pode consolidar a Macaca na zona de rebaixamento de forma preocupante. Com apenas sete pontos em nove jogos e um saldo de gols negativo agravado pelo 4 a 1 desta segunda-feira, a conta matemática é simples e severa: o clube que em outubro de 2025 ergueu o troféu da Série C com festa histórica no Lucarelli precisa, agora, de resultados imediatos para evitar que a Série B se torne passagem ainda mais curta do que o esperado.










