A última vez que o Londrina disputou a Série B foi em 2023 — ano em que caiu para a terceira divisão com o orçamento comprometido e o elenco desmontado. Dois anos depois, o Tubarão voltou à segunda divisão sem precisar de resultado de terceiros: um empate em 1 a 1 com o São Bernardo, no estádio Vitorino Gonçalves Dias (VGD), no último sábado (11), foi suficiente para selar o acesso e a liderança do Grupo B da Série C.

O número que resume dois anos de reconstrução

Dez pontos em seis jogos na segunda fase da Série C. Esse foi o saldo do Londrina no Grupo B — o suficiente para terminar na primeira colocação e garantir não apenas o acesso, mas também a vaga na grande final da competição. O São Bernardo ficou com 7 pontos e também subiu. Floresta (7 pontos) e Caxias (6) ficaram de fora.

O placar do jogo decisivo teve João Paulo abrindo o marcador para os paulistas aos 16 minutos do primeiro tempo. A resposta do Londrina veio logo no início da etapa complementar: Manzoli subiu mais alto que a defesa adversária em cobrança de escanteio de Cristiano e empatou de cabeça. O zagueiro, no entanto, precisou ser retirado de ambulância após choque de cabeça aos 15 minutos do segundo tempo. Seu estado de saúde estava sendo avaliado ao fim da partida.

A expulsão de Foguinho, do São Bernardo, ainda no primeiro tempo — segundo amarelo após falta em Iago Teles —, facilitou a gestão do resultado pelo Londrina, que jogava por um empate para não depender de outros placares.

Como o Londrina reconstruiu o projeto em 24 meses

O rebaixamento de 2023 não foi surpresa para quem acompanhou o clube de perto. O Londrina terminou aquela Série B sem estrutura financeira para competir — sem reforços de peso e com atrasos salariais que minaram o vestiário. Não há tragédia nisso: há contabilidade. A diretoria optou por reconstruir com base em jogadores jovens e aproveitamento de atletas com passagem anterior pelo clube, reduzindo a folha e priorizando equilíbrio fiscal.

O número que resume dois anos de reconstrução Dois anos fora e o Londrina volta
O número que resume dois anos de reconstrução Dois anos fora e o Londrina volta

Na Série C de 2026, o projeto mostrou consistência. O Tubarão terminou como líder do Grupo B, combinando solidez defensiva com aproveitamento nos momentos decisivos — característica que ficou evidente no jogo contra o São Bernardo, quando o clube soube administrar a vantagem numérica e o resultado favorável nos outros jogos da rodada.

A troca de treinador durante a Série B, com a demissão de Alan Aal e a chegada de Rogério Micale — ex-goleiro do clube nos anos 1990 e campeão olímpico como técnico —, também integra esse processo de gestão. O executivo de futebol Lucas Magalhães foi direto ao explicar a transição:

"Era uma ideia implementada de que a comissão da casa dirigiria esta partida. O professor entendeu e respeitou. Ele já traz experiência e participa, mas seguimos a programação definida. Não há melindre. É uma gestão de mesa redonda, em que todos ouvem e respeitam."

Final da Série C e o que vem pela frente

O Londrina agora disputa o título da Série C contra a Ponte Preta, líder do Grupo C. O primeiro jogo será no VGD, em Londrina; a volta, no Moisés Lucarelli, em Campinas. O campeão garante vaga direta na terceira fase da Copa do Brasil — benefício financeiro relevante para clubes que operam com orçamentos enxutos.

O SportNavo apurou que o acesso à Série B representa, em média, um incremento de R$ 3 milhões a R$ 5 milhões na cota de televisão anual para clubes do porte do Londrina — diferença que impacta diretamente a capacidade de contratação para o segundo semestre. O clube ainda não divulgou projeções de reforços para a Série B, mas a janela de transferências abre em julho.

Micale estreia como técnico na próxima segunda-feira (18), contra a Ponte Preta, no Moisés Lucarelli, pela Série B — o mesmo adversário que o Londrina enfrentará na final da Série C. O Tubarão está de volta à segunda divisão — falta agora sair da terceira com o troféu na mão.