Se o PGA Championship terminasse após as três primeiras rodadas, Alex Smalley seria campeão e Jon Rahm ficaria com mais uma final sem troféu. Mas o domingo no Aronimink Golf Club, na Pensilvânia, muda tudo — e o espanhol de Barrika sabe exatamente o que está em jogo.

Rahm fecha o sábado com 206 tacadas (-4), a dois golpes do único líder isolado, o americano Alex Smalley (-6). Junto com o basco estão mais quatro jogadores no mesmo placar: o alemão Matti Schmid, o canadiense Nick Taylor, o inglês Aaron Rai e o sueco Ludvig Åberg. Nunca uma rodada final teve tanto barulho logo atrás do primeiro colocado.

O número 3 que Rahm ainda não tem

Dois majors. Esse é o currículo atual de Jon Rahm: US Open 2021 e Masters de Augusta 2023. O PGA Championship é o único dos quatro grandes que ainda falta na vitrine do espanhol — e ele chega ao domingo com a terceira rodada mais sólida da carreira recente no torneio, um cartão de 67 (-3) neste sábado.

O contexto importa. Desde que assinou com o circuito LIV em dezembro de 2023 — contrato estimado em 500 milhões de euros —, Rahm perdeu protagonismo no ranking e ficou fora do radar dos grandes títulos. O retorno ao Aronimink tem cara de reabilitação.

O que para um torcedor de futebol argentino é ver Riquelme voltando para o Boca depois de anos na Europa, para um português é ver Figo retornando ao Barcelona — improvável, carregado de simbolismo, e com a pressão de provar que o tempo não passou. Rahm vive exatamente isso no golf em 2026.

Smalley lidera, mas o campo está aberto demais

Smalley é o único líder isolado, mas a diferença de dois golpes para um grupo de cinco jogadores torna qualquer projeção arriscada. Num torneio de major, dois golpes se evaporam num par-5 bem executado.

Um degrau abaixo, em -3 (207 tacadas), aparece Rory McIlroy — e o norte-irlandês não está ali por acidente. McIlroy vem de bicampeonato no Masters de Augusta e mira seu terceiro PGA Championship, depois dos títulos em Kiawah Island (2012) e Valhalla (2014). Com ele no mesmo grupo estão Patrick Reed e Xander Schauffele, ambos ex-campeões de major.

"Algumas posições de bandeira são um pouco mais generosas, mas ainda há outras bastante complicadas", disse McIlroy após a terceira rodada. "Seguimos aprendendo sobre o campo e nos sentindo mais confortáveis", completou o número 2 do mundo.

McIlroy busca seu sétimo major — o que o colocaria ao lado de Sam Snead, Arnold Palmer, Gene Sarazen e Harry Vardon no seleto grupo de múltiplos campeões históricos.

O que Rahm precisa fazer nas últimas 18 buracos

A matemática é simples: Rahm precisa de pelo menos três tacadas abaixo de Smalley para vencer sem depender de erro alheio. No Aronimink, isso equivale a uma rodada de -5 ou melhor — possível, mas exigente num campo que já cobrou caro de vários favoritos.

Na primeira rodada, Rahm havia entregado um cartão de 69 (-1), com reação no back nine que incluiu um eagle no buraco 11 e birdie no 18. A progressão ao longo da semana — de -1 para -3 no sábado — sugere um jogador encontrando ritmo no momento certo.

"No início da semana, comentavam que o torneio seria vencido com entre 15 e 20 abaixo do par. Acho que esse comentário chegou a alguém da PGA, e eles fizeram algo a respeito", brincou Rahm na coletiva de quinta-feira, já sinalizando que o campo estava mais difícil do que o esperado.

Com 22 jogadores ainda matematicamente vivos para o título e o placar comprimido entre -6 e -1, o domingo no Aronimink tem tudo para gerar o tipo de conteúdo que explode em redes sociais — buracos decisivos, putts sob pressão e, potencialmente, a volta por cima mais comentada do golf em 2026. A rodada final começa neste domingo com os líderes saindo no período da tarde, horário da Pensilvânia.