2 minutos e 24 segundos — foi o tempo que Saibari precisou para marcar seu primeiro gol no amistoso desta terça-feira, em Rabat, quando Marrocos goleou Madagascar por 4 a 0 no Estádio Príncipe Moulay Abdellah. Dois minutos. A defesa malgaxe falhou na marcação de escanteio, e o atacante do PSV Eindhoven apareceu livre na segunda trave para cabecear sem resistência. Quem assistiu àquele lance de abertura entendeu, antes mesmo dos 25 minutos, que estaria diante de algo que merece atenção — e que o Brasil, que estreia contra Marrocos no dia 13 de junho em Nova Jersey, faria bem em tomar nota.

Como Saibari destruiu Madagascar e mandou um aviso ao grupo do Brasil

O segundo gol saiu aos 24 minutos e foi ainda mais revelador do que o primeiro. Após erro na saída de bola de Madagascar, Ilias Saibari recuperou a posse com pressão alta, adiantou-se ao goleiro e finalizou com frieza na saída. Não foi um gol de oportunista — foi a execução fria de um atacante que sabe exatamente o que quer fazer com a bola antes de recebê-la. Esse tipo de clareza de movimentação, aliada à velocidade de transição, é precisamente o que torna o perfil dele tão incômodo para defesas que gostam de uma linha alta. O próprio técnico marroquino optou por poupar Hakimi, Brahim Díaz e o goleiro Bono para este amistoso — e mesmo assim o time venceu com autoridade, o que diz muito sobre a profundidade do elenco.

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Ao longo do segundo tempo, com Marrocos já administrando o resultado, Rahimi converteu pênalti aos 32 minutos para fazer 3 a 0, e Ayoub El Kaabi aproveitou rebote de chute de Brahim Díaz — que havia entrado como reserva — para fechar em 4 a 0 aos 41. Madagascar ainda ficou com dez jogadores após expulsão de Raheriniaina, mas a goleada já estava construída antes disso. O que ficou de saldo foi a exibição de Saibari, que ainda desperdiçou uma terceira chance antes do intervalo, bloqueado pela defesa no momento da finalização.

"Com time mesclado de titulares e reservas, Marrocos manteve seu tradicional esquema tático no 4-2-3-1 e foi amplamente superior durante a partida", registrou a cobertura da imprensa marroquina presente em Rabat.

O que a trajetória de Saibari no PSV revela sobre o Marrocos atual

Para quem acompanhou a Eredivisie nos últimos anos, Saibari não é novidade — mas para o torcedor brasileiro médio, ele ainda é um nome a ser descoberto. Formado nas categorias de base do PSV Eindhoven, o atacante representa a segunda geração de jogadores marroquinos nascidos ou criados na Europa que escolheram defender a seleção do país de origem, um fenômeno que se acelerou após a semifinal da Copa de 2022, no Qatar, quando Marrocos eliminou Portugal e Espanha antes de cair diante da França. Aquela campanha histórica — a melhor de uma seleção africana em Mundiais — transformou a camisa dos Leões do Atlas num objeto de desejo para jogadores da diáspora.

Há um paralelo histórico que me ocorre sempre que analiso esta geração marroquina: o que a Holanda fez nos anos 1990 com jogadores de origem surinamesa e antilhana, integrando talentos da diáspora ao núcleo tático de um time que já tinha estrutura defensiva sólida. Marrocos fez o mesmo, mas com uma geração ainda mais globalizada — Hakimi vem do Real Madrid e PSG, Brahim Díaz foi formado no Manchester City, e agora Saibari representa a escola holandesa de pressing e velocidade ofensiva. O resultado é um time que joga com identidade europeia, mas com a intensidade emocional de quem carrega a bandeira de um continente inteiro.

O problema concreto que Saibari coloca para a defesa brasileira

O Brasil chega à estreia com uma defesa que ainda busca equilíbrio. Léo Pereira, do Flamengo, foi titular no amistoso contra o Panamá e deve ter nova oportunidade contra o Egito no sábado, dia 6, nos Estados Unidos — último teste antes do confronto com Marrocos. O problema específico que Saibari coloca é de natureza técnica: ele não é um centroavante fixo, mas um atacante que parte da meia-esquerda ou do corredor direito para penetrar entre a linha defensiva e o volante. Esse tipo de movimento — o mesmo que Arjen Robben explorou durante anos no Bayern de Munique e na seleção holandesa — exige dos zagueiros uma comunicação permanente e uma disposição para sair da linha sem perder o posicionamento.

"Saibari esteve perto de marcar o terceiro gol ainda no primeiro tempo, mas acabou bloqueado pela defesa no momento da finalização", descreveu a cobertura do amistoso, sinalizando que o atacante não se contentou com os dois tentos e seguiu buscando o gol.

Marrocos ainda enfrenta a Noruega no domingo, dia 7, na Red Bull Arena, já em solo norte-americano — e esse será o teste mais revelador antes do Mundial, porque os noruegueses têm fisicalidade e pressão alta suficientes para forçar o time de Walid Regragui a mostrar mais do plano de jogo real. Se Saibari repetir contra a Noruega o nível de influência que teve sobre Madagascar, o Brasil terá um problema muito específico para resolver em menos de uma semana. A questão que fica para o torcedor verde-amarelo é direta: Dorival Júnior vai escalar Léo Pereira e Marquinhos para uma marcação mais individual sobre Saibari, ou vai apostar num bloco médio que aceite ceder espaço nas costas da defesa?