A última vez que a Premier League chegou à penúltima rodada com dois pontos separando os dois primeiros colocados foi na temporada 2011/12, quando o Manchester City precisou vencer o Queens Park Rangers nos acréscimos para roubar o título do Manchester United. Catorze anos depois, o cenário tem sabor semelhante — só que desta vez é o City quem persegue, e o Arsenal quem tenta segurar o troféu nas mãos.
Na tarde desta quarta-feira (13), o City goleou o Crystal Palace por 3 a 0 em jogo atrasado da 31ª rodada, no Etihad Stadium. Os gols de Semenyo, Marmoush e Savinho levaram os Citizens a 77 pontos — dois a menos que os Gunners, que seguem na liderança com 79, com as mesmas duas rodadas restantes.
Como o City construiu a vitória sobre o Palace
O Crystal Palace chegou a assustar logo no primeiro minuto: Brennan Johnson lançou Mateta, que empurrou para o fundo das redes, mas o impedimento do próprio Johnson na origem da jogada anulou o gol. Na sequência, o centroavante francês ainda acertou a trave após desvio de Gvardiol — dois lances que, em outra noite, poderiam ter mudado completamente o roteiro da partida.
O City, porém, impôs seu ritmo. Phil Foden foi o grande arquiteto da etapa inicial, distribuindo dois passes decisivos. Aos 31 minutos, um passe de calcanhar do meia inglês encontrou Semenyo, que bateu cruzado para abrir o placar. Oito minutos depois, Foden lançou Marmoush dentro da área — o egípcio girou sobre a marcação e chutou rasteiro para ampliar. No segundo tempo, com a partida mais morna, foi Savinho quem fechou a conta: recebeu de Chrkí já na entrada da área e finalizou de canhota aos 38 minutos da etapa final.
O goleiro Donnarumma, entre as traves do City, teve trabalho apenas pontual — a melhor chance visitante foi um chute sem força de Sarr, já no segundo tempo, que o arqueiro italiano defendeu com tranquilidade. A solidez defensiva dos Citizens, que chegam a nove jogos de invencibilidade na Premier League, foi tão determinante quanto o brilho ofensivo.
O que o City precisa nas duas rodadas finais
A matemática agora é simples — e ao mesmo tempo cruel. Com dois pontos de desvantagem e dois jogos restantes, o City precisa vencer as duas partidas que faltam e torcer para que o Arsenal deixe escapar pelo menos um tropeço. Caso os Citizens ganhem os seis pontos disponíveis e os Gunners percam uma partida, o título vai para Manchester no saldo de gols ou na diferença direta de pontos.
- Manchester City — 77 pontos, 2 jogos restantes (máximo possível: 83 pontos)
- Arsenal — 79 pontos, 2 jogos restantes (máximo possível: 85 pontos)
O problema imediato para Pep Guardiola é que o próximo compromisso dos Citizens não é sequer de campeonato: no sábado (16), o City enfrenta o Chelsea na final da FA Cup. A decisão obriga Guardiola a gerir o elenco com cuidado, equilibrando a ambição de uma taça doméstica com a necessidade de manter o grupo fresco para as últimas rodadas da liga.
O Arsenal e o peso de defender a liderança
Do outro lado, os Gunners vivem a pressão de quem tem o troféu ao alcance, mas sabe que qualquer deslize pode custar tudo. A equipe de Mikel Arteta ainda não confirmou matematicamente o título e precisará de pelo menos um ponto nas duas rodadas finais caso o City vença seus dois jogos restantes — um cenário que, segundo a avaliação do SportNavo, está longe de ser descartado dado o embalo atual dos Citizens.
Historicamente, o Arsenal carrega uma ferida aberta neste tipo de situação. Em 2022/23, os Gunners lideraram a Premier League por mais de metade da temporada e escorregaram na reta final, cedendo o título ao próprio City. Arteta tem repetido em entrevistas que o grupo aprendeu com aquela experiência — mas aprender e executar sob pressão máxima são coisas distintas.
O peso do calendário para os dois lados
Guardiola não precisará escolher entre FA Cup e Premier League apenas no sábado: a gestão dos minutos nos próximos dez dias definirá se o City tem fôlego para brigar em duas frentes simultaneamente. Erling Haaland, que registra média de 1,7 chutes no gol por jogo nesta temporada, é a referência ofensiva que o técnico catalão não pode perder para lesão ou desgaste excessivo.
O City volta a campo pela Premier League após a final de sábado, com dois jogos em sequência que precisam ser vencidos sem margem para cálculo. É o mesmo cenário que os próprios Citizens viveram em maio de 2012 — só que agora, em vez de precisar de um gol nos acréscimos contra um adversário já rebaixado, a aposta é derrubar um Arsenal que aprendeu, da maneira mais dura possível, o que custa baixar a guarda.









