Segunda-feira, 4 de maio de 2026. Foi nessa data que o Manchester City pode ter enterrado, de vez, as últimas esperanças de título da Premier League. No Goodison Park, em Liverpool, um empate por 3 a 3 contra o Everton — time que luta para escapar do rebaixamento — deixou o Etihad Stadium, a 55 quilômetros de distância, em silêncio virtual. Jéremy Doku marcou duas vezes, Erling Haaland fez o terceiro em cavadinha, mas nada disso foi suficiente. O City ficou com 71 pontos. O Arsenal tem 76.
O que aconteceu
O City entrou no Goodison Park como favorito e saiu com a cara queimada. Doku abriu o placar aos 43 minutos do primeiro tempo com um chutaço da entrada da área que foi no ângulo — Pickford não alcançou. Parecia que o script estava escrito. Não estava. O Everton virou o jogo em menos de 15 minutos de segundo tempo: Thierno Barry aproveitou erro de Guehi no passe para Donnarumma e fez 1 a 1 aos 23 minutos; Jake O'Brien cabeceou no escanteio para o 2 a 1 aos 28; e Barry voltou às redes aos 35, encontrado na pequena área para tocar rasteiro. Três gols. Uma virada. Um desastre.
Haaland respondeu aos 38 minutos com uma cavadinha fria por cima de Pickford — 3 a 2. E quando tudo parecia perdido, Doku, no sétimo minuto dos acréscimos, acertou um chute colocado de longe para fazer 3 a 3. Com até Donnarumma na área, o City atacava com tudo. Mas empate não é vitória. E no calendário da Premier League, empate pode ser sentença.
Por que isso importa
Cinco pontos. Esse é o abismo atual entre City e Arsenal na tabela — com uma diferença brutal de jogos restantes. O Arsenal ainda tem cinco rodadas para disputar; o City, apenas quatro. Segundo análise exclusiva do SportNavo, para o título chegar ao Etihad, Pep Guardiola precisa de uma sequência perfeita: quatro vitórias em quatro jogos, e ainda torcer para que o Arsenal perca dois dos seus cinco compromissos. A combinação é matematicamente possível. Praticamente, é outra conversa.
Impossível.
A palavra ainda não foi pronunciada no vestiário do City — ao menos não publicamente. Mas a realidade dos números fala mais alto do que qualquer discurso motivacional. O Arsenal, líder da Premier League 2025/2026, vem de uma campanha sólida e tem o calendário a seu favor. Mesmo que tropece uma vez, o City precisaria vencer todos os jogos restantes para chegar ao mesmo patamar de pontos — e aí entraria o saldo de gols, onde os gunners também levam vantagem.
Os números por trás
A temporada 2025/2026 da Premier League está sendo a mais equilibrada dos últimos anos no topo, e o SportNavo acompanhou cada rodada dessa disputa. Com 71 pontos em 34 jogos, o City tem aproveitamento de 69,9% — o que seria suficiente para vencer a liga em qualquer temporada anterior à era Guardiola. O problema é que o Arsenal, com 76 pontos em 33 jogos disputados, tem aproveitamento de 76,8%. Os gunners podem selar o título com uma vitória a mais e um tropeço do City — e o Everton acabou de entregar esse tropeço de bandeja.
Thierno Barry foi o protagonista improvável da noite: dois gols do atacante guineense, que tem apenas 23 anos, desfizeram o trabalho de Haaland e Doku. O norueguês chegou ao seu 26º gol na liga nesta temporada com a cavadinha, mas saiu do campo sem a vitória que precisava. Doku encerrou a partida com dois gols e uma assistência — e ainda assim não foi suficiente para salvar o City.
O próximo capítulo
O Manchester City volta a campo no sábado, 9 de maio, contra o Brentford, no Etihad Stadium, às 13h30 (horário de Brasília). Uma vitória é obrigatória — não opcional, não desejável. Obrigatória. Guardiola precisará encontrar respostas para uma defesa que levou três gols de um time que briga contra o rebaixamento, e precisará fazer isso em quatro dias. O Arsenal, por sua vez, tem cinco jogos para administrar a vantagem. Matematicamente, os gunners podem ser campeões antes mesmo que o City dispute sua última rodada. A Premier League 2025/2026 ainda não acabou — mas o City agora depende de outros. E isso, para Guardiola, é o pior cenário possível. Quatro jogos. Cinco pontos. Zero margem.









