Diz-se que o Manchester City depende de Haaland para criar perigo no terço final. Na verdade, os dados desta temporada contam uma história diferente — e o nome no centro dessa reviravolta é Jérémy Doku.
O atacante que demorou para aparecer e chegou na hora certa
Contratado logo após a Tríplice Coroa, em 2023, Doku passou dois anos sendo mais promessa do que entrega. No primeiro ano: 6 gols e 9 assistências. No segundo: 8 gols e 9 assistências — crescimento real, mas ainda dentro de uma narrativa de jogador que some nos momentos mais importantes. Em 2025/26, a curva mudou de inclinação. Com um período fora por lesão, o belga voltou e chegou a 8 gols e 11 assistências — e os últimos quatro tentos foram todos em partidas decisivas…
Gols que abrem placar e métricas que explicam o porquê
Dois gols no empate com o Everton, um nos 3 a 0 sobre o Brentford e mais um na semifinal da FA Cup contra o Southampton. Não são gols de enchimento de estatística — são aberturas de placar, os que criam lógica de jogo para o City. Quando você olha para o xG (expected goals) de Doku nessas partidas, o que chama atenção não é o volume de finalizações, mas a qualidade das posições que ele ocupa: finalizações de dentro da área, após condução progressiva pela esquerda.
- Progressive passes recebidos por jogo: Doku lidera o elenco do City na métrica de recepções em progressão — ou seja, ele é o destino preferencial quando o time quer avançar pelo corredor esquerdo.
- xA (expected assists): O belga acumula xA superior a 0,25 por 90 minutos nas últimas seis rodadas, índice compatível com os melhores criadores da Premier League.
- PPDA (passes permitidos por ação defensiva): Nos jogos em que Doku foi titular e atuou acima dos 70 minutos, o City apresentou PPDA mais baixo — ou seja, pressionou mais alto — sugerindo que a ameaça ofensiva dele força o adversário a recuar o bloco defensivo.
O SportNavo cruzou esses números com o calendário do City e o padrão é claro: quando Doku entra e permanece em campo, o time tem mais ações defensivas do adversário no campo deles. Isso não é coincidência, é consequência de uma ameaça real de profundidade.
Quem perde com esse Doku em alta
A primeira vítima da ascensão do belga é a narrativa de que o City desta temporada é um time sem soluções criativas após a saída de De Bruyne. Enquanto essa leitura dominava, o Arsenal foi construindo uma vantagem que hoje é de 5 pontos — com o City tendo um jogo a mais na conta. O segundo prejudicado é qualquer time que depende de linha alta para pressionar: Doku com espaço nas costas da defesa é, tecnicamente, um pesadelo difícil de resolver em uma única semana de preparação.
"Todos sabem que ele deu um incrível passo à frente, no sentido de dizer 'eu vou decidir os jogos'. Os grandes jogadores sempre têm essa mentalidade", disse Pep Guardiola sobre o atacante belga.
Guardiola não costuma elogiar jogadores publicamente sem uma razão tática por trás. Quando ele usa a palavra "decidir", está descrevendo exatamente o que Doku tem feito: não apenas participar das jogadas, mas ser o ponto de desequilíbrio que força os adversários a errar o posicionamento.
O que o City precisa que Doku mantenha nas duas últimas rodadas
Com apenas duas rodadas restantes após o duelo desta quarta-feira (13) contra o Crystal Palace, o cenário matemático do City exige vencer tudo e torcer para o Arsenal tropeçar. Não é simples, mas também não é impossível — especialmente com um jogador que, nos últimos cinco jogos, acumula 4 gols e 2 assistências e tem defensive actions do adversário concentradas no seu setor de atuação.
O jogo desta quarta contra o Crystal Palace começa às 16h (de Brasília). Se você quer entender na prática o que foi descrito aqui — a movimentação sem bola, o timing das corridas em profundidade, o uso do espaço entre linhas — vale assistir com atenção específica ao corredor esquerdo do City. É lá que a Premier League desta temporada pode ser decidida.









