4 de maio de 2026. A data marca o fim de um ciclo de ansiedade que durava desde 1989: a Internazionale voltou a levantar o troféu da Serie A dentro do San Siro, diante de seus próprios torcedores. A vitória por 2 a 0 sobre o Parma — com gols de Marcus Thuram e Henrikh Mkhitaryan — selou matematicamente o 21º título italiano da história do clube e consolidou Christian Chivu como um dos técnicos mais promissores da Europa em sua primeira temporada completa no comando nerazzurro.

O que aconteceu

A Inter entrou em campo precisando apenas de um empate para garantir o Scudetto, mas tratou o jogo como uma final. Thuram abriu o placar ainda no primeiro tempo, aproveitando cruzamento preciso da esquerda, e Mkhitaryan ampliou na segunda etapa com finalização de fora da área. O Parma, com pouca presença ofensiva, não conseguiu criar situações reais de perigo. Ao apito final, o San Siro registrava 75 mil pessoas — número alcançado após a diretoria liberar 300 ingressos extras para sócios nas horas anteriores ao jogo, aproveitando a baixa presença da torcida visitante.

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A conquista foi antecipada também pelo tropeço dos concorrentes na mesma rodada: o Napoli empatou com o Como e ficou com 70 pontos, enquanto o Milan perdeu para o Sassuolo e permaneceu em 67. A Inter chegou a 82 pontos, tornando o título matematicamente inatingível para qualquer rival com duas rodadas ainda a disputar.

Por que isso importa

A última vez que a Inter levantou o troféu da Serie A diante de sua torcida foi em 1989 — quando Lothar Matthäus ainda jogava pelo Bayern e Diego Maradona reinava em Nápoles. Aquela geração de torcedores interistas aguardou 37 anos por uma cena como a desta tarde. Mais do que um dado simbólico, o episódio reforça o peso institucional da conquista: a diretoria reconheceu a oportunidade e agiu rapidamente para maximizar o público, transformando uma partida de campeonato em um evento histórico.

A trajetória de Chivu merece atenção analítica. O romeno, ex-zagueiro da própria Inter, assumiu o cargo sem a bagagem de um técnico consagrado e foi questionado desde o início. Construir um elenco coeso, manter consistência ao longo de 36 rodadas e ainda superar a sombra da temporada anterior — quando o clube chegou à final da Champions League e foi goleado pelo PSG — exigiu trabalho tático e gestão de grupo fora do comum. Como um maestro que herda uma orquestra afinada mas precisa reescrever a partitura, Chivu não apenas manteve o padrão: elevou o rendimento coletivo.

"O clube não levantou troféus na temporada passada, mas aprendeu muito com aquela final. Essa experiência moldou o grupo", disse Chivu em entrevista coletiva após a partida, segundo a imprensa italiana.

Segundo levantamento do SportNavo, a Inter foi a equipe com maior consistência defensiva da Serie A em 2025/26, concedendo menos de uma chance clara de gol por jogo em 22 das 36 rodadas disputadas — dado que explica a solidez da campanha mesmo em momentos de pressão.

Os números por trás

Com 82 pontos em 36 jogos, a Inter terminou a fase regular com uma vantagem de 12 pontos sobre o Napoli, segundo colocado. O ataque nerazzurro teve em Thuram sua principal referência: o francês, filho do lendário Lilian Thuram, foi decisivo em múltiplas rodadas. Mkhitaryan, aos 37 anos, segue sendo peça-chave no meio-campo, combinando volume de jogo com eficiência nas finalizações de média distância.

O 21º título coloca a Inter como o segundo clube com mais Scudetti na história da Serie A, atrás apenas da Juventus, que acumula 36 conquistas. A última taça italiana havia chegado na temporada 2023/24, acompanhada da Supercopa da Itália. A temporada 2024/25, portanto, foi a única sem troféu no ciclo recente — e foi exatamente essa lacuna que a campanha de 2025/26 veio corrigir com autoridade.

"Essa torcida merecia viver esse momento aqui, no nosso estádio. Trabalhamos para isso desde o primeiro dia de pré-temporada", declarou o capitão da equipe, segundo a transmissão oficial do canal da Serie A.

A análise do SportNavo sobre o calendário da Inter aponta que o clube venceu 11 dos últimos 12 jogos na competição, com apenas um empate nesse período — sequência que transformou uma disputa que parecia equilibrada até março em uma caminhada solitária rumo ao título.

O próximo capítulo

Com o título doméstico garantido, a Inter volta as atenções para a reta final da temporada europeia. O clube ainda disputa posição na tabela da Serie A nas duas rodadas restantes, mas o foco real da comissão técnica já migrou para os compromissos continentais de 2026/27, cuja fase de grupos começa em setembro. A classificação direta como campeã italiana garante à Inter a entrada na Champions League sem necessidade de eliminatórias.

Chivu, que renovou o contrato até 2028 segundo informações da imprensa italiana em março, terá o desafio de manter o elenco competitivo durante a janela de transferências de verão. Thuram e Mkhitaryan são os nomes mais monitorados por clubes ingleses e espanhóis. A próxima partida da Inter na Serie A acontece no próximo fim de semana, em confronto fora de casa, já sem qualquer pressão classificatória — mas com 75 mil histórias para contar.

A pergunta que fica para os torcedores interistas é concreta: se Chivu conseguir manter o núcleo desse elenco intacto até setembro, a Inter tem condições reais de chegar à final da Champions League em 2026/27 e apagar de vez a memória da goleada sofrida para o PSG?