Diz-se que o São Paulo ainda está no G-4 e, portanto, a crise é relativa. Na verdade, não está — e o motivo importa mais do que a tabela sugere. Com 24 pontos após 15 rodadas do Brasileirão 2026, o clube paulista ocupa a quarta colocação não por mérito recente, mas por inércia de um início de temporada que ficou para trás. Cinco jogos sem vencer — três empates e duas derrotas — e uma eliminação por 3 a 1 para o Juventude em Caxias do Sul, na quinta fase da Copa do Brasil, redesenharam o cenário com brutalidade.
A demissão que selou o fim de Roger Machado no Morumbi
A derrota para o Juventude na última quarta-feira (13) foi o ponto final de um ciclo que já rangía. Roger Machado foi demitido horas depois do apito final, e o São Paulo entrou na sexta-feira (15) sem treinador e com um clássico marcado para o sábado à noite no Maracanã. A urgência forçou a diretoria a agir rápido: uma reunião no mesmo dia selou o acordo com Dorival Júnior, que receberá salário na casa dos R$ 2 milhões mensais, segundo o Globo Esporte. O problema é que o novo técnico chegará ao Rio de Janeiro apenas como observador — ele acompanhará o duelo das arquibancadas, sem poder intervir taticamente.
É uma cena que lembra o primeiro ato de Moneyball: o gestor que chega ao vestiário e ainda não pode mexer nas peças, apenas registrar o que está quebrado.

O que Dorival vai encontrar num time sem ritmo de vitória
A última vitória são-paulina data de 25 de abril, um 1 a 0 sobre o Mirassol. Desde então, o relógio parou. Dorival Júnior é um técnico reconhecido pela capacidade de reorganizar estruturas defensivas e por valorizar a posse com saída limpa desde o goleiro — um estilo que exige tempo de trabalho e repetição de padrões. Nenhum desses dois ingredientes estará disponível neste sábado. Quem comandará o time tecnicamente no Maracanã ainda não foi definido de forma pública, o que por si só revela o grau de improviso que cerca a chegada do treinador. O SportNavo apurou que a tendência é que um membro da comissão permanente conduza o aquecimento e as orientações táticas do jogo.

O adversário, por sua vez, chega em situação diametralmente oposta.
Fluminense recebe o rival com Hulk na vitrine e Cano de volta
O Fluminense lidera o confronto direto com 27 pontos — três a mais que o São Paulo — e transforma o jogo numa festa. O centroavante Hulk, recém-contratado, será apresentado oficialmente antes da partida: a partir das 17h40, concederá entrevista coletiva no auditório do Maracanã e depois descerá ao gramado durante o aquecimento para ser recepcionado pela torcida. Até a tarde desta sexta, 20 mil ingressos já haviam sido vendidos antecipadamente, segundo o jornalista Pedro Brandão, do Lance!. O técnico Luis Zubeldía também pode contar com o retorno de Germán Cano, recuperado de lesão na coxa direita e liberado pelo departamento médico desde o início da semana. A dúvida é Rodrigo Castillo, que recebeu pontos numa lesão na perna e treina separado com proteção.
Zubeldía, no entanto, tem razões para poupar. Na terça-feira (19), o Fluminense recebe o Bolívar pela Copa Libertadores num jogo decisivo — o que pode levar o treinador argentino a gerir o elenco com cautela neste sábado. Três jogadores entram em campo pendurados com dois cartões amarelos: o zagueiro Freytes, o lateral-esquerdo Guilherme Arana e o volante Nonato. Um novo amarelo de qualquer um deles complicaria o planejamento para a semana seguinte.
O jogo está marcado para as 19h (horário de Brasília) no Maracanã, pela 16ª rodada do Campeonato Brasileiro. Para o São Paulo, uma derrota pode significar a saída do G-4 e o início do trabalho de Dorival Júnior já sob pressão máxima — antes mesmo de sua primeira preleção oficial.









