Diz-se que o São Paulo tem uma das diretorias mais organizadas do futebol brasileiro. Na noite de quarta-feira, 13 de maio, em Caxias do Sul, essa premissa foi testada com brutalidade: uma derrota por 3 a 1 para o Juventude eliminou o clube na quinta fase da Copa do Brasil e tornou insustentável a permanência de Roger Machado, demitido horas depois pelo diretor executivo Rui Costa em coletiva de imprensa. O contrato de Roger ia até 31 de dezembro de 2026 — e foi encerrado com 17 jogos disputados, sete vitórias e a sensação de que o ambiente nunca foi conquistado.
O nome que o vestiário reconhece
Enquanto o Morumbi ainda processava a eliminação, a cúpula tricolor — formada por Harry Massis, Rui Costa e o gerente de futebol Rafinha — já movia os bastidores em direção a Dorival Júnior. A escolha não é aleatória nem sentimental: o treinador comandou o São Paulo em 2023, temporada que terminou com o título inédito da Copa do Brasil, e conhece pessoalmente mais da metade do elenco atual. Rafinha, inclusive, foi jogador sob seu comando. Essa familiaridade pesa tanto quanto qualquer análise tática — em momentos de crise, um vestiário que reconhece a voz do técnico responde de forma diferente a um que precisa aprender quem ele é.
"Quando um treinador já venceu dentro de uma casa, ele não entra pela porta — ele volta pela janela que ele mesmo abriu", observou um comentarista esportivo ao analisar o perfil de Dorival durante a semana.
R$ 3 milhões e um áudio que complicou tudo
O entrave real tem nome e tem número. Em um áudio vazado nesta semana, o próprio Massis revelou a conselheiros que Osmar Stabile, do Corinthians, lhe informara que a comissão técnica de Dorival custava aproximadamente R$ 3 milhões por mês no clube alvinegro — cifra que o presidente tricolor classificou como "uma loucura". O treinador estava livre desde o início de abril, quando deixou o Corinthians, e havia planejado descansar até a Copa do Mundo antes de voltar a trabalhar. Uma investida do São Paulo, segundo apurou a ESPN, foi o que o fez reconsiderar o calendário.
A diretoria planejava apresentar uma proposta formal ainda nesta quinta-feira, 14 de maio. O SportNavo apurou, por fontes próximas às negociações, que a percepção interna é de que Dorival tem as "costas largas" para suportar a pressão que o ambiente tricolor impõe — e que sua chegada seria capaz de blindar o grupo de influências externas que corroeram a gestão Roger Machado.
Quem paga a conta da turbulência
A demissão de Roger, cujo vínculo não havia nem completado um ano, gera custos rescisórios que se somam a um caixa já pressionado. Contratar Dorival por valores próximos aos praticados no Corinthians significaria um esforço financeiro considerável para um clube que ainda carrega passivos de gestões anteriores. O efeito cascata é imediato: o São Paulo entra em campo na sexta-feira, 16 de maio, contra o Fluminense, pelo Brasileirão, com um interino à beira do campo — e depois enfrenta o Millonarios pela Sul-Americana em 19 de maio e o Botafogo em 23 de maio, também pelo Brasileirão. Três jogos em oito dias, sem técnico definido.
O que o São Paulo precisa fechar antes de entrar em campo
A pressão por resultados imediatos torna a negociação ainda mais delicada: cada rodada sem técnico fixo é uma rodada em que o elenco opera sem referência clara de identidade tática. O Brasileirão 2026 já está em andamento, a Sul-Americana exige atenção continental, e o clube não tem margem para um segundo erro de contratação em sequência. Se Dorival aceitar reduzir os valores ou o São Paulo encontrar um ponto de equilíbrio financeiro, o treinador de 62 anos voltará ao Morumbi pela segunda vez em três anos. Caso contrário, a diretoria terá que explicar, mais uma vez, por que o plano A não saiu do papel — e buscar um plano B que, por ora, ninguém quer nomear em voz alta.










