Qual treinador o São Paulo precisa agora — o que já sabe o caminho ou o que carrega a alma do clube na pele? A pergunta, formulada nos corredores do Morumbi na noite de quarta-feira, 13 de maio, não admite resposta fácil. Roger Machado foi demitido horas depois de uma derrota por 3 a 1 para o Juventude, em Caxias do Sul, que encerrou a participação tricolor na Copa do Brasil — e o clube acordou nesta quinta-feira com uma vaga urgente e um caixa complicado.
Há uma ironia cruel no momento. O presidente Harry Massis havia dito, em áudio que vazou nos últimos dias, que não demitiria Roger Machado por "não ter dinheiro" para arcar com multas rescisórias. O treinador foi demitido. E o mesmo áudio revela que Massis considera Dorival Júnior — prioridade máxima da diretoria — um custo de "R$ 2,8 a 3 milhões por mês", valor que ele próprio classificou como fora da realidade do clube. A conta não fecha, mas a negociação avança: uma reunião com representantes do técnico foi marcada para a tarde desta quinta-feira, 14 de maio.
A dívida, o título e o argumento Dorival
Dorival Júnior tem um currículo objetivo no Tricolor. Em 2023, conduziu o São Paulo ao título da Copa do Brasil — o primeiro em 22 anos — e saiu não por fracasso, mas por um convite da Seleção Brasileira, que nenhum técnico de clube recusa. Esse detalhe importa: a saída foi honrosa, o legado ficou. Há ainda um dado que complica e, paradoxalmente, humaniza a negociação — o clube ainda deve R$ 3,2 milhões a Dorival referentes à passagem anterior, segundo o último balanço financeiro do São Paulo. Contratar o treinador sem quitar essa dívida seria, no mínimo, constrangedor.
A diretoria aposta que Dorival aceitaria valores inferiores aos recebidos no Corinthians, seu último empregador. A ideia é construir um consenso financeiro antes de qualquer anúncio.
Rogério Ceni e o peso da identidade
Do outro lado da equação está Rogério Ceni, que atravessa um momento de pressão no Bahia após a eliminação para o Remo na Copa do Brasil — derrota que reduziu drasticamente o calendário do clube nordestino. Segundo o perfil "EC Bahia Números", desde 1957, somente em 2025 o Bahia disputou menos de 53 partidas; em 2026, o time jogará exatamente esse número de jogos, o segundo menor em sete décadas. Com o Esquadrão restrito ao Campeonato Brasileiro, a pressão sobre Ceni só tende a crescer.
O que para o torcedor argentino é a fidelidade ao escudo — aquele apego visceral que transforma ex-jogadores em técnicos quase sagrados —, para o são-paulino é Rogério Ceni: o goleiro que marcou 131 gols, o ídolo que carrega o Morumbi no sobrenome simbólico. Nas redes sociais, após a demissão de Roger Machado, o nome de Ceni dominou as menções tricolores. A diretoria sabe disso. Segundo apuração do SportNavo, se Ceni deixasse o Bahia, seria o primeiro da fila alternativa — mas essa possibilidade depende de um desdobramento que ainda não se concretizou.
O fim de semana contra o Fluminense e o prazo real
A pressão do entorno de Massis é clara: ser rápido. O São Paulo enfrenta o Fluminense no fim de semana, e a tendência é que algum membro da comissão técnica fixa assuma interinamente o comando. Não há luxo de tempo para um processo seletivo prolongado.
"Dorival custaria R$ 2,8 a 3 milhões por mês", disse Harry Massis em áudio que circulou nos últimos dias, sinalizando a tensão entre a ambição técnica e a realidade financeira do clube.
Entre os dois nomes, Dorival oferece método comprovado e uma taça concreta; Ceni oferece pertencimento e uma narrativa que o torcedor já conhece de cor. A diferença está no momento: Dorival está disponível e é o consenso interno; Ceni ainda tem contrato com o Bahia. A reunião desta quinta-feira dirá se o São Paulo consegue equacionar salário, dívida antiga e ambição esportiva em uma única conversa — ou se o Tricolor chegará ao fim de semana ainda sem um nome definitivo para o banco.









